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maio 19, 2008

falenas II




naquele tempo

usavas espigas nos cabelos

e nos beijos dois sorrisos

e nos sorrisos anelos

e nos anelos juízos


foi o tempo

de pastorear os sóis

nas tardes das lentidões

nos ocasos dos faróis

nas profundas uniões


nesse tempo tu chegavas e era sempre verão

trazias nos lábios os crepúsculos matutinos

em lembranças florescidos


era certo

que adornavas o caminho com flores

os delicados suspiros

no primeiro fruto maduro

do local onde habitavas


tanto tempo

que o tempo pôs os olhos

no carbono do queixume

no efémero do ciúme

falena que abandonei


tempo outro

quando as árvores num doce suicídio

apodreceram galantes no olvido

da janela onde te expunhas


taparam-te a janela


as quedas testemunhas já sussuram

os silêncios dos amantes

que acabaram

5 comentários:

Anónimo disse...

Ao contrário das borboletas, estes versos não são efémeros. No conjunto dos oito englobados no tema, para mim são os mais bonitos.
Bisbilhotando: são recordações?

Carlos Alberto Correia disse...

Meu caro Dr.

O poeta é um fingidor...etc...

Flor disse...

Nem sempre é fingidor, o poeta.

Carlos Alberto Correia disse...

Pois não! Mas é bom que se esqueça isto algumas vezes.

KIRA disse...

tá a ver dr. jorge fagundes, como é que ele tinha as miúdas de évora sempre à volta? era a poesia senhor, era a poesia!