<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947</id><updated>2011-11-24T09:53:20.027Z</updated><category term='Fotocomposição: Carlos Correia'/><category term='A nebulosa da Águia'/><category term='Capa de Silêncio Mordido. Ilustração do Post anterior'/><category term='Ilustração de Pedro Correia'/><title type='text'>Sacanas e Sentimentais</title><subtitle type='html'>Literatura, intervenção cívica e o mais que vier.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Fernanda Afonso</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13955733695748663379</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>253</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5398342340046920033</id><published>2011-08-17T02:23:00.001Z</published><updated>2011-08-17T02:30:11.156Z</updated><title type='text'>Mudança de localização</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;ESTE BLOG FOI MUDADO PARA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://sacanasesentimentais.blogs.sapo.pt&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpem o incómodo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5398342340046920033?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5398342340046920033/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5398342340046920033&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5398342340046920033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5398342340046920033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/08/mudanca-de-localizacao.html' title='Mudança de localização'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8207220323692106725</id><published>2011-04-29T19:55:00.003+01:00</published><updated>2011-05-01T19:15:51.897+01:00</updated><title type='text'>A revolta do manso</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-M_iaaMR_aCU/TbsNMkpZxKI/AAAAAAAAAUw/QEv0aDpsW9I/s1600/touro.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 144px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-M_iaaMR_aCU/TbsNMkpZxKI/AAAAAAAAAUw/QEv0aDpsW9I/s400/touro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601085071212266658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo, certo é que vamos todos ficar mais pobres. Quero dizer todos quantos trabalham para o Estado, são reformados e de modo menos direto aqueles que laboram nas empresas privadas. Isto é, a maioria da população. O número de pobres abaixo da linha de miséria crescerá geometricamente, conforme forem falindo as pequenas empresas e o tecido social tenderá para a rotura. Entretanto os bancos farão lucros maiores e as grandes empresas privadas e a privatizar, apresentarão dividendos imorais a distribuir por meia dúzia de acionistas cada vez mais ricos, cada vez mais distanciados do povo e dos interesses da nação. Com o aumento da desigualdade económica a classe média, sustento habitual das democracias, perderá peso e importância e as decisões estratégicas passarão a ser tomadas por corporações oligárquicas que as ditarão aos “governos legítimos”, sempre mais serventuários da ideologia do lucro, os quais, com respaldo nas forças públicas, as imporão violentamente à sociedade. É claro que este clima levará ao aparecimento de células de resistência as quais, igualmente violentas, responderão taco a taco às forças &lt;em&gt;“legais&lt;/em&gt;”. O crescimento da pobreza, o despudorado aumento de riquezas ofensivas, a repressão medrante, a fraqueza governamental, será campo fértil para o aparecimento de geografias autoritárias sobre o território. Assim, senhores, desceremos paulatinamente as escadas do inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus porteiros já aí estão! Vieram, como convém, de fatos e óculos escuros. Os fatos por, lá no íntimo, se reconhecerem como coveiros de povos, os óculos para cortar a reverberação deste sol exótico, quase tropical, que leva os indígenas à moleza e à dívida. Esquisito, esquisito é que o FMI, impoluto defensor do pagamento atempado dos créditos bancários e promitente executor de ajudas aberrantes, até veio disfarçado de PIDE bom! Calculem que, ao invés das instituições europeias que querem ver amochar os PIG’s – e só pela sigla se vê a consideração que eles têm pelos europeus periféricos – e pretendem castigá-los pelo mau uso da economia local e dos fundos, a seu tempo enviados e, alguns, nunca se soube com clareza, desviados. Com ar cândido reflete um dos chefes das missões só observar faturas de auto estradas e não ver nada para investimento produtivo. Hipocrisia, é o que é! Então não foi a Europa, na sua distribuição internacional do trabalho que decidiu que em Portugal se aniquilariam pescas e agricultura – calculem que até quiseram que arrancássemos as nossas vinhas para os alemães poderem por no mercado vinho a martelo – defendendo que, como estávamos atrasados na produção competitiva mais valia dedicarmo-nos aos serviços, vide, turismo. Por isso, em vez de infraestruturas industriais os nosso governos fizeram aquiescentes, hotéis e autoestradas para completa satisfação da Europa rica. Lixámo-nos, pronto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, os mesmos que nos designaram o caminho vêm, muito judiciosa e atempadamente, reprovar o destino dos planos de desenvolvimento, sabiamente esquecidos das suas fortes indicações e implicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas são só eles os culpados? Claro que não. As nossas governações e dirigentes empresariais receberam os pecúlios e, com ou sem proveito próprio, isso agora é secundário, nos meteram neste círculo vicioso, andam atarefados a passar-se mutuamente as culpas. Ao ouvir os discursos oficiais ficamos com a sensação de que uns não têm estado cá, que outros só nos últimos quinze dias é que se aperceberam – por maldade pura das oposições – que o &lt;em&gt;"deficit"&lt;/em&gt; e a dívida tinham, certamente por ocultismo e outras artes mágicas, chegado a altíssimos e incomportáveis montantes. Sendo as nossas governações (todas) alheias ao fenómeno fica-nos então a certeza da existência de poderes sobrenaturais, trabalhando na sombra, para destruir as intenções e trabalho de tão honestos e desinteressados servidores públicos. Tenham tento e vergonha na cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O FMI, e quejandos, estão aí, agora de viva presença porque, como o Senhor, sempre esteve entre nós e traz-nos o atestado de irresponsabilidade e incompetência com que a Europa nos distinguiu. Montaram um espetáculo circense de ouvidores públicos esperando apenas ouvir a concordância com a receita que já trazem passada. Não tenham ilusões! Nada do que aqui lhes seja dito poderá mudar seja o que for. Estas negociações são como as sentenças dos antigos tribunais plenários cujas estavam ditadas antes de começar a audiência. Já conhecemos isto e, lidos os sintomas, percebemos caminhar para uma ditadura financeira com máscara de democracia representativa. Os órgão de decisão são agora as agências de “rating” – na posse de financeiros interessados no colapso do euro e das nações – as bolsas e os fundos financeiros. Tudo o mais é conversa. Sabem que com esta coisa da desregulamentação financeira até é possível fazer um seguro contra a perda de valor de ações de empresas, de que não possuo uma única ação, ou de dívidas de países soberanos das quais não tenho qualquer título? Como ouvi bem explicado é como comprar um seguro contra incêndio de uma casa que não é minha. O meu interesse será portanto que a casa arda ou que a economia do país se desmorone. Assim, posso recobrar com lucro, o dinheiro que investi no seguro. Não é este um admirável mundo novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso aqui fica o desinteressado aviso: o caminho que estão a tomar é muito perigoso. Tomem atenção ao que poderá vir a acontecer quando o povo, até agora manso e acabrunhado, entrar em desespero e revolta. É terrível a revolta do manso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8207220323692106725?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8207220323692106725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8207220323692106725&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8207220323692106725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8207220323692106725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/04/revolta-do-manso.html' title='A revolta do manso'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-M_iaaMR_aCU/TbsNMkpZxKI/AAAAAAAAAUw/QEv0aDpsW9I/s72-c/touro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1678919790585065148</id><published>2011-04-05T14:54:00.002+01:00</published><updated>2011-04-05T14:57:28.649+01:00</updated><title type='text'>Vejam bem…</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0fI45eOdeB8/TZsfuer6FWI/AAAAAAAAAUg/kJnfVv3yw2Q/s1600/gaivota.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 225px; height: 225px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0fI45eOdeB8/TZsfuer6FWI/AAAAAAAAAUg/kJnfVv3yw2Q/s400/gaivota.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592098245682271586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Vejam bem&lt;br /&gt;que não há só gaivotas em terra&lt;br /&gt;quando um homem se põe a pensar…&lt;br /&gt; José Afonso)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ouvimos os senhores do capital a rezarem furiosos, nas suas catedrais de comunicação, em presença ou através dos diáconos a que apelidam de comentadores – sempre os mesmos e sempre com o mesmo discurso – pela descida do Santo FMI dos céus à Terra. E fazem bem! Porque eles, ao contrário de nós, conhecem bem as coisas que os servem e lhes interessam e, precavidos ulisses, não se deixam dominar por cantos de sereias. Não são estúpidos e sabem muito bem o que essas melopeias valem, porque são eles que as ordenam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observemos, então!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Grécia, obediente e culpada de mau governo e contas fraudulentas, foi a primeira a submeter-se às drásticas medidas do Fundo. Como é hábito, dentro da coerência neoliberal que o fundamenta, mandou cortes violentos nos salários, nas reformas, no acesso ao crédito, nas prestações sociais e por aí fora. Tudo sacrifícios enormes, suportados pela população, com reiteradas promessas de que o objetivo desta penitência seria a felicidade comum a curto prazo. Azar! Atrás de sacrifícios vêm sacrifícios e o caminho para a degradação de padrões de vida não para.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Irlanda, a aluna aplicada, que fez do credo liberal o seu modo de vida, após efémero sucesso viu a bolha bancária explodir e, em consequência instalou-se a miséria, causando, de novo, ondas de emigração como já não amargavam há décadas. Claro, obedeceu ao FMI, fez cair o governo, aplicou as dolorosas medidas e vai piorando dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal o governo PS opôs-se, no discurso, valorosamente com inaudita coragem (são eles quem o afirma) à entrada do FMI. Que não, seria uma vergonha nacional, onde ficaria a honra da Pátria? Na prática, às prestações, PEC após PEC, aplicava a receita consagrada, para aplacar os mercados e a cada aplacação, os juros aumentavam, a pressão não diminuía, as exigências cresciam em proporção geométrica. Mas o governo não via nada disto. Famílias inteiras no desemprego, sem auxílios sociais, caindo velozmente na maior miséria não existiam no universo virtual onde os nossos ministros pairavam. No lugar de agora, sob a égide de Sócrates, vivia-se no melhor dos mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a realidade não se compadece com cegueiras coletivas, ao PEC IV, o abcesso rebentou. Aqui d’el-rei que os mercados isto, que os mercados aquilo, agora é que vão ser elas. A irresponsabilidade campeia. A mim o dilúvio! Os mercados, tal como anteriormente, continuaram no mesmo caminho a pressionar e a aumentar os juros. Mas o governo esqueceu os aumentos anteriores. Ficou obcecado pelo seu derrube, usou a borracha, e propagandeou que todo o mal veio ao mundo após este pecado original. Primeiro-ministro, ministros, sicários, propagandeadores e quantos “boys” foram providos de proventos, vêm à praça, na grande imprecação dos seus sonhos de poder desfeitos. Nada lhes interessando os sonhos de vida de milhares já acabados, repetem, até à náusea, a ladainha da vitimização, incapazes de olharem, mesmo que brevemente, as imensas culpas que lhes cabem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PSD e o CDS, cansados de esperar pelo seu bocado, coerente com os credos capitalistas que fazem seus, não têm paciência para os socalcos do socialismo de Sócrates e querem maior rapidez e profundidade nas medidas. Isso, porém, para não perder votos, só executadas por força exterior. Então que venha o FMI e já! Pobres tresloucados. Não percebem que serão os primeiros a perecer perante o maremoto. É que, como se pode ver pelos exemplos anteriores, ao Fundo apenas interessa garantir o pagamento da dívida aos seus patrões. São capatazes dos especuladores financeiros que, para seu provento próprio e egoísta, na sua ganância sem limites, não se importam de levar as nações à guerra nem os povos à miséria, desde que tal traga lucros. É para este belo panorama que o futuro e requerido governo maioritário ou de coligação nos quer levar. Nem mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a pequena Islândia, farta de engordar gulosos, pôs-lhes um forte freio. Pagar a dívida, sim, mas à distância. Querem-na saldada em oito anos? Impossível sem dessa forma se condenar o povo a pagar dolorosamente um crime que não cometeu. Pagamos em trinta anos! É pegar ou largar! Sem outro remédio perante tanta determinação, os abutres tiveram de pegar. Quem levou o país ao descalabros? Os políticos e os banqueiros. Então julguem-se e façam-nos pagar a crise em que nos lançaram. Ontem, 4 de abril, foi passado mandato de prisão para o primeiro banqueiro julgado por tais delitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Há, como se vê, outras formas de reagir à desdita. Demonstram-nos eles que, além das medidas canónicas, estabelecidas pelos criadores da crise e ainda em seu próprio proveito, existem alternativas de que nos tentam desviar. Falta aprendermos a lição e começar a pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima sexta-feira, o Bloco de Esquerda e o PCP, finalmente, decidiram marcar um encontro. Não sei se será tarde ou se tal reunião renderá frutos, mas é uma esperança que não se pode deixar de lado. Será, talvez, assim o espero, o início de uma verdadeira alternativa a esta política de vampiros que nos amarra e voluntariamente nos cega para as verdadeiras oportunidades. Vamos ficar a ver, torcendo para que a inteligência vença o preconceito e a verdade se imponha à mentira em que os mandantes nos têm trazido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Muito importante. Hoje, a Europa, certamente muito preocupada com a fome que grassa entre os seus milhões de pobres, publicou um estudo e recomendações sobre os hábitos tabagistas dos cidadãos! Mesmo adequado à situação e muito a propósito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1678919790585065148?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1678919790585065148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1678919790585065148&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1678919790585065148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1678919790585065148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/04/vejam-bem.html' title='Vejam bem…'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0fI45eOdeB8/TZsfuer6FWI/AAAAAAAAAUg/kJnfVv3yw2Q/s72-c/gaivota.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1853927127623910451</id><published>2011-03-31T18:17:00.001Z</published><updated>2011-03-31T18:19:24.820Z</updated><title type='text'>Ora agora corto eu, ora agora cortas tu!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-CUkj3VaTr4k/TZTFoQ_JWQI/AAAAAAAAAUQ/hfBRFjrDN6g/s1600/vaca.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 273px; height: 185px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-CUkj3VaTr4k/TZTFoQ_JWQI/AAAAAAAAAUQ/hfBRFjrDN6g/s400/vaca.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590310333018888450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém discute que o destino natural das vaquinhas é pastarem num prado verde, comerem ração num estábulo e serem ordenhadas para fornecerem de leite as sociedades humanas. É assim desde há muito, irá continuar a ser, mas, ao contrário do que se pensa, nada há de natural neste destino. As queridas vaquinhas são uma perversão da natureza a tal obrigadas pelos homens. Foram transformadas de seres naturais em produtoras industrializadas, retirando-lhe os meios inatos de vida e pondo-as na dependência extrema dos humanos. De tal modo que agora, sem eles, feneceriam de forma horrorosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também, quando olhamos para a nossa agremiação e para as medidas que os nossos governos vêm tomando, há para cima de três décadas, não poderemos ver-nos senão como dóceis vaquinhas do fisco, isto é, do Estado ou melhor de quantos no Estado fazem dele o estábulo onde mungem, até à secura, as suas vaquinhas. As quais, repito para os distraídos, somos nozinhos mesmos e inteirinhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada a euforia da queda de Sócrates - mesmo que ele a tenha pretendido, vê-lo cair, sabendo quanto tal estratégia faz doer o seu egocentrismo primário, não deixa de valer bem três vinténs, na aceção daquele velho ditado de que”vale mais um gosto que três vinténs” – vemo-nos de novo confrontados com o que há a fazer para que este povo não caia na mais desolada miséria para onde, a cortes rápidos de meios de vida, ardorosamente, é encaminhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para o espectro político, para o cada vez maior desinteresse pela política clássica revelado pelos nossos concidadãos, somos levados a concluir que com estes partidos (tal como estão) não se irá muito longe. São por demais velhos, cheios de artroses que o tempo lhes infligiu e demonstram extrema incapacidade não só em se reformularem, como em perceberem que, para sobreviver, terão de passar por uma mudança substancial. Parafraseando e adaptando à situação uns versos do meu falecido amigo António Monginho, digo:” os rapazes da minha geração estão todos mortos, eles é que ainda não sabem”. Idem, aspas, aspas, para os partidos. Adormecidos nas suas querelas inter e intra partidárias, aos poucos se fenecem, sem uma palavra atuante e atual para os factos com que este mundo nos vai paulatinamente defrontando. Da direita dos interesses à desinteressante esquerda - sempre mergulhada em divisões de purismos ideológicos que impedem a sua atuação eficaz num mundo para o qual os purismos são devaneios académicos que ficam bem nas estantes, mas que não colocam uma fatia de pão nas mãos de quem tem fome – o horizonte que nos é permitido é o das baias do estábulo onde a ração não abunda, cada vez é mais rateada, e não conseguimos ver outra coisa além dos limites deste pequeno horizonte permitido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sabemos, pelo menos alguns de nós sabem, que tal horizonte é mentira. Que as soluções únicas apenas o são por interessarem a quem de “direito” e que toda a cena social é montada de molde a que ninguém possa ver além dos antolhos que lhes são colocados. Por isso os que sabem são expurgados, vilipendiados, humilhados, para que desistam, para que se calem, para que não denunciem. É esta a eterna luta dos contrários e a dinâmica da vida, das sociedades, do universo. Caos, ordem, crescimento, apogeu, decadência e de novo caos para início de um novo ciclo. Adivinhem em que estádio está a nossa sociedade. Vale um doce para quem acertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, PS, PSD, agências de “rating”, FMI etc., etc., etc., não são mais que epifenómenos deste movimento que ou ultrapassamos ou nos fará perecer. A geração “à rasca”, por motivos vários, é a mais qualificada e melhor preparada dos últimos anos. Começa a mover-se e tem gente para tal movimento. Serão eles, quando tomarem as rédeas, que, eventualmente, permitirão acabar esta modinha do vai cortando e que nenhum governo velho ou novo, obnubilado e imerso neste paradigma, será capaz de alterar. Até lá, caros companheiros de infortúnio, apertem os cintos e peçam que os instrumentos de ordenha não sejam por demais dolorosos, sabendo que esta gente que nos governa ou quer governar, de nós apenas pretende o úbere pronto para mais uma ordenha mesmo que, por exaustão, seja apenas sangue o que nos sugam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1853927127623910451?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1853927127623910451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1853927127623910451&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1853927127623910451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1853927127623910451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/03/ora-agora-corto-eu.html' title='Ora agora corto eu, ora agora cortas tu!'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-CUkj3VaTr4k/TZTFoQ_JWQI/AAAAAAAAAUQ/hfBRFjrDN6g/s72-c/vaca.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8936574680988672274</id><published>2011-03-20T18:46:00.001Z</published><updated>2011-03-20T18:46:06.956Z</updated><title type='text'>Lua Cheia</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_ebjc6Icr_hw/TYZLZxPrDHI/AAAAAAAAAUI/b0mZ1tdQzbM/s1600-h/lua%20cheia%5B2%5D.jpg"&gt;&lt;img style="background-image: none; border-bottom: 0px; border-left: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px; padding-top: 0px" title="lua cheia" border="0" alt="lua cheia" src="http://lh5.ggpht.com/_ebjc6Icr_hw/TYZLbJYuV0I/AAAAAAAAAUM/PHlOZGsWyxA/lua%20cheia_thumb.jpg?imgmax=800" width="244" height="212" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ontem, 19 de março de 2011, quase início do equinócio da primavera, dia, também, do maior plenilúnio dos últimos não sei quantos anos, a coligação ocidental abriu as hostilidades aéreas contra a Líbia.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É minha firme convicção, passe embora a subtil lapalissada dos termos, que não se pode julgar do mesmo modo o que em si é diferente. Por isso, entre o receio dos males que possam vir a produzir-se e o conhecimento do que aconteceu e está a acontecer no Afeganistão e Iraque, eu esperava ansiosamente que a resolução da ONU fosse tomada e acatada. Pode parecer incongruência mas eu explico.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O senhor Kadhafi foi, até há uns anos, indubitavelmente, um dos senhores do eixo do mal. Subsidiava terroristas e acometia alvos civis como forma de luta dita de libertação de qualquer coisa. Por estas ações chegou mesmo a ser bombardeado, no seu palácio, pelos aviões de Clinton. Era, para todos os efeitos, considerado um déspota, um ditador e um ser que não respeitava nada nem ninguém. Depois, pelos milagres que podem fazer o dinheiro e o petróleo, este ser esquisito, comprou a respeitabilidade e conseguiu até, retirar da justiça inglesa, o condenado pelo despenhamento do avião inglês em Locherbie. Como diria Pessoa, malhas que o império tece…&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Senti-me humilhado quando, convidado a vir a Portugal, todas as impertinências foram permitidas a este ser odioso que passou a sua repugnante figura, em desmedida altivez, perante o olhar bacoco dos nossos governantes, reduzidos a serventes do querer da personagem. Foi pouco dignificante e esteve ao melhor nível de Sócrates.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Depois, com o vento libertário que corre o norte de África as nossas democracias, e quase todos nós, desconfiados embora com a fartura e expectantes sobre os caminhos que cada uma das sublevações poderia tomar, vibrámos com a queda de qualquer ditador e sentimos que a história se construía sob os nossos olhos, numa aceleração que poucos, até aí, concebiam ou desconfiavam. O mundo entrou em delírio e toda a gente falava no efeito dominó. Uns ditadores fugiram, outros soçobravam por falta de apoio das forças armadas e, outros ainda, iniciaram o massacre dos povos que, nas praças, reclamavam os direitos de liberdade e alguma igualdade. Na Líbia, o feroz Kadhafi decidiu afrontar o seu povo. Para tanto utilizou a sua guarda bem armada e contratou mercenários para reconquistar o terreno que os revoltosos tinham ocupado. Passámos a assistir a um combate desigual onde às armas ligeiras se respondia com artilharia e aviação (lembram-se da Palestina?). O ditador oferecia a morte indiscriminada e massiva ao seu “adorado povo”, pelo qual, via-se, nutria o mais profundo desprezo, servindo-lhe apenas para satisfazer os seus caprichos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sentia-se ser necessário pôr um travão ao homem e não deixar que a sua psicopatia avermelhasse, com sangue, o mel das areias do deserto. Não respondeu a avisos e continuou desafiante o processo de liquidação dos seus adversários. Mesmo quando recebeu o ultimato, ao melhor nível das verdades governamentais, informou o mundo que tinha mandado cessar-fogo quando, na realidade, acentuou o volume dos ataques. Por isso, ao ver como a resistência em Bengasi soçobrava perante a vaga atacante, vencendo velhos receios e preconceitos, ansiava pela instauração da zona de interdição aérea aos aviões líbios.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Colocava-me, nesta posição, em confronto direto com muitos amigos que, sugestionados pelas invasões já referidas, pensavam que se tratava de um assunto interno e que não deveria, portanto, consentir-se num ato que seria mais uma invasão a um país do petróleo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É aqui que a diferença se mostra. Para além de não estar prevista nenhuma ocupação terrestre tratava-se, tão-somente, de eliminar a possibilidade de ataques aéreos e de artilharia pesada contra cidades. Nós tínhamos a obrigação moral de não permitir a matança que se adivinhava. Não só porque, no entusiasmo libertário, os conduzimos àquela situação, mas porque as próprias leis, aceites por todas as nações com lugar na ONU, não permitiam que, havendo meios, não se fizesse a proteção das populações em risco.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sei muito bem, não sou assim tão ingénuo, que se não houvesse petróleo em jogo estas ações teriam sido postergadas até que a liquidação do movimento libertário as tivesse tornado inúteis. Estivemos quase lá, mas a antevisão da necessidade de mais combustível nos mercados, agora que o nuclear vai entrar durante algum tempo em recessão, levou os habituais estrategas do não se faz a pensar de modo distinto. E pronto, ao contrário do que se passa com o Darfur e outras zonas sem o mal cheiroso líquido que faz andar o mundo, a intervenção começou. Por um lado fiquei aliviado porque muitas vidas inocentes serão poupadas e, possivelmente, o ditador poderá ter os seus dias de prepotência e arrogância contados. Por outro, assusta-me a voracidade francesa e o pensamento de que o senhor Sarkozy esteja a ver a possibilidade de reiniciar o velho sonho da direita francesa: voltar a ter um império.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Sou pois a favor, não desconhecendo os perigos, da intervenção limitada das forças da ONU na Líbia onde, ontem, para os meninos de Tripoli e Bengasi, passou, certamente despercebido o fenómeno lunar que nos encantou. Creio aliás que, escondidos no interior das casas e bunkers, ou ofuscados pela luz dos rebentamentos de mísseis, o fenómeno tenha sido não só invisível, como completamente irrelevante.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;E, sinceramente, apoiando sem rebuço esta intervenção contida, tenho pena. Tenho mesmo muita pena pela sua absoluta necessidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – &lt;/strong&gt;&lt;/i&gt;&lt;a href="http://rostos.pt"&gt;&lt;i&gt;&lt;strong&gt;http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8936574680988672274?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8936574680988672274/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8936574680988672274&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8936574680988672274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8936574680988672274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/03/lua-cheia.html' title='Lua Cheia'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_ebjc6Icr_hw/TYZLbJYuV0I/AAAAAAAAAUM/PHlOZGsWyxA/s72-c/lua%20cheia_thumb.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-3776751449520985901</id><published>2011-03-11T20:29:00.001Z</published><updated>2011-03-11T20:31:20.131Z</updated><title type='text'>Crápulas!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Z7Kyi03ulqs/TXqGkKk24TI/AAAAAAAAAUA/7cTJ10__-9c/s1600/%25C3%25A1rasca.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Z7Kyi03ulqs/TXqGkKk24TI/AAAAAAAAAUA/7cTJ10__-9c/s400/%25C3%25A1rasca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582922643951509810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente sempre soube que os governantes raramente são de confiança. Começam todos por jurar só pensarem no bem do povo e acabam, invariavelmente, por cuidar apenas dos próprios benefícios, contra os interesses da maioria, marimbando-se completamente para os efeitos nefastos que possam trazer à vida de todos os outros. É um fado de que não conseguimos livrar-nos e que, com maior ou menor azedume, lá vamos acompanhando, à miséria e ao desespero, em tom de ré menor. Mas sempre em desgarrado desalento! Por mais voltas que se dê e por melhor que sejam as palavras e mais brilhantes os oradores, será sempre altamente deficitária a posterior correspondência com os atos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desabafava assim o Belegário hoje, pela manhã, quando me encontrou calmamente tomando o café que me haveria de despertar para o dia. Tinha só beberricado um diminuto golinho quando ele desabou sobre mim não estando, portanto, capaz de desfazer o embrulho em que a sua torrente de palavras me submergiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que apareces, disse, tentando recompor-me. Não te via há muito tempo e ainda na semana passada um amigo, no almoço da tertúlia, perguntou-me por onda andarias tu. Já estava com saudades do teu mau génio. Mau génio, o tanas, replicou. Como é que se pode andar contente neste pardieiro de país. São só palavras de palavras e atos, quando os há, são precisamente o contrário daquilo que se anuncia ou se comenta. É uma súcia de patifes, de burlões, todos a correr para o tacho, todos a ver quem melhor se amanha e, o que é pior, é que a desvergonha vai tão açulada que já nem sequer procuram disfarçar a avidez com que “vão ao pote”.É isto que para eles é conquistar o poder. Beber no cântaro até fartar e de preferência mantê-lo num lugar recatado onde ninguém mais, fora do grupo, possa chegar-lhe. Corja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Belegário, muito portuguesmente, cuspiu para o lado numa onda de nojo pela política e de alívio do catarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes, placou-me depois de aclarada a voz, hoje, ao acordar, ouvi no noticiário, no rádio, que este miserável desgoverno nos ia aplicar mais uns cortes na segurança social, na saúde e nas reformas. Tudo em nosso benefício, claro! Por outro lado ontem ia despejando as tripas ao ouvir as medidas que os amigos convocados pelo PSD, para lhe darem ideias para o programa de governo, tiveram a lata de apresentar. Para além da novidade de não trazerem, na maior parte das propostas, novidade nenhuma, aquelas que apareceram bem podiam ser apresentadas numa rua escura por um bando de meliantes, de cara tapada e armas na mão, a assaltar transeuntes descuidados. Nem mais nem menos os fabianos sugeriam que, nas empresas privadas, fosse permitido diminuir os vencimentos dos trabalhadores e, como contrapartida, certamente para equilibrar, propunham que se aumentasse os vencimentos dos políticos. Está-se mesmo a ver que, antecipando a chegada ao poder, já estão com os tachos pretendidos em mira e, por mero espírito de sacrifício e serviço público, decidiram imolar-se, metendo mais umas notas no bolso, quando vierem a ocupá-los. Isto é, com certeza, para se mostrarem solidários com a abnegação que impõem aos outros e para os ensinar a não viverem acima das suas possibilidades. Desta forma, eles poderão gastar à tripa forra, alimentando-se com a nossa fome, mas, seguramente e dados os seus acrescidos proventos, livres do feio pecado, cometido por todos este povo de, por excesso de incauta avidez, viver acima das suas possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou farto, espumava o Belegário. Sinto-me espoliado nas esperanças, roubado no futuro, desesperado por não poder acreditar em ninguém e rebenta-me a cabeça no esforço de tentar perceber como poderemos livrar-nos desta canalha, destas hienas fedorentas que se alimentam da carniça causada por tantas medidas castradoras e injustas, impostas a jovens e velhos, enquanto assobiam para o lado e vão, por desmedida usurpação, condenando as forças da nação à deliquescência. São culpados em altíssimo grau de genocídio geracional. Não deixam vingar os novos e, por míngua e aflição, matam os velhos. Oxalá rebentem, de gangrena fiduciária, quando forem aos bancos buscar os proventos das aplicações de capitais roubados à população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levado na sua onda de indignação o Belegário continuava a discorrer. Quero lá saber se o discurso do Presidente ataca ou defende o Governo. Isso é lá entre eles. Entendam-se! Eu bem vi, na campanha eleitoral, como a zanga das comadres lançava para o público parcelas de verdades inconvenientes. Mas parecia que ninguém ouvia. Pois se é  tudo boa gente! Estão todos no poder por filantropia e inquebrantável amor ao povo. Ninguém vai para o poleiro porque isso lhe permite um salto qualitativo no estatuto social. Não senhor! É só desinteresse pessoal e vontade de construir um mundo melhor para os palermas que se levantam pela madrugada para vergarem as costas durante todo o dia. Também porque haviam de ter uma vida diferente? No fundo é só o que sabem fazer e do que gostam. Dá-se-lhes à noite um qualquer &lt;em&gt;big brother &lt;/em&gt;e eles ficam felizes. Já não pensam em mais nada e estão prontos para a repetição de mais um dia de cansaço e desânimo. Para o mais têm o Benfica e Nossa Senhora de Fátima! Olha, rematou sem aviso, tenho andado muito quieto mas amanhã, já decidi, vou acompanhar o meu filho na manifestação Deolinda. Parvos é que eles não são e começam a despertar. Talvez venha esta geração a ser aquela que os vai pôr “à rasca”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-3776751449520985901?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/3776751449520985901/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=3776751449520985901&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3776751449520985901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3776751449520985901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/03/crapulas.html' title='Crápulas!'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Z7Kyi03ulqs/TXqGkKk24TI/AAAAAAAAAUA/7cTJ10__-9c/s72-c/%25C3%25A1rasca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-6763015663670102779</id><published>2011-02-24T23:47:00.001Z</published><updated>2011-02-24T23:48:41.012Z</updated><title type='text'>A casa do esquecimento</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Ow2mwqsOBJ4/TWbuTS1lU6I/AAAAAAAAAT4/7nGxyceDTt8/s1600/alzheimer.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 197px; height: 256px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Ow2mwqsOBJ4/TWbuTS1lU6I/AAAAAAAAAT4/7nGxyceDTt8/s400/alzheimer.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5577407203786445730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deambulam de lado para lado sem desígnio aparente. No entanto buscam algo que não sabemos, ou não sabemos se sabem. Percebe-se apenas a inquietude resultando nas idas sem destino para lado nenhum. Recolocam-nos nos lugares que lhes estão destinados para de novo, sem qualquer prenúncio, abalarem diretos a nada ou a todos os lados que a memória já não distingue e a vontade não nomeia. Param, por vezes, junto de ti e olham-te, sem ver, na busca de uma qualquer ideia de rosto ou de passado. Continuamos sem saber se procuram ou o que procuram. São perfeitos enigmas deslizando fantasmagoricamente para lado nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que sejas quem talvez eles queiram reconhecer não te percebem no olhar onde só nadam ausências. É estranho! É aflitivo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes pensas que te vão falar e, expectante esperas. Falso alarme. A boca pareceu querer mover-se, uma pequena centelha ardeu no olhar, o corpo esforçou-se para se abrir, mas nada. De novo a impotência e a solidão de um corpo que se desenha na incomunicabilidade. Tão sozinhos! Tão desamparados! Será que vêm? Que percebem? O que falha? Não sabem dizer-nos. Não sabemos distinguir. É um frio sem vento, um gelo sem água, um corpo quase sem amarras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua estranheza destrói todos quanto com eles convivem diariamente. Não nos reconhecem! Exigem, sem saber, cuidados constantes. Vive-se para eles vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Não sobra espaço para mais nada. Vampirizam, inconscientes, a vida de quem os rodeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes quem eu sou amor? Não sabem ou não sabem dizer que sabem. O desespero toma retrato nos olhos vagos, na, por vezes, doce demência da completa ausência. Parece não existir nada naqueles espíritos. Mas deverá existir, não é? A natureza, diz-se, tem horror ao vazio. Como existir para eles o tempo todo se nada dizem, ou sentem, ou transmitem? De novo o desespero. Onde guardá-los, a estes anjos deslizantes, se pouco sítios há para tal? E os custos do internamento sempre maiores que grandes? Volta o desespero a martelar os dias de quem com eles os vive. Mas não há nada a fazer? Que querem, não se pode chegar a tudo. Eles apenas incomodam os próximos, não é? Mas assim os próximos estão condenados ao inferno! Ora, o que se lhes há de fazer? Segue o discurso descomprometidos de pessoas, grupos e instituições a quem o problema toca de leve. A cruz é dos atingidos. É pena! Nada podemos fazer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, há poucos dias, um senhor na casa dos oitenta, com a esposa de idade próxima sofrendo de Alzheimer, estrangulou-a suicidando-se de seguida. A sociedade compungida pôs lutos de sofrimento, encolheu os ombros e seguiu em frente. E tu. E eu. Que vamos fazer? Provavelmente esperar até que a desgraça nos bata à porta e depois, rodeados de impossibilidades, usarmos as mãos com que nos amámos para, num derradeiro gesto de amor, encerrarmos as portas da casa do esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-6763015663670102779?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/6763015663670102779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=6763015663670102779&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6763015663670102779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6763015663670102779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/02/casa-do-esquecimento.html' title='A casa do esquecimento'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Ow2mwqsOBJ4/TWbuTS1lU6I/AAAAAAAAAT4/7nGxyceDTt8/s72-c/alzheimer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-3589230143946473448</id><published>2011-02-14T14:24:00.002Z</published><updated>2011-02-14T14:29:35.327Z</updated><title type='text'>“Colossal irresponsabilidade”</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ij9FFISIczM/TVk8R6v_bkI/AAAAAAAAATw/FdGU_ARYY48/s1600/bispo.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 51px; height: 89px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ij9FFISIczM/TVk8R6v_bkI/AAAAAAAAATw/FdGU_ARYY48/s400/bispo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573552292373687874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento-me num desanimado desconforto. Não posso compactuar com a arrogância de um primeiro-ministro que recusa a um partido, por não ser do “arco governamental” – e aqui vejo a imagem de um retesado arco desferindo a flecha do poder no coração de quem quer que ouse expressar opiniões próprias distintas daquelas que lhe interessaria escutar – o direito de apresentar uma moção de censura, a qualquer tempo e do modo que lhe interesse, quando se sinta afrontado com os atos do poder, rotulando o exercício de tal direito como uma “colossal irresponsabilidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta insolência que me dispõe mal e me leva a, contrariando a corrente principal, apoiar, embora com alguma relutância, a declaração de intenções do Bloco de Esquerda produzida no quadro parlamentar que lhe é próprio e no momento que os seus órgãos decisores consideraram apropriado. Admito que não lhe agrade a chamada à realidade, retirando-o do mundo onírico onde vive - ou pelo menos, que nos quer impor - mas não tolero a deriva elitista e autoritária que tal posicionamento pressupõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora, ao falar nestas coisas, me ocorram expressões como malhar em ferro frio e bater no ceguinho, não posso deixar de sentir a pressão dos muitos malefícios para o “nobre povo”, em que este governo tem sido pródigo, sempre apresentados como verdadeiros benefícios (do tipo o que arde é que cura) embora com efeitos positivos remetidos para prazo tão dilatado que tornam próximos os amanhãs que cantam. Já não há pachorra para o discurso triunfalista dos nossos governantes sempre a colidirem com o cada vez mais difícil dia a dia do Zé pagante. Para não esgotar a paciência dos nossos amigos deixem-me recordar apenas o aumento de lucro dos bancos com a concomitante descida da percentagem e volume de impostos pagos, contrastando com o facilitar e embaratecimento dos despedimentos. Claro, tudo em nome de aumento do nível de emprego e do bem do povo. Está-se mesmo a ver e, como se diz em “eseemeessês”: Lol!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declaro com toda a modéstia possível que se tivesse de decidir pelo Bloco, não apresentaria tal moção neste momento. Penso mesmo que esta declaração foi apressada e não terão sido bem ponderados os efeitos subsequentes. É uma opinião pessoal e não envolve nenhuma quebra de solidariedade com o projeto político do Bloco. Considero também ter a moção algumas virtualidades sistematicamente ignoradas. A primeira é a de quebrar a pacatez do charco onde as medidas económico-políticas se vão desenrolando. Alguém terá de fazer soar o alarme e informar os senhores do poder que mesmo podendo não ter forças suficientes para obstar à consumação das iniquidades que sofremos, não nos deixamos enrolar nos rodriguinhos do discurso oficial e estamos e estaremos sempre prontos para o denunciar, confrontando-o simplesmente com a realidade. A segunda é obrigar os partidos da direita, untuosos opositores das medidas do governo - não porque não lhes agradem mas sim porque não as consideram suficientemente profundas e rápidas - a saírem da posição de sagrada hipocrisia onde medram e a terem de, à luz do dia e de cara descoberta, ao votarem a moção, demonstrar, sem rebuços, de que lado estão e qual é a verdadeira face das suas políticas. Como isto não agrada a ninguém, do PS para a direita, desconfio que haverá algo de positivo a nascer desta ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos fáceis acusadores de possíveis ineficácias, ou irresponsabilidades, desta causa, advirto para que não se peça, a quem tem uma fisga, que dispare um canhão. Será de maior justiça e inteligência verificar se a fisgada atingiu ou não o alvo. Pelas reações apaixonadas parece que, apesar de tudo, David contínua a acertar em Golias. Pelo menos no sentido em que Manuel Alegre (em quem não votei) diz: “Eu vim para incomodar”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, no momento que corre, é já em si, bastante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-3589230143946473448?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/3589230143946473448/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=3589230143946473448&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3589230143946473448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3589230143946473448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/02/colossal-irresponsabilidade.html' title='“Colossal irresponsabilidade”'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ij9FFISIczM/TVk8R6v_bkI/AAAAAAAAATw/FdGU_ARYY48/s72-c/bispo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8914270213868966228</id><published>2011-02-12T00:28:00.002Z</published><updated>2011-02-12T00:31:44.868Z</updated><title type='text'>balada para a destruição dos monstros</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ByhkG5Ena_M/TVXU6gCyEKI/AAAAAAAAATo/CKSzssl-Stg/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 275px; height: 183px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ByhkG5Ena_M/TVXU6gCyEKI/AAAAAAAAATo/CKSzssl-Stg/s400/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5572594215439962274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foi escrita para a morte de outro tirano mas, para este que agora tombou, também serve&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se fosse abutre voava&lt;br /&gt;em círculos no céu redondo&lt;br /&gt;como um foguete no ar&lt;br /&gt;como um foguete no estrondo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como se asas nascessem&lt;br /&gt;assim nasce a alegria&lt;br /&gt;morto de morte o tirano&lt;br /&gt;morte mate a tirania&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fosse eu hiena e ladrava&lt;br /&gt;de noite e lua os gemidos&lt;br /&gt;morte de quem projectou&lt;br /&gt;ter os povos possuídos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como se asas nascessem&lt;br /&gt;assim nasce a alegria&lt;br /&gt;morto de morte o tirano&lt;br /&gt;morte mate a tirania&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;Carlos Alberto Correia&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8914270213868966228?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8914270213868966228/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8914270213868966228&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8914270213868966228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8914270213868966228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/02/balada-para-destruicao-dos-monstros.html' title='balada para a destruição dos monstros'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ByhkG5Ena_M/TVXU6gCyEKI/AAAAAAAAATo/CKSzssl-Stg/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-7586041499010812038</id><published>2011-02-09T14:36:00.000Z</published><updated>2011-02-09T14:36:50.101Z</updated><title type='text'>jacques Brel _ La Chanson des Vieux Amants</title><content type='html'>&lt;iframe width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/embed/H1DpjXQUDsI?fs=1" frameborder="0" allowFullScreen=""&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-7586041499010812038?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/7586041499010812038/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=7586041499010812038&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7586041499010812038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7586041499010812038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/02/jacques-brel-la-chanson-des-vieux.html' title='jacques Brel _ La Chanson des Vieux Amants'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/H1DpjXQUDsI/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5050568577456253341</id><published>2011-01-25T00:29:00.001Z</published><updated>2011-01-25T00:29:58.768Z</updated><title type='text'>Nem todos os concerto para uma voz são para esquecer</title><content type='html'>&lt;div style="padding-bottom: 0px; margin: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; display: inline; float: none; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:ed4c3bf4-9840-442b-a26b-6b046ee6ae17" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="18777297-a245-450d-ae15-a7a912bbff12" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=GSrZ7GIkfP4" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh5.ggpht.com/_ebjc6Icr_hw/TT4ZgnT4JSI/AAAAAAAAATc/OX_A40aga-E/video8c3c6a963830%5B6%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('18777297-a245-450d-ae15-a7a912bbff12'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;448\&amp;quot; height=\&amp;quot;252\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/GSrZ7GIkfP4?hl=en&amp;amp;hd=1\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/GSrZ7GIkfP4?hl=en&amp;amp;hd=1\&amp;quot; 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cursor:hand;width: 284px; height: 178px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TTdtnrNojuI/AAAAAAAAATI/j0dARfivCdE/s400/cinzas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564036393021771490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez porque eu, como muitos da minha geração, tive na guerra colonial contactos próximos com a morte, apreendendo, portanto, com urgência, a fragilidade e a beleza da vida, sou, intrinsecamente, contra qualquer pena de morte induzida por pessoa individual ou coletiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentado este princípio norteador do meu viver posso então entrar na matéria que, por incómodo próprio, decidi tratar. Vou talvez ferir suscetibilidades e vou, sobretudo, opor-me ao suave modo português de tudo perdoar a quem se finou. Falo, como já poderão ter-se apercebido do assassínio do cronista social Carlos Castro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca o conheci pessoalmente mas já tanto não digo da sua sombra civil. Era o homem da maledicência e dos escândalos que, a seu critério, distribuía pelas revistas e colunas cor-de-rosa, lançando gentes em breve fogachos de notoriedade e humilhando aqueles que não lhe interessavam ou não seguiam os códigos cediços do pobre “jet-set” onde turbilhonava. Era, para mim, um ser execrável. Depois de morto, nada disto tendo mudado, continuou a sê-lo. Que não mereceria a morte que o segou? Plenamente de acordo. Mas não exclusivamente por ele, tão só porque ninguém merece a ceifa da sua vida antes que ela tenha naturalmente termo ou que o cidadão, por ponderosos motivos, o decida para si próprio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ter esta ideia da pessoa em causa e por saber que havia multidões que pensavam o mesmo, surpreendeu-me que, num repente, aparecessem milhares de amigos a debitarem virtudes e saudades, mesmo em gente que, eu sabia, por ele nutria senão ódio, pelo menos um requintado desprezo. Sendo embora a rasoira da morte a aplanar saliências de passadas ofensas, espantou-me o rio de hipocrisia que vi desaguar nos nossos meios de comunicação. Parecia que um novo Camões ou Pessoa se tinha finado. Só faltou uma alocução ou presença funerária do primeiro magistrado da nação. Não venham acusar-me, por esta posição, de homofobia ou coisa que o valha. Não sofro de tal pecado e, tenho dado testemunho bastante do meu respeito pelos sentimentos dos seres humanos expressem-se eles lá como se expressarem. Só lhes peço autenticidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, Carlos Castro foi assassinado, foi vítima de um ato de extrema violência e nenhum motivo poderá justificar esta ação. Quem o matou foi Renato Seabra, um jovem manequim temporariamente residente com a vítima no quarto de um hotel nova-iorquino. Em redor do algoz levantou-se um coro de solidariedade inabitual. Talvez pela sua juventude, pela beleza, pelos sonhos caídos a partir do instante do crime. Sugerem-se motivos. Declaram-se causas. Procuram-se desculpas. Mas poderá haver defesa para um ato tão definitivo como o de causar a morte a alguém? Poderá, sim, haver atenuantes mas nunca justificação plena. Todos somos capazes de cometer assassínio mas, no seu evitamento, está a diferença entre barbárie e civilização. Renato matou, é, ao que parece, uma certeza. A vida que sonhava deixou de ser possível. De certo modo ao assassinar assassinou-se senão a ele próprio, pelo menos ao seu devir. É tão lamentável esta situação como a da morte da vítima. Parece-me, portanto que neste caso não haverá inocentes mas todos serão, ao mesmo tempo, algozes e vítimas. Renato tinha um sonho e, provavelmente, decidiu utilizar pessoas como meio de o atingir. Pessoas essas que também decidiram utilizar Renato para os seus fins. É o círculo de enganos da fama fácil e das alienações consentidas para lá chegar. É não saber que o primeiro dia de glória é igualmente o primeiro dia de deceção e apagamento. Mas esta é a nossa sociedade. Aquela em que vivemos e consentimos. A que destrói valores de humanidade, dignidade, solidariedade, em troca da ilusão de uns quantos dias de ribalta. Custe lá isso o que custar. O sucesso a qualquer custo é o objetivo. Tudo o mais é secundário. Ou pelo menos assim parece. O problema está no preço a pagar. Há sempre um dia em que a fatura nos é enviada. Nesse dia há que pagar o preço. Para o jovem assassino a fatura chegou talvez demasiado cedo e a despropósito. Reagiu e, aprendiz de feiticeiro, queimou-se no próprio feitiço. Até onde ainda não sabemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indiferentes a leis, respeito pelos outros ou qualquer outra conveniência, as irmãs e alguns amigos de Carlos Castro, numa explosão de egoísmo e desprezo absoluto, decidiram despejar num dos respiradouros do metro de Nova York, parte das cinzas do malogrado cronista. Neste ato está expresso tudo quanto me parece ser os valores dessa gente. Não se sabe porque divino decreto eles não têm de obedecer às regras que jungem o comum dos mortais. Não senhor, isso não é para eles. Se o amigo, o irmão decidiu dar-se a respirar aos cidadãos de qualquer urbe, que direito têm estes de se oporem a tão profundo desígnio? Será que não se apercebem do tremendo favor que lhe é concedido ao incorporarem as cinzas do grande homem que, por azar, não conhecem nem reconhecem? E isso que tem? Os mandantes da vontade do morto têm opinião bastante para eles e para os outros. Estes nem precisam de se incomodar com coisas tão cansativas como ter vontade própria. Cá estão tais amigos para de tanto trabalho os aliviarem. Deviam ainda era agradecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante tanta pesporrência só resta, pregando no deserto, dizer que se deixe de olhar para o acessório e se parta de vez na conquista do essencial. A fama, os holofotes, o breve reconhecimento são cinzas deitadas sobre o mar. Nem memórias deixam que se vejam. Só lutos espalhados no vento da pouca duração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-508882574375093782?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/508882574375093782/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=508882574375093782&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/508882574375093782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/508882574375093782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/01/cinzas.html' title='Cinzas'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TTdtnrNojuI/AAAAAAAAATI/j0dARfivCdE/s72-c/cinzas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5912199476285387429</id><published>2011-01-14T14:27:00.002Z</published><updated>2011-01-14T14:28:20.909Z</updated><title type='text'>Porque o voto é secreto</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TTBdevvvSrI/AAAAAAAAATA/Zm41dkc_tXY/s1600/josemanuelcoelho.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 168px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TTBdevvvSrI/AAAAAAAAATA/Zm41dkc_tXY/s400/josemanuelcoelho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562048322596719282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o voto é secreto não vou dizer que já escolhi, na pessoa do candidato José Manuel Coelho, o recipiente do meu voto. Claro que não é um candidato ganhador, nem como tal ele se assume. Fala porém chamando os nomes às coisas, sem medo nem rebuço. Ora aqui está um político que é, com eficiência, um antipolítico. Não utiliza o exercício de distanciação e ocultamento do inefável Sr. Silva; não tergiversa como Alegre; não se mostra bonzinho e compassivo como Nobre e não tem o encargo de manter os militantes agrupados como Lopes. Tem apenas de ser ele e, como tal, propor-se ao escrutínio. Nos tempos que correm já é bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrando de si uma face pícara nas arruaças com o jardinismo, oculta um saber e experiência da coisa pública que tem vindo a revelar, pouco a pouco, nos tempos de antena e entrevistas que o estão a tornar um caso de rápido reconhecimento. Para ele o trabalho político é resistência. É velar para que a separação dos poderes seja uma realidade e não algo que se proclama no âmbito dos princípios e se esquece na prática dos dias. É reconhecer que a situações diferentes se aplicam estratégias diferenciadas. É afirmar que um operário da construção civil pode ter conhecimentos e aplicá-los a bem da população. É não temer o confronto com os golias das várias governações e afirmar os direitos de David apesar das desproporções que parecem, obviamente, condenar ao insucesso qualquer veleidade de resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nele repousa a prova iniludível da possibilidade de resistir nos mais difíceis terrenos. Nem mesmo os dislates do Sr. Alberto João o têm amedrontado. Nem os processos judiciais, sempre a bater nos mesmos, o levam a arrepiar o caminho traçado. Sabe o que quer, é inteligente e capaz. Será perfeito? Certamente que não! A Democracia não necessita de anjos mas de homens. De homens capazes de dizer quando o rei vai nu e não de cortesãos cegos por subserviência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É populista e perigoso? Talvez um não sei quanto, concedo. Mas é muitos menos que aqueles que, sem coragem para ser o que realmente são e na falta de outros argumentos, o acusam de tal. Não o levam a sério? Fazem muito mal. Ele não é o “clown” que, para aparecer, simulou ser. É alguém que sabe como iludir o cerco que as burocracias partidárias fizeram à Democracia. É o gosto do risco e da descoberta. Vale a pena estar com este voto minoritário mas de grande valor simbólico. Descubra-se de novo a capacidade de rir dos poderosos que nada temem senão o ridículo. E como ele, com palavras e atos, o põe tão claramente a descoberto. Depois das eleições, conforme o seu resultado, os paxás vão tentar integrá-lo ou desintegrá-lo. Que ele tenha força e saber para continuar a resistir no contrapoder a que se propôs e não deixe por mãos alheias o zurzimento dessas personalidades cinzentas convencidas que são a luz do mundo. Necessário é que sempre surja um profeta, mesmo que só anuncie desgraças, para manter ativas as mentes dos cidadãos. Por agora ele decidiu de livre vontade assumir esse papel. Por isso estou com ele e lhe entregarei, embora vocês o não saibam, a confiança do meu voto. Não para que seja presidente da República mas para que no coro das unanimidades, pretensamente diferenciadas, surja uma nota desafinada a desafiar a interpretação de mais profundos significados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço-te José Manuel Coelho o atestado de sanidade com que presenteias este povo. O qual, tu sabe-lo bem, não poderá ainda compreender-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5912199476285387429?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5912199476285387429/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5912199476285387429&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5912199476285387429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5912199476285387429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/01/porque-o-voto-e-secreto.html' title='Porque o voto é secreto'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TTBdevvvSrI/AAAAAAAAATA/Zm41dkc_tXY/s72-c/josemanuelcoelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-3394067641269167470</id><published>2011-01-05T19:43:00.001Z</published><updated>2011-01-05T19:45:27.668Z</updated><title type='text'>O “Arrelia”</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TSTKTst2-MI/AAAAAAAAAS4/SzLfUMYs1ME/s1600/candidatos.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TSTKTst2-MI/AAAAAAAAAS4/SzLfUMYs1ME/s400/candidatos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558790279851866306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me vazio. Estou desinteressado! Não me apetece ouvir debates nem declarações de presidenciáveis. Vai por aqui um tempo que não é morno por demais ter arrefecido nas fraquérrimas prestações desta democracia de pacotilha onde é sempre possível entalar mais o povo e se encontram, permanentemente, boas justificações para que, os mesmos de sempre, continuem a enriquecer e a viver, cada vez mais, num Olimpo a que só eles podem aceder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante isto e não só, o Presidente da República é uma irrelevância. Não existe! Formatado como pura insignificância no fascismo, foi confirmado nesse estatuto pela democracia. O seu poder é quase nulo. Vale o que valer o homem que ocupa o lugar. É uma daquelas situações onde é o homem que faz o posto. É uma anti-instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo em que lhe era destinado o fatigante trabalho de cortar fitas e beijocar criancinhas. A democracia esvaziou-lhe a função. Hoje até o presidente da junta inaugura e beijoca. Perdeu o cargo sentido mas mantém-se o ritual por mais vazio e inócuo que seja. O seu poder é o de não ter poderes. Vive do discurso mesmo quando cala. Mas se não fala não vive. Feroz contradição que o faz silenciar quando devia falar e discursar em tempo de contenção de voz. Se andam a cortar nas despesas porque não cortam de vez esta despesa supérflua? Ah! Pois, e onde iriam por os políticos de nomeada em fim de carreira? Não há Administrações de grandes empresas que cheguem para todos. Há que manter alguns, mesmo que a encanar a perna à rã, no aparelho de Estado. Sempre hão de servir para alguma coisa. Quando não mais para dar credibilidade ao discurso hipócrita dos que, mamando, acusam os que vivem no limite da pobreza de viverem acima das suas possibilidades. É aceitável um discurso, vagamente crítico e sem eficácia executiva, que pareça contrariar as mais dolorosas decisões. Para as quais é precisa a coragem de as aplicar apenas aos outros, ficando, sempre de fora, os nossos. Chama-se a isto equidade governativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nossos presidentes só têm existência na medida em que forem do contra. Dizem que é para maior equilíbrio da coisa pública. Mas que equilíbrio se consegue quando num prato da balança está todo o poder da governança e no outro o hidrogénio de um balão inflado? Pode dissolver a Assembleia! Pode, claro que pode! E depois? Ou faz eleições ou nomeia. De qualquer modo as suas maiores possibilidades são as de se ter tramado e, ao mesmo tempo, não ter resolvido coisa nenhuma. Se vai a eleições e ganham os mesmos enfraquece e terá de demitir-se. Se ganha quem ele espera não só perde a relevância – porque não esqueçam o seu verdadeiro poder é o de contradizer, o de arreliar – e fica indissoluvelmente ligado aos inêxitos do governo que (por eleições ou nomeação) patrocinou. Se o governo cambalhotar lá vai o Presidente de empurrão! Inequívoca beleza da inutilidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, todos os cinco anos, meia dúzia de circunspectos cidadãos afrontam-se intrépidos nas arenas e desfilam intenções e programas que nem lhes pertencem e bem sabem não poder cumprir. O que os faz exporem-se assim? Problema de habitação resolvido por dez anos? Doce passagem do tempo de congelamento da reforma? Vaidadezinha inconsútil a espreitar sem vergonha do âmago da proclamada modéstia? Saudades de um rei, ainda absoluto, fazendo herdeiros e cortesãos duma mesma penada? Oh, vã glória de mandar, oh, vã cobiça… !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andam por aí, agora, de novo, a tal meia dúzia de citadinos a mercadejar votos. Para não fazerem o que prometem, prometendo o que não podem. Querem a nossa confiança e digladiam-se galhardamente por ela. Até o voto entrar na urna, porque depois… Cinco são-me indiferentes e para um sou absolutamente contra. Quem adivinha quem é o Acácio tartamudo que detesto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-3394067641269167470?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/3394067641269167470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=3394067641269167470&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3394067641269167470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3394067641269167470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2011/01/o-arrelia.html' title='O “Arrelia”'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TSTKTst2-MI/AAAAAAAAAS4/SzLfUMYs1ME/s72-c/candidatos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5256451161240351854</id><published>2010-12-13T14:52:00.002Z</published><updated>2010-12-13T14:56:38.915Z</updated><title type='text'>Os inventores de Guantânamo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TQY0G4PqZpI/AAAAAAAAASs/dbZoVLGFFQ8/s1600/aguia.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TQY0G4PqZpI/AAAAAAAAASs/dbZoVLGFFQ8/s400/aguia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5550180883562653330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem está despido, de mãos amarradas atrás das costas. Os olhos estão vendados. Pressente que na sua frente estão dois soldados e que outros dois, ladeando-o, lhe seguram os braços. Não entende o que lhe berra quem está na sua frente. Falam-lhe numa língua que não é a sua. Não percebe o que eles querem. No entanto a cada frase, que supõe ser uma pergunta feita de forma aterradora, mergulham-lhe meio corpo no bidão de água até os pulmões estalarem e o líquido, como faca acerada, subir pelo nariz rasgando em dor o caminho da sufocação. Quase no limite do afogamento retiram-no da água, repetem as incompreensíveis perguntas e, antes do tempo necessário para recobrar o fôlego, voltam a mergulhá-lo no horror. A qualquer instante pode morrer. No início do interrogatório temia o sofrimento e a morte, agora que a aflição é insuportável se a morte viesse seria aceite como almejada libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, consideraram os próceres judicativos dos Estado Unidos da América, não é tortura. É um método de indução da verdade! Abu Ghraib também não foi tortura. Foi apenas um abuso da soldadesca sem conhecimento dos comandos superiores. Esta é a lógica e a moral do império. Nada que ele faça é censurável. Censuráveis são os outros, façam eles lá o que fizerem, desde que tal seja inconveniente para os interesses do tio Sam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a mesma moral com que pretendem decidir quem tem, ou não, o direito de possuir armas atómicas. Pergunta-se de onde lhe vem tal autoridade quando, em todo o mundo, foram eles os únicos, até agora, a utilizar, por duas vezes, a bomba atómica para exterminação voluntária e consciente de populações civis. Não é, como se prova, gente que mereça muita confiança. Talvez por isso não sejam signatários e não reconheçam a jurisdição do Tribunal Internacional. Têm certamente receio de saber de forma apodíctica o que das suas acções pensa o mundo. Amedronta-os as consequências dos seus actos. Apesar disso continuam, olímpicos e unilaterais, a pretender regular os direitos dos outros. Tentaram utilizar a noção de “guerra preventiva”, isto é, a possibilidade de atacar, sem prévia declaração de guerra ou provocação, qualquer país no mundo, desde que não lhes agradasse ou conviesse as decisões soberanas do mesmo. Antes desta doutrina, nos anos 60 e 70 do século passado, puseram a América Latina a ferro e fogo, derrubando governos democraticamente eleitos, substituindo-os por ferozes ditaduras, em nome de uma liberdade e democracia que outra coisa não era mais que máscaras para os seus interesses egoisticamente económicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventaram as armas de destruição maciça quando, por razões que só o petróleo sabe, decidiram atacar o Iraque. Meteram o mundo numa embrulhada de que ainda não conseguimos sair e que teve parte importante no descalabro em que presentemente nos encontramos. Construíram uma rede de espionagem comercial – a Echelon – para roubarem os segredos dos “aliados” europeus e, quando descobertos, alegaram, com candura e inocência, que tudo isto era em nome da sã concorrência. Inventaram assim o modo do eu posso fazer o que quiser e tu farás só o que me agradar. A isto chamaram justiça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro desta lógica querem agora impedir a divulgação dos documentos “Cablegate” pela &lt;em&gt;Wikileaks&lt;/em&gt;, exigindo a prisão e o repatriamento, por terrorismo e traição, do seu mentor Julian Assange. Aqui, minha gente, apesar de habituado à prepotência americana, não consigo deixar de abrir a minha boca numa estupefacção sem limites. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos então:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os documentos publicados no “&lt;em&gt;site”&lt;/em&gt; estão a ser dados, regularmente, à luz por poderosos e tradicionais meios de informação. Alguns deles americanos e situados no seu território. Não me consta que a qualquer dos seus directores tenha sido passado mandato de captura, nem que as publicações tenham sido impedidas de circular. Mas a &lt;em&gt;Wikileaks&lt;/em&gt; viu ser-lhe negado alojamento e congelados fundos. No entanto nem um nem outros estavam sob jurisdição americana. A acusação de traição é, no mínimo patética. A não ser que todos agora estejamos obrigados à nacionalidade americana, só para os deveres, como pode ser acusado de traição à pátria americana um homem que tem nacionalidade australiana? Que obrigação tenho eu, cidadão português, residente em Portugal, de respeitar as interdições do direito americano para americanos em terras da América? A inversa é verdadeira? Ah! Não é? Então está tudo dito e passem os senhores muito bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a pressa subserviente com que a justiça inglesa actuou para a prisão de Assange baseada em duvidosas acusações? Ao que foi informado numa das acusadoras de abuso sexual terão sido identificada equívocas ligações à CIA. E que o não fora! Não é despiciendo, para bom julgador, lembrar-se que estas acusações são recorrentes. Aparecem quando são lançadas informações perturbadoras no &lt;em&gt;“site”. &lt;/em&gt;São arquivadas quando o efeito desaparece, para de novo, mal novas informações sejam publicitadas serem prontamente agitadas. Muito conveniente, não vos parece? Não posso deixar de comparar esta pressa com os vagares da prisão e extradição do celebérrimo Vale e Azedo que, há quantos anos, se arrasta pelos tribunais deixando-o livre para continuar a cometer as barbaridades que lhe conhecemos. Viva a libérrima Inglaterra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrepiante é no entanto a pretensão vigente no pedido de extradição de Assange para os Estados Unidos! A que propósito seria ela extraditado? Não é cidadão americano. Não cometeu qualquer crime em solo americano e sob alçada das suas leis. Não roubou os documentos (foram-lhe entregues) e os mesmos são de inegável interesse informativo e probatório sobre o tipo e apodrecimento das relações diplomáticas e políticas, bem como do degradado carácter moral desses seres que pretendem governar-nos e dirigir. São incomodativos? Lá isso são. Basta que se não tenha a consciência limpa e incomodarão mais que piolhos na cabeça de alguém sem mãos para se coçar. Este é verdadeiramente o problema. A opacidade permite a mais completa dominação. Há seres e coisas que a luz destrói. Nós estamos rodeados deles. No receio de verem-se a descoberto perdem as estribeiras e atropelam todas as leis, todos os valores que apregoam e, desvairados gritam: “liquide-se Assange”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta está a ser dada. O movimento suplantou o homem e, mesmo sem ele, continuará. A criação de &lt;em&gt;“sites”&lt;/em&gt; espelho, o aparecimento espontâneo de acções contra que tenta coarctar o direito ao conhecimento estão em campo. Desta batalha, que não se pode separar da grande convulsão que agita o mundo, serão colhidos resultados. Se eles são a favor ou contra a liberdade e a dignificação do homem é coisa que ainda se verá. Por mim está escolhido o campo em que me baterei. Decida-se V.Ex.ª. de que lado está enquanto o tempo lhe der ainda essa possibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente uma palavra de compreensão para Obama. Tudo lhe corre mal. As boas intenções esbarram contra os maus interesses e ele, mesmo que queira, pouco pode fazer. Afinal ele é o presidente dos americanos. Destes americanos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5256451161240351854?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5256451161240351854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5256451161240351854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5256451161240351854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5256451161240351854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/12/os-inventores-de-guantanamo.html' title='Os inventores de Guantânamo'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TQY0G4PqZpI/AAAAAAAAASs/dbZoVLGFFQ8/s72-c/aguia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-3350155393025895778</id><published>2010-11-30T18:51:00.000Z</published><updated>2010-11-30T18:54:18.339Z</updated><title type='text'>As duas panelas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TPVIUBEbD1I/AAAAAAAAASk/VfrU6y39URI/s1600/panela%2Bde%2Bferro.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 219px; height: 170px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TPVIUBEbD1I/AAAAAAAAASk/VfrU6y39URI/s400/panela%2Bde%2Bferro.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545418024898203474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas panelas, uma de ferro e outra de barro, por proximidade de funções, tomaram-se de amizade. Um dia, num dos passeios que frequentemente davam juntas, chegaram a um terreno pedregoso. Para atalharem caminho propôs a panela de ferro que o atravessassem, que já o sol ia alto. Temeu-se do agreste do sítio a panela de barro. Objectou que seria melhor chegar um pouco mais tarde e não se arriscarem por tão perigoso local. Consciente da sua robustez disse a panela de ferro que nenhum risco adviria daquelas pedras inertes do caminho. &lt;br /&gt; - Pois, para ti não há perigo que és de ferro, mas eu, que sou de barro, se escorrego e embato contra qualquer daquelas esquinas aceradas, despedaço-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não despedaças nada porque te vais amparar em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito e feito. Apoiando-se na panela de ferro lá se aventurou a entrar naquele terreno perigoso. Alguns passos dados a nossa frágil panela tropeça. Para não cair procura o amparo da sua amiga. Pressurosa, esta, apressa-se a dar o seu arrimo. Nesse momento, porém, ao apoiar-se na panela de mais forte material a pancada da junção fez estilhaçar a pobre panela de barro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta história, lida algures num livro da instrução primária, retirava-se a lição de “cada qual com seu igual”, o que estava muito de acordo com a moral dos tempos. Se a ressuscito agora, é porque, com um enfoque diferente e mais alargado, ao observar o comportamento do nosso país na União Europeia, a imagem parece ganhar forças e adequar-se aos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudei, de um ponto de vista meramente pessoal, a entrada na Comunidade Europeia e, posteriormente, a adesão à zona Euro. Nesse tempo, mercê de actividades profissionais, deslocava-me com frequência ao estrangeiro e a passagem de fronteiras e o câmbio de moedas eram um verdadeiro aborrecimento e perda de tempo. Por isso me entreguei de corpo e alma à ideia de união. Devo porém confessar que de tempos a tempos, incómoda, me passava pela cabeça a história das duas panelas. A perda das pescas, da agricultura, o encaminhamento para um mercado pouco qualificado de prestação de serviços e a subida de preços causada pela introdução do euro foram campainhas de alarme a soar no meu espírito. Mas eu não as queria ouvir. Encandeado com as facilidades pessoais achava incómodo e retrógrado os chamamento de alerta que alguns – poucos – iam fazendo. Pensava mesmo que eram uns chatos. Não queriam evoluir e agarravam-se a modos passados de vida. Como a crise veio agora demonstrar eu é que estava enganado. Passado o tempo da sedução a realidade acorreu, brutal, reclamar o seu pagamento. Olhámo-nos e vimo-nos mais pobres, de soberania diminuída e sem possibilidade de influenciar as grandes nações que decidiram criar uma Europa só para elas ou, pelo menos, onde elas dominem todas as outras. Descalços e rotos, de chapéu na mão, rogamos à porta da festa nos dêem uma côdeas para não perecermos de fome. Mas, como não gostamos desta imagem, abolimos os espelhos e recobrimo-nos com os breves ouropéis que o crédito, durante algum tempo, permitiu. De resto, caminhamos, alegremente, para o abismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheceu o FMI serem comuns as causas das crises de 1929 e da actual. A ausência de uma redistribuição equitativa, como causa de acumulação desmesurada num dos extremos da escala social e a concomitante falta de liquidez da maior parte, leva as populações a um endividamento excessivo, causador de desequilíbrios económicos e graves problemas sociais. Ainda bem que o FMI descobriu agora o que já todos sabíamos há muito tempo. O que me espanta é que tendo revelado esta verdade não tenha mudado em nada a sua actuação e continue, com os seus programas, a alimentar e libertar – de forma aparentemente suicidária - o monstro que descobriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquisito, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-3350155393025895778?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/3350155393025895778/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=3350155393025895778&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3350155393025895778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3350155393025895778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/11/as-duas-panelas.html' title='As duas panelas'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TPVIUBEbD1I/AAAAAAAAASk/VfrU6y39URI/s72-c/panela%2Bde%2Bferro.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-562635529418654864</id><published>2010-11-17T22:04:00.001Z</published><updated>2010-11-17T22:06:22.187Z</updated><title type='text'>O Pensamento Selvagem</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TORRtD22r5I/AAAAAAAAASc/zDB3Sijmd64/s1600/xam%25C3%25A3.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 195px; height: 258px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TORRtD22r5I/AAAAAAAAASc/zDB3Sijmd64/s400/xam%25C3%25A3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5540643276143898514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em interpretação bastante livre atribui-se ao  pensamento selvagem uma abordagem mítica da realidade, a explicação do actual por um anterior dourado, a função mágica da palavra. Mais sucintamente dizer ou desejar poderia ser o suficiente para fazer acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordaram-me estas antigas noções da Antropologia Estruturalista as palavras, ouvidas ainda na cama, ao acordar, de uma intervenção do Presidente Cavaco. Na sua rara eloquência e finamente recortada oratória, com a riqueza de imagens e a criatividade que o caracterizam mais ao seu discurso, dizia ele, de modo enfático, que como forma pessoal de combate à crise iria deixar de utilizar tal palavra nos seus discursos. Passaria, portanto, a referir-se a ela de forma enviesada como “os tempos”. Não me parece que os media tenham dado grande atenção a esta possibilidade de ultrapassagem do mal pela recusa da sua nomeação. Fizeram, portanto, mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fizeram-no quando não perceberam que na incapacidade de diligenciar qualquer coisa de útil para aliviar-nos da dureza da existência, este homem reconhecidamente carinhoso, culto, livre-pensador e de discurso fluente como ribeiro primaveril, elaborou um estrénuo esforço para, magicamente, debelar a dor que nos rodeia. Espírito compassivo, farto de avisar, em vão, os políticos – que ele jura não é, não foi, nem será – para os perigosos caminhos que cegamente vão percorrendo, investido de uma força metafísica proveniente do sacro lugar que ocupa (mais por vontade de entidades sagradas que do votos expressos pelos cidadãos) lança, tonitruante, a sua voz, de preclaro poder emanado de altíssima fonte, como exorcismo capaz de modificar a mais abstrusa realidade. A partir deste momento, a crise deixará de existir. Ao ser solenemente abolida do discurso, por um desejo mais forte que o comum, não teve ela outra escolha que dissolver a sua consabida materialidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este xamã dos novos “tempos”, descobriu, por mero acaso, as suas capacidades mágicas ao entrar em campanha para assegurar por mais cinco anos o seu sacro sacerdócio, a possibilidade de estender a sua bondosa vontade sobre o desditoso povo acima do qual paira e para o qual, nos anos anteriores, nada tinha a dizer, a fazer, ou nunca era o local apropriado para o Presidente se pronunciar fosse lá pelo que fosse. Descobriu portanto, agora a força da palavra. Se antes só se manifestava com veemência quando as coisas o tocavam pessoalmente – ver estatuto dos Açores ou a comédia das escutas – sabe agora que basta fazer os ritos purificantes, conduzir com unção a liturgia e o anátema ou a glorificação  nascerão da sua vontade consubstanciada em miraculosas palavras que, de supetão, mudarão só por si, a face visível das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há gente assim, com estranhos e maravilhosos poderes! Basta que um lugar - nunca desejado e sempre imposto pelo dever - surja na hierarquia do Estado para que eles surjam com seus poderes encantatórios capazes de, em passe mágico resolverem, de uma só penada, todos os problemas que não só não conseguiram resolver durante todo um mandato com, muitas vezes, foram as causas eficientes para o seu aparecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, onde o verdadeiro  poder do seu pensamento mágico melhor refulge é na certeza que se vai subtilmente instilando de que teremos de aguentar o personagem por mais cinco anos. Isto sim, é pensamento selvagem, é rito, é mito, é a evidência de que continuaremos na nossa triste senda de incapacidade de desenvolvimento e renovação, trocando a árdua tarefa da modernização e democratização dos espíritos e da sociedade por uma qualquer retórica, analógica ou de contiguidade, instituída em actuante feitiçaria resolvente de todos os problemas que afrontam o nosso bom povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Votem de novo no homem, votem! E depois queixem-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-562635529418654864?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/562635529418654864/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=562635529418654864&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/562635529418654864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/562635529418654864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/11/o-pensamento-selvagem.html' title='O Pensamento Selvagem'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TORRtD22r5I/AAAAAAAAASc/zDB3Sijmd64/s72-c/xam%25C3%25A3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2045369384342771011</id><published>2010-11-05T00:03:00.001Z</published><updated>2010-11-05T00:05:34.000Z</updated><title type='text'>Vejam só esta tremenda coragem</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TNNKPI6BEsI/AAAAAAAAASU/AfL64pC2CfY/s1600/fmi.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 234px; height: 215px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TNNKPI6BEsI/AAAAAAAAASU/AfL64pC2CfY/s400/fmi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5535849990917788354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto! Descansai corações o orçamento vai ser viabilizado. Exultai, pois portugueses, que os mercados, tendo em conta o consenso conseguido, irão atender as vossas piedosas preces e prescindirão do suave lucro a que se julgam com indubitável direito. Tudo isto porque o governo teve a formidável coragem de nos espoliar e o PSD, fazendo que tomava amargo e obrigatório remédio, de careta afivelada, pedindo desculpa aos seus maiores, num outro tipo de coragem, se irá abster, deixando assim seguir um orçamento de que ninguém parece gostar, mas a quem ninguém se ousa eximir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta coragem envergonha-me não só perante a minha evidente cobardia, como ante a impossibilidade de perceber a propalada inexistência de alternativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, muito dificilmente eu conseguiria ser, como eles, um Robin Hood ao contrário. Falta-me o necessário valor pessoal - ou desfaçatez - para roubar os pobres para dar aos ricos. Compreendam! É uma falha de carácter que assumo. Nada posso fazer para a modificar e tenho de me habituar a viver com este peso na consciência. Nem mesmo o estrénuo exemplo do nosso primeiro, de tão aprimorado amor à verdade, consegue motivar-me para tão nobre cruzada. Sim, eu também li Giddens! Também eu tentei perceber a possibilidade de novas linhas de actuação sociopolítica. Só não entendo como, a partir dessas ideias, viemos parar neste absurdo onde as palavras mudam de sentido e o que se afirma é, por norma, o contrário do que se faz ou manda fazer. Esforço-me por compreender como é que um partido socialista, conservando algo do discurso de origem, se torna tão servil a teses neoliberais, produzindo um efeito perturbador de pessoas e conceitos, transformando em insegurança e descrédito o dia-a-dia dos cidadãos, turvando as convicções, tornando o mundo ilegível, transformando-o numa coisa, por desconhecida, ameaçadora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto começou, já referimos, com as generosas tentativas de Anthony Giddens de tentar uma via que não sendo o feroz neoliberalismo de Thatcher e Reagan, aproveitasse dele as ideias de liberdade e mercado o qual, com alguma regulação, deixaria sobreviver o mais importante do estado social. Se a tentativa foi generosa os efeitos deixaram muito a desejar: Clintton viu fugir-lhe o serviço nacional de saúde, uma das mais importantes bases da sua campanha; Guterres, em hora de lucidez, ao ver a que pântano tal casamento ideológico conduzia, desertou; Tony Blair caiu na guerra do Iraque, ao lado de Bush. Todos, de uma forma ou outra, acabaram dominados pelas lógicas dos mercados financeiros, pela coacção das deslocalizações, pelo menosprezo das gentes. Claro que num estado inicial eles interessaram ás forças movimentadoras dos capitais e do mundo. Aliás, em Portugal, o Partido Socialista sempre foi utilizado como arma para infiltração do inimigo no forte. A firme coerência dos mandantes mostra-nos que uma vez penetrado o reduto, por desnecessário, dispensam o servidor e procuram alguém que vista, sem rebuços, a sua cor. Eles, que leram a Bíblia, sabem que ninguém serve bem a dois senhores e lembram-se disso no momento exacto. Por cá, após o interregno tragicómico do desgoverno de Santana Lopes, lá veio Sócrates, menos informado e mais confuso, agarrar, a destempo, com os brilhantes resultados que se conhecem, o facho da terceira via. Presumo que, por mau entendimento e grande pendor tecnológico, numa analogia com os jogos de vídeo, pensou tratar-se da terceira vida. Daí a possível confusão que o leva a vangloriar-se despudoradamente da tremenda coragem necessária para coligir o triste esbulhamento que propôs à Assembleia. Dou comigo encanitado e retorcido a apelidar o governante de epítetos que nem a mãezinha, nem o padrinho, alguma vez pensaram chamar-lhe. É que acho enorme desplante e muito mau gosto vir alguém gabar-se por bater nos mais fracos. Penso mesmo que tal feito é apanágio de personalidade com baixa estrutura moral por quem só podemos sentir a máxima desconsideração. Faz-me lembrar aquele tipo que, numa roda de amigos, modestamente se gabava por ter dado uma valente surra num matulão muito maior e mais forte que ele. Ainda gozava da sua pequena glória quando um dos convivas perguntou: Mas esse tipo não é cego?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esta pergunta inconveniente deitou por terra o mito da coragem do contador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo corajoso, de seu nome Passos Coelho caracteriza-se pelo heroísmo da responsabilidade. Tal significa para ele viabilizar o orçamento mas, para que não haja dúvidas, fazê-lo em claro repúdio pelo conteúdo daquilo que se obriga a aprovar. Sensibilizado por tão denodado sacrifício o povão vai em massa transferir o seu voto do malandro do esportulador para este novo actor de discurso tão amigo. Desenganem-se porém crédulos votantes de todos os candidatos errados. Descodifiquem-lhe o discurso e verão, por detrás da ambiguidade das palavras, que, na essência, ele defende o mesmo apertar de cinto que o governo. Apenas queria que tivesse começado antes e fosse mais fundo. Porque quando Passos Coelho se refere a cortar na despesa, não estará, porventura, a pensar na mesma despesa que nós. Para ele os cortes serão nas comparticipações patronais para a Segurança Social, debilitando-a por esta via, logrando assim a sua rápida decadência e substituição por seguradoras, apenas interessadas em utilizar o dinheiro dos pagantes para especulações financeiras, atendendo apenas aos seus lucros pessoais; quando fala em cortar despesas está a pensar em diminuir as verbas destinadas à educação, canalizando para escolas particulares - onde só terá lugar quem for pagante activo - todo o dinheiro que puder desviar do ensino público, condenando-o ao insucesso e à insignificância; visa ainda reduzir os postos de trabalho e vencimentos na função pública, cortar nas reformas, abrindo o caminho para que o desemprego resultante force as gentes do trabalho a vender a sua força por menor preço, aumentando o lucro do capital financeiro e reduzindo ao máximo, por anemia do Estado, a redistribuição de bens e valores pecuniários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o intuito salvador de Passos Coelho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, alegrai-vos corações que o orçamento vai ser votado e passará para execução, esperando estes nossos corajosos que os mercados, sensibilizados por tão baixo seguidismo, se condoam destas boas almas e deixem de especular com o valor dos empréstimos. Tanta ingenuidade põe-me parvo o espírito. A verdade foi reposta logo no dia da discussão do orçamento na generalidade. Aumentaram novamente os juros. E aumentaram ainda no dia a seguir atingindo de novo quase o nível máximo em que se tinham situado. Aumentarão ainda mais até atingirem os 7% indicados pelo ministro das finanças como limite para recurso ao FMI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, numa entrevista dada pelo Primeiro-ministro à TVI, perguntado sobre a possibilidade de apelo aos bons serviços dessa instituição, com veemência e coragem, desautorizando mais uma vez o seu ministro, garantiu que nunca o FMI entraria em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecendo o valor das suas palavras já mandei limpar o fato com que irei ao aeroporto esperar a delegação que, por esta altura, já estará, certamente, a preparar as malas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2045369384342771011?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2045369384342771011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2045369384342771011&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2045369384342771011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2045369384342771011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/11/vejam-so-esta-tremenda-coragem.html' title='Vejam só esta tremenda coragem'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TNNKPI6BEsI/AAAAAAAAASU/AfL64pC2CfY/s72-c/fmi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-4488274216588943868</id><published>2010-10-20T17:46:00.002Z</published><updated>2010-10-20T17:59:18.657Z</updated><title type='text'>Tramadex, S.A.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TL8rZA2PnjI/AAAAAAAAASM/iQzynM4BfMc/s1600/cassandra.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 190px; height: 265px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TL8rZA2PnjI/AAAAAAAAASM/iQzynM4BfMc/s400/cassandra.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5530186576158498354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que tive a sensação de que estávamos a ficar “lixados” foi quando, no fim dos anos oitenta, integrando uma comitiva de dirigentes de empresas, visitei um centro de formação ligado às indústrias metalúrgicas. Trabalhava então numa grande empresa de Obras Públicas que mantinha um amplo sector de apoio metalomecânico numa imensa nave, onde o ruído de ferro contra ferro, guinchos de fresadoras e tornos, em conjunto com a movimentação de gentes ou máquinas, em ambiente escuro e polvorento, causavam sensíveis perturbações psicossomáticas a quem quer que ali se demorasse. Era o reino do fato de macaco azul, da multidão, da rudeza. Dos variados acidentes causados pela perturbação reinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despertou a minha curiosidade, na visita, uma sala de bom tamanho, francamente iluminada pelas amplas janelas por onde o Sol jorrava sem entraves, onde duas filas de dez máquinas cada – de um lado tornos, do outro fresas - trabalhavam sozinhas, comandadas por dois jovens operadores, de imaculadas batas brancas, que digitavam descontraidamente números em dois computadores situados no início de cada uma das cadeias. Disse-nos o anfitrião que ali estava o futuro. Para além da supressão de mão-de-obra, estávamos perante uma forma de trabalho que não cometia erros de apreciação, que para além de produzir peças à medida e completamente idênticas, ainda calculava o melhor aproveitamento dos materiais. Como disse, percebi então, pela primeira vez, como o radioso futuro se preparava para nos tramar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali saído, em cuidadoso relatório, chamava a atenção para o facto de não podermos deixar de nos actualizarmos e de como era urgente formar os trabalhadores especializados em semelhantes aparelhos para novos modos de produção. Além disso, do ponto de vista das pessoas, seria necessário determinar atempadamente o destino a dar aos trabalhadores restantes. Escusado será dizer que as minhas preocupações, tanto técnicas como sociais, caíram em saco roto. Por isso e outras mais coisas, a empresa foi deixando de ser grande e, como Nova no firmamento, explodiu gloriosamente extinguindo-se sem remédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meio dos anos noventa levou-me o destino e a profissão para a China e Macau. A firma lusitana tinha sociedades com várias empresas chinesas, uma delas situada na região de Cantão. Num tempo morto de uma das minhas deslocações passeava-me pela zona comercial de uma, para os chineses, pequena cidade dessa região, quando vi um belo fato de bombazina verde que me cantou aos olhos. Entro na loja e por quinze contos comprei o fato completo, inclusive com um colete que nunca vesti. Passados uns dois meses, numa das viagens regulares que fazia à Sede da empresa em Lisboa, andando na Baixa, vi numa montra um casaco semelhante ao do fato que comprara. Curioso perguntei o preço. Quarenta e cinco contos! Só o casaco, retorqui. Sim, só o casaco! Pela segunda vez percebi o quanto estávamos tramados, com um futuro muitíssimo complicado a aproximar-se à revelia das nossas preocupações. Desta vez, porém, não disse nada a ninguém, porque de cassandrices já me chegava. Mas sabia, de fonte segura, que o patau nos cairia em cima sem delongas ou benevolências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta gente que nos governa nunca quis, conseguiu ou pretendeu ver, ouvir ou perceber o que o mundo nos guardava. Provavelmente distraídos, certamente preocupados com o seu futuro próprio descuraram o que havia para fazer. Ao trabalho que lhes competia pelos cargos que exercem e a que por vontade própria concorreram, preferiram os faustos de uma emergência social aparente, sustentada sobre quase nada, não se importando com o que aos outros acontecesse desde que eles ficassem ou parecesse que ficavam bem. Por isso fomos apanhados sem defesa pelas crises que se amontoam e soam como trombetas de mudanças próximas, provavelmente cataclísmicas. Somo um povo manso até à inércia mas os rompantes violentos não nos são desconhecidos. Apenas vamos enchendo calados até ao desgarrado grito que já nada tem de racional, antes sendo vaga que arrasa tudo sem discernimento. Com as opressoras medidas que estão a ser tomadas, na crueldade de quem não pensa nos dramas que tais decisões comportam, quem se admira que por aqui, breve, rebentem inauditas violências nascidas no remorder de injustiças e danos causados por desprendidos mandadores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero de novo ser Cassandra, mas lá que os ventos sensivelmente se acumulam não tenho dúvidas. Que quem os pode amainar se precate e aplaque a prepotente pressão, porque os tempos ao tempo seguirão e desta vez pode ser que a antiquíssima prece sejam mudada e as gentes digam: Pai, nunca tu, nem ninguém, os ouse perdoar, porque eles sabem muito bem o que fazem! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-4488274216588943868?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/4488274216588943868/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=4488274216588943868&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4488274216588943868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4488274216588943868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/10/tramadex-sa.html' title='Tramadex, S.A.'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TL8rZA2PnjI/AAAAAAAAASM/iQzynM4BfMc/s72-c/cassandra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8926584657888258601</id><published>2010-10-12T15:03:00.001Z</published><updated>2010-10-12T15:04:59.429Z</updated><title type='text'>Que título darei a isto?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TLR5DDxvdiI/AAAAAAAAASE/DncrZLxgv54/s1600/rio.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TLR5DDxvdiI/AAAAAAAAASE/DncrZLxgv54/s400/rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5527175736150947362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento-me ao correr dos ventos que fazem a tremulina dos rios e desespero com a ausência de angústia. Deveria, neste momento em que o devaneio se perde pelas áleas da escrita, arrepelar cabelos, dar pancadas no peito e, de olhos postos nos céus, desgarrar em grito desesperado: o que vai ser de nós?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oiço os nossos maiores, em funda preocupação interrogarem os tempos, tecerem rotas e caminhos por onde alguma segurança se insinue e recordo os olhares receosos, ou desesperados, de quem embate em inultrapassável parede. Acresce-me a culpa de já não conseguir preocupar-me com as suas preocupações. Contra minha vontade sinto-me distanciado, alheio, apenas me assolando os lábios do espírito um friso de indiferença traduzido num descabelado: e depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a graça da religiosidade me enfeitasse poderia justificar o meu estado de alma com o ensinamento bíblico de que não deve o homem preocupar-se excessivamente com as coisas terrenas porque nem uma pena cai de uma ave, nem um cabelo de qualquer cabeça, sem que tais acontecimentos não tenham sido previstos e queridos pelo senhor dos céus. Mas não tenho essa desculpa e não descubro como encarar os acontecimentos com o devido estado de preocupação e seriedade com que os mesmos deverão ser enfrentados. Sinto-me, por isso, quase como um pária ou, querendo ser mais simpático para mim, como um monge budista olhando o tremular dos rios deixando a corrente levar os pensamentos até à extrema intensidade do alheamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que me sinto. É assim que me contemplo. É assim que estou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no entanto, sexta-feira, dia 15, já tão depois de depois de amanhã, o governo entregará na Assembleia da República o Orçamento Geral do Estado no qual, dizem, repousa o perigo de mil caixas de Pandora. Da sua aprovação, parece, dependerão o Sol e a Chuva, o Outono e o Verão, a felicidade ou o estéril tempo da derrota. Com ele, diz-se, continuará o tempo com os sobressaltos que lhe cabe; sem ele a derrocada final de um indescritível Armagedão tombará, insano, sobre as nossas culpadas cabeças. Entre o descrédito e o arrependimento serão os homens colocados e julgados. Enquanto o terror se insinua no verbo dos arautos eu, estranhamente, continuo discreto e indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo a terrível ameaça da chegada do Fundo Monetário Internacional (FMI) me acabrunha. Estou insensível, talvez indiferente, certamente anestesiado. Tal catatonismo invadiu-me por excesso de preocupação. No início da crise procurei, por todos os meios compreende-la, dominá-la, ultrapassá-la e, piamente acreditei que do grande fragor alguma coisa de novo aprenderia a humanidade. Porém, quanto mais se agravavam os actos mais eu via que se agraciavam os culpados e se castigavam as vítimas. Percebi que por misteriosos jogos de espelhos as imagens chegavam virtuais, invertidas, transmutadas. Aos industriais que arruinavam os seus países, por deslocalizações gananciosas das suas indústrias e investimentos para zonas onde a exploração da miséria lhe garantissem maiores ganhos, eram entregues os poderes para resolverem, a favor dos povos, estas movimentações. Eles arreganhavam a taxa e serviam-se destes favores, desculpando-se com hipócritas contrições, para incrementarem o fluxo dos seus roubos da prosperidade dos outros, espalhando miséria ao engordarem enormemente os seus cabedais. Embriagaram, na mentira do podes ter tudo assim o crédito de alumie, os incautos pagantes os quais, agora, por mais que queiram, sem depósitos nem emprego, não têm, não pagam, não podem, mas conservam as obrigações e, perante os financeiros, ficam com a cerviz mais dobrada que o habitual. Para garantir o fluxo financeiro os governos retiraram o que ao povo ainda restava e entregaram aos génios das finanças para que eles pudessem continuar, sem qualquer emenda, antes mais forte e intencional, o jogo especulativo em que poucos enriquecem fazendo os muito cada vez mais pobres e carregando-os, cada vez mais, de miséria e complexos de culpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se assim vai o mundo, pior vai o país. Pequeno e devedor tem, na maioria da sua classe política, um grupo de predadores somente preocupados que o seu prato de lentilhas seja abundante e suculento, ainda que para isso fiquem os pratos dos outros encardidos de míngua. Entregaram, venderam, puseram à disposição dos seus patrões o tudo desta Nação esperando a migalha tombada da mesa dos senhores. Dizem agora aterrados, que sem eles o mundo desabará, o Sol não percorrerá a sua rotas e, continuando a parafrasear Brecht, o trigo não saberia como crescer. Outros, com o mesmo fito, mas contrários nos seus interesses dizem o mesmo acrescentando, no entanto, que só eles poderão levar a nau a bom porto; que aqueles que estão no poder são incapazes e irresolutos, que só eles, usando e abusando das mesmas medidas, serão capazes do bom conseguimento das coisas. Ambos ameaçam o caos se os não apoiarmos e, papão dos papões, virão os estrangeiros decidir o caminho do País. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morre-se de ridículo nas praias de Portugal. Como se não fossem já os estrangeiros a decidir do nosso destino. Como se as medidas preconizadas não fossem já decididas por estranhos. Como se eles não fossem os intermediários dos países poderosos da Europa pouco comunitária. Vivendo na ficção do seu poder querem-nos cúmplices da sua manutenção ou conquista. Capatazes de forças que não dominam babujam os restos e pensam-se convidados para o banquete. Só por trágico não dá vontade de rir. Que diferença faz para nós ser o Governo, o FMI ou a Oposição a aplicarem garrotes aos feridos, se a técnica, intenção e resultados são os mesmos? Passando o orçamento a nossa vida melhora? Com as medidas que preconiza certamente não e, não será forte adivinhação preconizar que virá ainda a ser pior. Então que nos importa quem ministra o veneno? Deixem-nos com as suas guerras de alecrim e manjerona e percebamos, finalmente, que neste paradigma não há lugar para o bem público. Que se esganem as feras entre si. Deixemos olimpicamente que se destrocem pelo osso que lhes é atirado e pensemos seriamente naquilo que verdadeiramente interessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que, no momento me sento ao correr dos ventos que fazem a tremulina dos rios e nem sequer já desespero com a ausência de angústia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8926584657888258601?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8926584657888258601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8926584657888258601&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8926584657888258601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8926584657888258601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/10/que-titulo-darei-isto.html' title='Que título darei a isto?'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TLR5DDxvdiI/AAAAAAAAASE/DncrZLxgv54/s72-c/rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-6235924660564263000</id><published>2010-10-01T17:46:00.001Z</published><updated>2010-10-01T17:47:55.346Z</updated><title type='text'>Parabéns! Estamos 20 % mais pobres.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TKYeuOc86jI/AAAAAAAAAR8/aXPwPKDK2So/s1600/pobreza%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 359px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TKYeuOc86jI/AAAAAAAAAR8/aXPwPKDK2So/s400/pobreza%5B1%5D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523135772518836786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez mais o inefável engenheiro veio dar mostras públicas do infinito amor com que brinda os seus concidadãos. Pensam que ele escolheu o caminho fácil de criar postos de trabalho, melhorar o nível de vida, de saúde ou de educação cá do pessoal? Claro que não! Isso seria um percurso demasiado acessível ao estrénuo respeito e amor que o seu coração (agora, vejam bem, apertado por tais medidas) recusaria percorrer. Sim, porque ele, no seu infinito saber, vê mais longe que nós e percebe aquilo que nem nos passa pela cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dos seus cursos de domingo aprendeu, para felicidade de todos nós, que nada vale ao homem conquistar toda a glória do mundo se perder a sua alma. Espírito nobre e desafecto das coisas do mundo, tremeu, na sua imaginação, ao vislumbrar a sofrida eternidade deste povo pouco esclarecido e tão entretido com pequeníssimas preocupações terrenas tais como arranjar trabalho, garantir-se a si e aos seus as refeições diárias, pagar contas de serviços, enfim, mesquinhamente, sem olhos de grandeza futura, apenas sobreviver. Decidido a garantir-nos no advir um lugar na eternidade do Senhor, bem postados à sua direita, matutou sobre os pecados cardiais e sobre as virtudes teologais e, tal Santo Agostinho converso, resolveu sacrificar-se por nós todos, apontando medidas de bom e útil sofrimento, para escarmento da alma, pois é bem sabido que é mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha, que um rico entrar no Reino do Céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tanto, com o imo em sangue, mas fortalecido, pela graça do Senhor e pela bondade das suas intenções, informou o povo, de alguns sacrifícios, pequeníssimos tendo em conta o antevisto benefício, a que iria ser sujeito com vista à salvação da sua alma de molde a podermos, todos sem rebuço, comungar da felicidade eterna prometida a todos os deserdados e pobres de espírito. Assim, decidiu, amorosamente, empobrecer-nos cerca de vinte por cento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alto aí, dizem-me alguns espíritos despertos. O santo só disse que iria cortar uma média de 5 por cento no vencimento dos funcionários públicos. E, acrescentam, toda a gente sabe que eles são uns sibaritas e uns fariseus. Não, esclareço eu, o que ele não quis foi assustar-nos com a verdadeira dimensão do sacrifício. Como sabem ele tem um íntimo solidário e generoso e sabe bem como os vulgares mortais estão agarrados aos bens materiais. Por isso decidiu, com suprema inteligência e bondade, pôr-nos o comprimido disfarçado no doce para que o tomemos sem refilar com o seu amargor. Preocupação de pai amantíssimo, acrescento, que sabe que o filho tem de tomar o remédio amargo para a sua salvação, mas tudo faz para que o ordálio lhe seja mais leve. Abençoado seja!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, ingénuos como sabe que somos, serviu-nos, para nosso alívio, as fezes em pequenos tragos sumativos. Acompanhem-me, por favor, neste raciocínio que poderá abrir-vos os olhos para a grandeza espiritual do nosso líder sagrado. Distribuindo parcelas por PECS e por medidas orçamentais informou-nos, com inusitada benevolência, de que iríamos ser aliviados, através do IVA de três por cento do nosso pecúlio. Acrescentando os cinco por cento – em média – de corte de salários (sei que é na função pública mas tenho fortes esperanças que o sector privado, a bem da temperança, não deixe de seguir tão nobre gesto) o que perfaz oito por cento. O aumento de desconto para a segurança social será de uns míseros um por cento e lá ficamos com um resultado de nove por cento. Considerando que, pelo menos durante quatro anos o distinto cavalheiro nos irá aliviar do pesado fardo dos aumentos e podendo considerar uma inflação média no total de oito por cento, calculamos que os dezassete por cento seja um número plausível. Os restantes três por cento? Penso que serão pouco para fazer face ao aumento de IRS pelo corte nas deduções, pelo custo dos cortes em educação, actos médicos e medicamentos. Lá temos os nossos vinte por cento de sacrifícios que, tendo em conta que a Igreja só pedia a dízima, é o dobro do que o Senhor exigia. Têm pois alguma dúvida que pagando mais o nosso sacrifício não será garantia de um melhor lugar no paraíso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso eu agradeço ao senhor engenheiro e ao senhor doutor das finanças o favor que me fazem e exulto por saber que estou a garantir, por um preço tão baixo, a eterna felicidade. Tenho é muita pena dos ricos que escapem a estas medidas porque eles viverão no sofrimento e na danação eterna. Espero apenas que o Senhor e o senhor engenheiro lhes iluminem os dias e façam o milagre de garantir o nascimento, todos os dias, de legiões de pobres em que eles possam exercer a sua caridade proporcionado-lhes o seguro viático para mansão celeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despropósito! Apetece-me ouvir a Canção de Madrugar do Hugo Maia de Loureiro. Vão ao YouTube e onde se canta amor ponha-se liberdade, justiça ou equidade e perceberão o que o Ary queria dizer e o que estamos a precisar nesta era de tamanha religiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-6235924660564263000?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/6235924660564263000/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=6235924660564263000&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6235924660564263000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6235924660564263000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/10/parabens-estamos-20-mais-pobres.html' title='Parabéns! Estamos 20 % mais pobres.'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TKYeuOc86jI/AAAAAAAAAR8/aXPwPKDK2So/s72-c/pobreza%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5724109912385008841</id><published>2010-09-21T21:13:00.001Z</published><updated>2010-09-21T21:14:55.374Z</updated><title type='text'>A Consulta</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TJkgOz6YpZI/AAAAAAAAARs/lXwWOBbp69U/s1600/consulta.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TJkgOz6YpZI/AAAAAAAAARs/lXwWOBbp69U/s400/consulta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5519478257144604050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despejou-se como um saco de vento na cadeira. A pequena mesa do café estremeceu com a violência da abordagem e aquietou-se com o último Uff!! do Belegário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou uma besta! Um ingénuo inveterado. Só mesmo eu! Parvo, parvo, parvo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então homem, que desatino é esse? Deixa de tratar mal, na minha frente, o meu amigo Belegário. Que mal te fizeste para estares assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maldito voto entregue de mão beijada àquele patranhas. Eu já sabia que o melro era assim, porque é que me deixei cair, de novo, na sua conversa mole? Merecia que me rachassem a cabeça. Mas o pior é que não sei para onde me voltar. Tu sabes que eu sempre defendi o Estado Social. É uma coisa bonita. Limpa. A gente sabe que paga mas tem a certeza que quando está à rasca, lá tem a rede de protecção a minorar o desespero das más horas. E essas, até o mais pintado as tem. Pois ando rabeado com as ideias do Passos Coelho de destruição dos apoios sociais e da entrega de todo o futuro aos privados. Nem sei como ele, com os exemplos desta crise, não cora de vergonha ao fazer tais propostas. Entregar tudo nas mãos de quem pode especular e, num ápice, reduzir a cinzas as economias de tantos cidadãos deveria merecer punição criminal. Não se diz a ninguém, com seriedade, para ir pôr o pescoço na guilhotina porque o carrasco é de confiança. Que ele tal defenda não aceito mas compreendo. É lá a ideia dele. Não vou nela mas, ao menos, ele não me engana. Se lhe der o meu voto sei ao que vou e se me acontecer algum mal, fui eu que, de certo modo o escolhi. Agora, ouvir alguém dizer, de praça em praça, contrariando o discurso do Passos Coelho,  que defende o Estado Social,  fazer continuadas juras de amor a esse Estado e a seguir proceder de modo a estrangulá-lo, por falta de vontade e meios, isso é que já não aturo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou para respirar, bebeu um gole da minha água pelo meu copo, enxugou os lábios com as costas da mão e disparou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É tal a minha ingenuidade que, tendo o meu médico de clínica geral passado à reforma, disse cá para mim: Belegário, tu descontaste toda uma vida para a Segurança Social. Nunca utilizaste o seu serviço médico. Por comodidade sempre preferiste a medicina particular; aproveita agora a reforma do teu médico assistente e vai ao posto marcar uma consulta de rotina. Simples, não é? Como eu até sou dos felizardos que têm médico de família estava convencido que eram favas contadas. Peguei no telefone e informei-me. Elementar! Disse-me o funcionário do outro lado da linha. Amanhã, entre o meio-dia e as duas da tarde, telefona para este número e marca a sua consulta. Vituperei logo ali quantos, por pura maldade, eu pensava, diziam mal dos esforços de modernização dos serviços públicos. Vejam só, tão fácil. Um simples telefonema e lá ficava garantida a minha consulta. Nada das longas filas de espera para não se conseguir nenhuma consulta apesar da permanência, das cinco às nove da manhã, em condições degradantes. Isto era o progresso. Isto sim, era bom serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, pelas treze horas, telefonei para o posto. Tenha paciência, respondeu-me a voz da impotência. Para amanhã já estão as consultas todas preenchidas. Certo! Já fui tarde. Amanhã telefono mais cedo. E telefonei, no outro dia, mesmo em cima das doze horas para um telefone que durante quarenta e cinco minutos moldou a irritante intermitência do sinal de impedido. Um quarto para a uma. O telefone, finalmente, chama. Espero cinco minutos e nada. Ninguém atende! Aguardo mais cinco minutos, o mesmo resultado. Se calhar enganei-me no número. Marco outra vez. Mais cinco minutos de espera e, por fim, uma voz cansada retira-me a esperança. A agenda está cheia. Tente amanhã. Se eu for aí pessoalmente posso marcar a consulta para outro dia qualquer? Isso é com o meu colega. Nada sei da Agenda de longo prazo. Pode ligar-me ao seu colega para me informar. Não, não posso. Tem que vir mesmo ao posto. Para quê, pergunto eu que só queria uma informação. São regras! Pronto! Enganei-me, afinal as mesmas iníquas regras ainda se mantêm. Para a Segurança Social não sou um cidadão que recebe o que por direito merece. Eles fazem o favor de me concederem o que eu paguei já, antecipadamente, com milhares de euros. Para conseguir a consulta vou ter de me humilhar e sofrer. Só depois é que, cristãmente, serei merecedor da esmola que o Estado me concede. Não! Não aceito isto. Amanhã vou ao posto e vão ter que me marcar a consulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ao posto. Identifiquei-me e disse ao que ia. Nada a fazer elucidou-me o funcionário. A agenda de longo prazo está fechada. Já tem marcações até Novembro e não aceitamos mais. O que é que eu faço? Amanhã, entre as 12 e as 14 horas telefone para este número para marcar consulta para o dia seguinte. Isso já eu estou a fazer há um ror de dias. Pois é, encolheu os ombros, cada vez temos menos médicos e mais doente. Assim as coisas não funcionam. Mas o que é que eu posso fazer para marcar a minha consulta? Já telefonei. Não consigo. Venho aqui e fico na mesma. Isto parece-me um círculo vicioso. O que é que se pode fazer mais? Nada, disse o funcionário voltando a encolher os ombros. Cada médico tem mil e seiscentos doentes, o que é que se pode fazer? Está bem, disse, posso ao menos extravasar a minha fúria fazendo uma reclamação. Não ganha nada com isso. Não é para ganhar, é só para desabafar. Porque é que não vem cá amanhã pelas oito e meia e tenta falar com o médico? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do pessoal com consulta marcada mais dez indigentes, como eu, esperavam para falar com o médico. Como outrora tinham acampado, pela madrugada, à porta do posto tomando vez para conseguir a consulta. Afinal nada tinha mudado. A modernização era aparente, a desburocratização era uma treta. Como sempre a paciência do indígena era posta à prova e só os mais perseverantes, ou necessitados, aguentavam aquele ritual punitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o que fizeste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o que é que havia de fazer. Perante tamanha impossibilidade desisti da consulta, não fiz a reclamação e vim-me embora. A propósito, conheces algum bom clínico geral a quem possa &lt;strong&gt;comprar&lt;/strong&gt; uma consulta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5724109912385008841?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5724109912385008841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5724109912385008841&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5724109912385008841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5724109912385008841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/09/consulta.html' title='A Consulta'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TJkgOz6YpZI/AAAAAAAAARs/lXwWOBbp69U/s72-c/consulta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-4034513584389954555</id><published>2010-09-07T16:00:00.001Z</published><updated>2010-09-07T16:03:43.761Z</updated><title type='text'>Oh, God! Que nojo!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TIZiROV88mI/AAAAAAAAARc/nyUXJnkB-7o/s1600/cataplana-de-marisco.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 249px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TIZiROV88mI/AAAAAAAAARc/nyUXJnkB-7o/s400/cataplana-de-marisco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514202841809220194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Vossas Excelências muito bem sabem o homem é um animal de hábitos. Quer isto dizer que vai construindo a sua vida sobre uma série de costumes, adquiridos ou transmitidos, que se colam à sua pele e, no decorrer dos tempos, passam a definir o que é “natural” e o seu contrário. Deste modo, o “outro”, o que tem hábitos distintos, é sempre um ser estranho e, por tal, muitas vezes ameaçador. É nestes julgamentos primários que repousa a génese do etnocentrismo e, quando muito ampliado, chega-se ao mais refinado racismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto uma convivência mais próxima leva-nos a ganhar compreensão pelos modos do outro e, muitas vezes, apoderamo-nos de alguns dos seus comportamentos os quais passarão a fazer parte da nossa panóplia de usos e assim integrados ganharão o estatuto de naturais. Como tudo na vida a contaminação cultural pode ter aspectos positivos e negativos. Consideram-se positivos quando enriquecem o conteúdo das nossas vidas ou representações, passam ao grupo contrário na situação inversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda esta divagação vem a propósito de um episódio de férias bem ilustrativo das contaminações culturais e da forma como as gentes as vêem e interpretam. Conto, para ilustrar, o que aconteceu no restaurante de praia onde almoço regularmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apeteceu-me naquele dia deliciar-me com uma bela cataplana algarvia. Cauteloso, porque já me escaldara várias vezes, perguntei à simpática dona do restaurante se por acaso ela punha natas na cataplana. Tranquilizou-me de imediato o seu ar, mais que de espanto, de completa incredulidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Natas na cataplana? Oh, God! Que nojo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo ali estabeleceu a genuidade da sua cozinha tradicional exaltando a qualidade do peixe e marisco utilizados – vindos do pescador – do azeite da melhor qualidade, dos tomates e cebolas provenientes de horta própria. Descansou o meu coração perante tais mostras de genuidade e antevi-me no gozo pantagruélico daquele cozinhado lento em que os ingredientes se misturam numa química de sucos deliciosos e, como elucidado fui, de grande qualidade. Para não estragar o sabor e o apetite decidi passar o tempo de espera sem tocar em aperitivos ou entradas, totalmente livre para os esperados sabores. Entretive-me a olhar o mar e aguardei por um tempo infinito que a comezaina se aprontasse. Quando o desespero já me fazia pensar se devia ou não forrar o estômago com qualquer coisita chega, triunfante, a famosa cataplana. Devo dizer que ao ser aberta os odores inebriantes se fizeram sentir de imediato transformando em verdades intransponíveis a propaganda da senhora. Mas, pecado dos pecados, sobre a rescendência e as cores brilhantes do conteúdo, uma horrível mancha amarela destruía toda a cataplana. Em cima, nadando no molho, uma imensidade de batatas fritas coroava impudicamente o meu prato de eleição. Percebendo a desilusão que se me estampava na cara, onde eloquentemente transparecia um outro Oh, God! Que nojo, atalhou a minha hospedeira antes que eu pudesse dizer qualquer coisa: É assim que os estrangeiros querem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive de fazer uso de toda a minha capacidade de análise antropológica para não dizer uma asneira das grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-4034513584389954555?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/4034513584389954555/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=4034513584389954555&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4034513584389954555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4034513584389954555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/09/oh-god-que-nojo.html' title='Oh, God! Que nojo!'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TIZiROV88mI/AAAAAAAAARc/nyUXJnkB-7o/s72-c/cataplana-de-marisco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-4055836190715321415</id><published>2010-07-06T13:13:00.003+01:00</published><updated>2010-07-06T13:19:00.151+01:00</updated><title type='text'>memórias XXIII - mensagem</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TDMe3vhUonI/AAAAAAAAARM/xi2PT-4fvvA/s1600/aguia.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 381px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TDMe3vhUonI/AAAAAAAAARM/xi2PT-4fvvA/s400/aguia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490766313692635762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;constrói um pouco da coluna&lt;br /&gt;que nos dias ergue o sol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;abraça as cordilheiras do tédio&lt;br /&gt;o prado esmaecido pela brisa do lago&lt;br /&gt;as espantosas chuvas que se oferecem&lt;br /&gt;ao chamamento das aves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobre o fio da música repousarás&lt;br /&gt;asa que destapa o sonho e enfrenta&lt;br /&gt;o vórtice do vácuo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as palavras irisdecem nos céus de estrelas em febre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;só o imaginário é virgem de magníficos sem fins&lt;br /&gt;significâncias com que a voz agradece o dia&lt;br /&gt;substância correspondendo ao sentimento das águias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo é aquilo que é sendo outra coisa&lt;br /&gt;o caminho tende à compreensão do infinito&lt;br /&gt;à inqualificável magia de viver&lt;br /&gt;como se viver&lt;br /&gt;não fosse mais que estar vivo e recomeçar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;por onde ainda iremos na frescura das manhãs&lt;br /&gt;como o vento como o barco como o barro&lt;br /&gt;donde consta o homem foi moldado&lt;br /&gt;em perfumes de inconsutil finitude&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo está em nós e se prolonga&lt;br /&gt;diferentemente em outras consciências&lt;br /&gt;tal mãos sonhando a casa por nascer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a controvérsia fio de afirmação&lt;br /&gt;traça à luz dos discursos a vela de iluminar rotas&lt;br /&gt;exacto momento de equinócio&lt;br /&gt;diáfanas relações de vento e água&lt;br /&gt;excluindo as evidentes chuvas de inverno&lt;br /&gt;emersas da zanga natural dos tempos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;numa precária espera de espaço&lt;br /&gt;a minha balança de eixo desviado&lt;br /&gt;equilibra a pequenez azul e brancamente franjada&lt;br /&gt;do repouso em todas as direcções&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não há outra escolha que o movimento&lt;br /&gt;abracemos então a dança dos fantasmas e transportemos&lt;br /&gt;o longe para o perto que por não o ser&lt;br /&gt;sempre será&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amanhã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-4055836190715321415?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/4055836190715321415/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=4055836190715321415&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4055836190715321415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4055836190715321415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/07/memorias-xxiii-mensagem.html' title='memórias XXIII - mensagem'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TDMe3vhUonI/AAAAAAAAARM/xi2PT-4fvvA/s72-c/aguia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-6498627375163752791</id><published>2010-06-18T15:44:00.001+01:00</published><updated>2010-06-18T15:46:38.537+01:00</updated><title type='text'>Como se fora uma carta ao Director</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TBuGonj-f2I/AAAAAAAAARE/JZF1NEm-7CI/s1600/surrealismo030.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 354px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TBuGonj-f2I/AAAAAAAAARE/JZF1NEm-7CI/s400/surrealismo030.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484125003626479458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quiseste, Director, dar-me um valor, ou uma preponderância, que não possuo e, na Carreira 7, Horário 14,06, presenteaste-me com o imerecido prémio de uma local noticiando a minha renúncia à Concelhia do Barreiro do Bloco de Esquerda, por discordar do apoio à candidatura de Manuel Alegre e informando que o meu casto voto seria entregue ao Dr. Fernando Nobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a importância que consignaste a este gesto, confirmo a tua notícia, sendo no entanto imperioso que esclareça que a minha posição, para as presidenciais, não é tão definitiva como pode transparecer da notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 22 de Fevereiro publicaste a minha crónica “Baralhar e dar de novo” onde tentava analisar as três possíveis candidaturas à Presidência da República. Nela, em resumo, apresentava a possibilidade de Cavaco Silva voltar a ser reeleito, a desilusão causada pelo actual posicionamento de Manuel Alegre e o sopro de esperança que, presumia, viesse a ser a candidatura independente de Fernando Nobre. Salientava também que no xadrez político a situação de Alegre se alterara e era, agora, semelhante à de Mário Soares nas eleições anteriores. Presumia, ainda, que o capital de esperança poderia vir do Presidente da AMI. Os tempos deram-me, em parte, razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente em 12 de Maio, em “Crise, Papa e Fernando Nobre”, igualmente publicada no Rostos, mostrava a minha angústia e desilusão por alguns posicionamentos de Fernando Nobre, pondo, se bem te lembras, o meu voto no mercado, em jeito de leilão, para ser entregue a quem por ele fizesse licitação maior. Até agora ninguém ofereceu nada, o que demonstra bem o valor da minha vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postas esta questões de principio voltemos à razão desta crónica. O meu desacordo com o Bloco de Esquerda é apenas conjuntural e em duas questões: candidato presidencial e Terceira Travessia. No resto, continuo indefectível apoiante e pronto para dar do meu esforço na parte possível e necessária. Esclareço também que, pelo facto de não apoiar a linha oficial nada de extraordinário me aconteceu no partido. Não só temos o direito de tendência, o exercemos e não somos perseguidos por isso, como sermos aderentes deste partido não exige de nós qualquer acefalia seguidista. Ao entregar a minha militância não entrego, conjuntamente, a inteligência e a capacidade crítica. Antes pelo contrário a minha crítica torna-se mais efectiva ao ser discutida e amplificada nas estruturas partidárias. Por isso, dentro da coerência exigida a quem quer ser sujeito das suas posições e destino, considerei, embora nada a isso me obrigasse, que seria correcto deixar o lugar que ocupava na estrutura partidária. Assim, renunciei, livremente, ao cargo, de tal não ficando com arrependimento pessoal nem com distanciação ao Partido e Camaradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no que a Fernando Nobre respeita, a local não levou em atenção a matéria desta última crónica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo do tempo fui detectando, em discursos e posições do candidato, algumas debilidades, uma ou outra ingenuidade, certa inconsistência e o chegar de companhias pouco recomendáveis. Não acreditando que, por toda a sua história de vida, seja o Dr. Fernando Nobre alguém que se deixe instrumentalizar facilmente, a verdade é que à sua volta, procurando influenciar as suas flexões, adejam aves nocturnas com o ínvio propósito de apenas coarctarem as possibilidades de eleição de Manuel Alegre. Ora, não votando em Alegre, não me agrada fazer parte de vinganças pessoais de gente rancorosa, para quem a amizade deixa de fazer sentido sempre que qualquer divergência se opõe à vontade sacrossanta do patriarca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto os tempos exigem-nos maior reflexão e grande cautela nas escolhas a fazer. Os posicionamentos de Passos Coelho – enquanto previsível futuro primeiro-ministro - se potenciados por um Presidente de similar ideologia, podem fazer perder, em pouco tempo, o que levou décadas a construir. Não tenham dúvidas de que um poder assim constituído se sentirá livre para atacar todos os direitos dos trabalhadores. Tudo o que até aqui era discursos de valorização da pessoa no trabalho, volver-se-á em prelecção sobre os custos de mão-de-obra e a necessidade de liberalizar despedimentos. Será exigido o livre arbítrio do capital sobre o trabalho, conduzindo à moderna escravatura das massas populares. Vejam bem que ainda lá não chegaram e já, com a cobertura da crise, procuram ganhar mais terreno, retirando-o às conquistas dos trabalhadores, demonstrando claramente que a luta de classes nunca terminou. Apenas, em democracia e em alta económica, se mascara e, dissimulada, esconde-se até à próxima crise que a especulação capitalista venha a provocar e queira que as vítimas, mais uma vez, paguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estando tudo isto em jogo no nosso País, vejo-me numa angustiante dúvida sobre o que fazer. Neste momento apenas sei o que não quero. Não descortinei ainda aquilo que devo fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me ajuda a esclarecer estas dúvidas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-6498627375163752791?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/6498627375163752791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=6498627375163752791&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6498627375163752791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6498627375163752791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/06/como-se-fora-uma-carta-ao-director.html' title='Como se fora uma carta ao Director'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TBuGonj-f2I/AAAAAAAAARE/JZF1NEm-7CI/s72-c/surrealismo030.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-933818497516626604</id><published>2010-06-16T12:16:00.000+01:00</published><updated>2010-06-16T12:16:13.695+01:00</updated><title type='text'>"Le Premier Bonheur du Jour" - Françoise Hardy</title><content type='html'>&lt;object style="background-image:url(http://i4.ytimg.com/vi/CrHA9gA8qpE/hqdefault.jpg)"  width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/CrHA9gA8qpE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/CrHA9gA8qpE&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1" width="425" height="344" allowScriptAccess="never" allowFullScreen="true" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-933818497516626604?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/933818497516626604/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=933818497516626604&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/933818497516626604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/933818497516626604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/06/le-premier-bonheur-du-jour-francoise.html' title='&quot;Le Premier Bonheur du Jour&quot; - Françoise Hardy'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5426570132909217588</id><published>2010-06-08T12:50:00.004+01:00</published><updated>2010-06-08T12:55:37.960+01:00</updated><title type='text'>memórias XXII - às vezes</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TA4vUkqTHUI/AAAAAAAAAQ8/OtuuFSKmFbY/s1600/fumo.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 249px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TA4vUkqTHUI/AAAAAAAAAQ8/OtuuFSKmFbY/s400/fumo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5480369827041451330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;era uma vez um barco&lt;br /&gt;uma memória de fumo&lt;br /&gt;uma criança no tempo&lt;br /&gt;do vidro das tuas portas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;navegando no teu rosto &lt;br /&gt;volto ao local da esperança&lt;br /&gt;onde o cais não foi marcado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aí dissimulo a luz&lt;br /&gt;entre os lábios alinhados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;quando o corpo nasce dia&lt;br /&gt;sempre inocente o domingo&lt;br /&gt;vem bater à minha porta&lt;br /&gt;a gargalhar profecias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;junto o fumo da memória&lt;br /&gt;volto ao local da esperança&lt;br /&gt;com um silêncio de voz&lt;br /&gt;um barco livre de Outono&lt;br /&gt;que dissimulo no cais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;na linguagem a que se acolhe&lt;br /&gt;só se cria o que não há&lt;br /&gt;não é escritor quem se escolhe&lt;br /&gt;nem o que dita a razão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas se houver uma canção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conta-se às vezes no tempo&lt;br /&gt;a memória do teu fumo&lt;br /&gt;no corpo da minha porta&lt;br /&gt;nos meus lábios alinhados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só ao domingo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cansado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5426570132909217588?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5426570132909217588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5426570132909217588&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5426570132909217588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5426570132909217588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/06/memorias-xxii-as-vezes.html' title='memórias XXII - às vezes'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TA4vUkqTHUI/AAAAAAAAAQ8/OtuuFSKmFbY/s72-c/fumo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1286358236538499445</id><published>2010-06-02T18:13:00.002+01:00</published><updated>2010-06-02T18:17:49.935+01:00</updated><title type='text'>RIM e Coração</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TAaSKI9GLaI/AAAAAAAAAQ0/eVpgwvQHivs/s1600/461olho_mundo.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TAaSKI9GLaI/AAAAAAAAAQ0/eVpgwvQHivs/s400/461olho_mundo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5478226699642875298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estejam os meus amigos descansados que só por angustiado humor o título remete para a possibilidade de um fastidioso escrito sobre a anatomia do indígena. Na verdade RIM não é mais que o acrónimo de Recessão, Insensibilidade e Miséria, (fotograma impressionante do estado a que este desgoverno conduziu o País) e coração metaforiza o meu desconforto pelo recente ataque de Israel a barcos civis, em águas internacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1 - RIM&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Todos sabemos como os nossos governantes, de há muito, criaram um país virtual apenas existente nos seus privilegiados bestuntos. Nenhum de nós, com excepção dos apaniguados que sempre vêm apenas aquilo que lhes mandam ou convém ver, conseguiu, alguma vez, descortinar as excelências de um poder centrado no desvirtuamento da verdade, no desprezo pela palavra dada ou programa estabelecido, nos volte-faces, tão rápidos, e constantes que metade do país se constipou por causa da deslocação de ar causada por essas ventoinhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de em maioria absoluta utilizar a crise geral para camuflar uma outra anterior e estrutural da nossa economia, servindo tais ardis para nada fazer, eis-nos lançados no mais desesperado PEC, com vista a resolver os grandes problemas da dívida externa, do crescimento económico e da percentagem do PIB. As medidas adoptadas, resultantes da visão de uma Europa ainda refém de decisores neoliberais e exigidas por estes com um forte puxão de orelhas a este transviado governo - com algumas veleidades Keynesianas - veio “felizmente” por as coisas no eixo. Esmaga-se mais aqueles que pouco têm, faz-se vista grossa a quem muito possui e pouco paga para o esforço geral da Nação e ala que se faz tarde. Num país em que o desemprego continua a galgar dígitos retiram-se os apoios considerados “indispensáveis” quando o número de desempregados era menor. Atira-se às cegas com o aumento do IVA quando propalam, aos setes ventos, querer aumentar as exportações; taxam-se os salários e reformas, em sede de IRS, e ficam de fora as mais-valias bolsistas, o lucro dos bancos, criando-se a ficção de que as empresas com proventos acima de um certo nível, sofrerão uma sobretaxa. É para rir ou é areia para os olhos? Não se está mesmo a ver que mesmo a maior parte da dúzia e meia de empresas que acedem a tais ganhos vão, subitamente, fazer obras, pagar dívidas no estrangeiro, etc… etc…, que não lhe permitirão manter essa margem de lucros? E se essas empresas fossem taxadas sobre o volume de negócios? Bem, isto sou eu a sugerir sabendo-se que de finanças sou como Jesus Cristo. É apenas uma ingenuidade…&lt;br /&gt;Na verdade, o que as medidas tomadas recortam – quem o diz são economistas com provas dadas - é a continuidade de um ciclo imparável de cortes para diminuir o débito, os quais provocarão mais desemprego, o que, por sua vez diminuirá o poder de compra, razão pela qual mais empresas fecharão e mais gente irá para o desemprego, acrescentando mais miséria e menos compras. Estão a ver o diabo do esquema? Pois foi aqui que o nosso governo nos meteu e nos quer à viva força, com insensibilidade política e social, conservar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho ouvido argumentar que não era possível prever esta crise, que chegou até nós por causa dos disparates de “subprime”, que somos inocentes vítimas das circunstâncias, que o futuro é incerto! Pois é! Mas quando a Europa nos destinou para criados de mesa da comunidade não aceitámos a ideia? Não recebemos o dinheiro para desmontar a frota de pesca e deixar de cultivar os campos? Não aprenderam que um dos custos da periferia é o preço dos transportes? Que o custo do transporte de mercadorias e matérias-primas está na razão inversa da distância? Que os países do Leste estão geograficamente mais bem posicionados, que dispõem de mão-de-obra mais qualificada e mais barata? Nem mesmo quando a deslocalização se iniciou foram capazes de prever onde tudo isto iria parar? Se eu não fosse tão desconfiado diria que havia apenas burrice no caso…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto Portugal não é um país arrumado. Se os sacrifícios necessários forem proporcionalmente repartidos e começarmos a pensar um poucochinho mais na colectividade e menos nas contas bancárias individuais, tudo é possível. Sem me querer armar em mais esperto que os outros, atrevo-me a produzir uns pensamentozinhos sobre as possibilidades da pátria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconhecendo sermos um país periférico na Europa, e não querendo aceitar tal coisa como um inexorável destino de habitantes do dormitório europeu, como poderíamos dar uma volta a tudo isto? Em primeiro lugar compenetremo-nos de que periferia é, na época da informação global um conceito obsoleto. Podemos ligar-nos a qualquer lado material ou imaterialmente. O importante não é a distância mas sim o modo como se transpõe. Aqui estou totalmente – parece impossível – do lado do governo em relação ao TGV, Terceira Travessia, Aeroporto e plataforma logística do Poceirão. É que sabem, nos areópagos internacionais estão em preparação novas regras sobre as zonas de dominação marítima que nos irão ser francamente favoráveis. Poderemos reformatar a nossa política de pescas e com isso conseguirmos colmatar o pescado que importamos e, coisa admirável, criar excedentes para exportação em espécie ou transformados, revitalizando pescas e indústrias. E o regadio do Alentejo prometido com o Alqueva? Também poderia, com outra política agrícola, contribuir para a alimentação e exportações. Ou não? Querem ver que estou a ser parvinho de todo? E se o TGV transportasse, rapidamente, com menores custos económicos e ambientais, os nossos bens produzidos para o centro da comunidade? Vêem o jeitão que dava a alta velocidade e a plataforma logística? Então e os produtos pesados e de longa duração, produzidos no centro, não poderiam passar por Portugal e serem remetidos para a África e Américas através dos nossos portos de Lisboa, Setúbal, Sines e Leixões? E não poderemos ser nós, em relação a estes continentes, o Centro da Europa? Então porque é que não somos? Que negligências e interesses se jogam por detrás dos panos? Eu não tenho certezas mas não me faltam desconfianças!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2 – Coração&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, portugueses, temos um dilema muito sério. A maioria de nós terá, lá para os idos do tempo, parentes árabes e judeus. Querem apostar? Esta singularidade é perturbadora e incentiva a uma séria guerra nos genes. Por este motivo sempre estive bastante interessado na resolução do problema israelo-palestino. Não me apetece nada ter uma guerra civil no corpo. Por tal se me arrepanhou, mais uma vez, o coração ao saber da investida dos militares israelitas contra barcos civis. Há muito tempo que Israel se comporta como um marginal. O capital de simpatia que recolheu com o holocausto está esgotado e cada vez mais surge a imagem de algo que não se distingue muito bem do antigo opressor. É facto de que ainda não chegaram aos campos de extermínio em massa, mas estão a tentar. Bloqueiam, matam, usam meios brutalmente desproporcionados, não cumprem nenhumas das resoluções das Nações Unidas e parecem claramente dispostos a comprometer e alienar os seus poucos aliados. Utilizam para tal uma retórica tão falível como esta de atacar em águas internacionais navios de outros países – isto é como atacar o país a que o navio pertence – matam e gritam que foram agredidos! Começa a ser demais! Que Israel se lembre, a continuar a sua política agressiva e totalitária, que pode ganhar todas as guerras que puder e quiser mas, para desaparecer, basta-lhe perder uma. A continuar assim pode não demorar muito e lá ficará, no meu coração, o meu gene judio a baloiçar-se tristemente junto ao aurículo das lamentações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1286358236538499445?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1286358236538499445/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1286358236538499445&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1286358236538499445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1286358236538499445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/06/rim-e-coracao.html' title='RIM e Coração'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/TAaSKI9GLaI/AAAAAAAAAQ0/eVpgwvQHivs/s72-c/461olho_mundo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1455760591614672023</id><published>2010-05-19T13:19:00.001+01:00</published><updated>2010-05-19T13:21:50.311+01:00</updated><title type='text'>memórias XXI - poema de leiria da tarde e de maria</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S_PX0xHQZLI/AAAAAAAAAQs/HnQZ95k1NOE/s1600/pinhal-leiria.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S_PX0xHQZLI/AAAAAAAAAQs/HnQZ95k1NOE/s400/pinhal-leiria.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5472955273722225842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a porta fechou&lt;br /&gt;as praias são só areias&lt;br /&gt;e os países naufragam nos jornais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;correr correr e nem sequer é domingo&lt;br /&gt;em que embrulho se meteu a vida&lt;br /&gt;na tarde das naus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já leiria perdeu os seus pinhais e o pintor&lt;br /&gt;em parte incerta desconhece que &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a tarde só é tarde quando dói&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a maria &lt;br /&gt;olha a vida da confeitaria&lt;br /&gt;em frente ao hospital&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ademais&lt;br /&gt;lembrem-se dos que sofrem&lt;br /&gt;aqui&lt;br /&gt;é proibido buzinar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já leiria perdeu os seus pinhais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os poentes de outono&lt;br /&gt;são das poucas coisas na minha terra&lt;br /&gt;que não têm dono&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por sua vez o tejo &lt;br /&gt;encheu-me as unhas com parte de um poema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando os lustres se acenderem&lt;br /&gt;vou agarrar-te na alma e correr pelo rossio&lt;br /&gt;depois da meia-noite&lt;br /&gt;quando as orações são bruxarias&lt;br /&gt;a instaurar a raiva dos centauros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desliga o telefone desligando a vida&lt;br /&gt;porque hoje os faquires vão ao cinema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amanhã irei à florista saber a cor&lt;br /&gt;onde os goivos habitam e&lt;br /&gt;se o poema é a difícil revelação da verdade&lt;br /&gt;não haverá janelas que me falem sobre o que faz&lt;br /&gt;um homem sozinho na cidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;evidentemente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;à tarde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1455760591614672023?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1455760591614672023/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1455760591614672023&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1455760591614672023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1455760591614672023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/05/memorias-xxi-poema-de-leiria-da-tarde-e.html' title='memórias XXI - poema de leiria da tarde e de maria'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S_PX0xHQZLI/AAAAAAAAAQs/HnQZ95k1NOE/s72-c/pinhal-leiria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-4752874996621984169</id><published>2010-05-13T12:50:00.001+01:00</published><updated>2010-05-13T12:53:02.348+01:00</updated><title type='text'>Crise, Papa e Fernando Nobre</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S-voDz0xZmI/AAAAAAAAAQk/tfl-naUGI48/s1600/robing.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 294px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S-voDz0xZmI/AAAAAAAAAQk/tfl-naUGI48/s400/robing.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5470721324520400482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, pronto, concedo! Vocês têm razão! Com os problemas da crise a baterem-nos à porta, deixando-nos meios gregos no meio desta confusão, com as ameaças às várias formas que se antevêem de diminuição real do rendimento disponível das famílias, com os desempregados a verem o subsídio a escapulir-se, o reemprego a ser coisa mirífica e a reforma cada vez mais distante e diminuta, porque carga de águas hei-de eu vir repisar teclas já tão batidas como a omnipresença e continuidade da crise, a visita do Papa ou a candidatura de Fernando Nobre à ainda distante nova presidência da república?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que querem, são madurezas de espírito de quem, dirão os menos afectos a mim e aos meus escritos, não tem maiores preocupações. Tempo de sobra sem ocupação que se veja, pretensão inaudita de Catão provinciano, pequeno moralista protegido das agruras da realidade, pronto a sonhar utopias esquecendo-se que ter jantar na mesa, todos os dias, começa a ser uma preocupação para cada vez mais portugueses. Outros ainda, navegando por diferentes águas dirão que cada um tem o que semeia, que as desigualdades são naturais e que o bem ou o mal-estar de cada um apenas dos seus esforços depende e, nestes tempos de fausto religioso, poderão mesmo acrescentar, que deus dá a cada qual aquilo que merece. Sábias palavras e refinados conceitos. Apenas falham por serem requintadas mentiras utilizadas ao longo dos tempos por todos quanto têm alguma coisa a ganhar com a miséria e submissão dos outros. São realidades recorrentes que se aliviam em tempos de fartura e se carregam nas alturas das crises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sibilas do centrão arengam preocupadas sobre o excesso da dívida, sobre o exagero dos créditos às famílias, sobre o custo dos empréstimos e, consequentemente com a absoluta necessidade de cortar despesas e aumentar produções. Andam desesperadas a tentar a quadratura do círculo sem perceberem que se movem num rectângulo que condiciona não só percepção da realidade como, a sua colocação nesse espaço, os aprisiona à consabida e limitada visão permitida por tal perspectiva. Preocupam-se com aqueles que vivem miseravelmente de parcos subsídios permitindo, por isso, aos impantes governantes arrotar as magnificências do modelo social europeu e nada dizem, ou fazem, sobres as fortunas colocadas em “offshore”, os diminutos impostos pagos pela banca, a farsa das tributações das mais-valias em bolsa que, finalmente aprovadas, se “esqueceu” de incluir entre os taxados os grandes investidores, lançando, como cortina de fumo, o imposto sobre os pequenos e muito pequenos negociantes. Enfim, isto sou eu a falar e como sabem, não me podem levar a sério porque, dizem os livros que este senhores neo-liberais consultam, tudo isto não passa de mesquinhez de espírito conduzida por uma imensa inveja social. Vá lá, não sejam egoístas, pensem como estes abencerragens têm razão e predisponham-se, mais uma vez, a pagar com a vossa fome e as vossas necessidades o bem-estar, a ganância e o desperdício de tão ilustres personagens. É que eles detêm o pleno direito a terem o que têm e a ser como são. E mesmo que oficialmente se proclamem desafectos de igrejas e religiões, eles, lá no fundo sabem e agradecem ao deus das distribuições económicas, o direito sagrado que lhes atribuiu de viverem opiparamente sobre a desgraça dos outros. É a lei natural dirão e nisto esquecerão que a lei humana é a da cultura. De que as regras culturais, fundadoras das sociedades, deveriam ser o ultrapassar do tão jacente direito natural representado no domínio do mais forte sobre o mais fraco. No fundo, em nome da civilização e dos actos urbanos querem ver repostas, a seu favor, as desigualdades que dizem não aceitar mas que são o sal da sua vida, do seu estar repimpado nas espreguiçadeiras de uma injusta distribuição de riquezas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tal, mais que risível, é extremamente ofensivo este constante atribuir de culpas, por aqueles que dirigem e dirigiram, aos pobres coitados que sempre sofreram as agruras dos descalabros por eles causados e nunca receberam benefícios nos “bons tempos” que os enriqueceram. Tal estado de coisas leva-me a remorder em solilóquio constante um “isto ainda acaba mal”. E é que vai mesmo acabar da pior maneira possível. Quando se corta no investimento, que poderia criar empregos, gastam-se milhões na recepção do senhor Ratzinger, o tal garante da pureza da fé de alguns padres pedófilos e o tenaz perseguidor e algoz dos padres que, no terceiro mundo, pregavam que sem a libertação e dignificação dos corpos não há almas que possam salvar-se. Por isso ele usa sapatos de conhecida marca e preço astronómico e trás vestido no corpo valores que dariam para alimentar, durante muito tempo, famílias inteiras. Não faz mal, é a humildade de Cristo que ele transporta nesta ostentação. Cá por mim penso que se o patrão dele for o que sobre ele consta este bom Papa já está tramado de todo. Como era mesmo aquela história dos vendilhões do templo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que dizer dos nossos governantes “absolutamente laicos”, cumpridores eméritos da constituição que separa a religião do Estado e manda tratar todas as religiões de igual modo? Pois é! Como em tudo na vida, há religiões que são mais iguais que outras. Se calhar estou a ser demasiado ríspido nas minhas apreciações. É bem possível que por milagre, ou por mais terrena influência do Papa sobre os donos do mundo, as agências de “rating” decidam minorar os seus olhares de abutres sobre o nosso país. Pode ser que os donos do capital, que deslocalizam as empresas para onde não existe protecção para os trabalhadores, conduzindo nesse passo as suas sociedades de origem à degenerescência e miséria, se comovam com a demonstração de fé do bom povo e, por obra e graça da Senhora de Fátima ou do seu filho, seja a nossa dívida resgatada, os juros baixem, a bolsa suba, a produção aumente e leve a um bom acréscimo das exportações – e pormenor sem importância, quais e para onde? – crescendo assim o emprego e, pela justa repartição do rendimento, igualdade de oportunidades e qualificações, este país consiga acertar o passo pela Europa. Mas, tremendo pensamento que me ocorre, não é Jesus Cristo, no dizer do poeta aquele que não tinha biblioteca e nada sabia de finanças? Oh! Diabo! Lembrei-me agora que no seguimento do poema também se dizia que o melhor do mundo eram as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É maravilhoso como tudo acaba por se ligar e fazer sentido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos então ficar sem o aeroporto, a ponte e com um esquisito comboio de alta velocidade que irá do Poceirão ao Caia! Coisa admirável e nunca vista! Oh! pedregulhos com dois olhinhos como conseguem tão preclaras visões! Que Keynes vos perdoe e Marx não rebente de ira enquanto Adam Smith e Freedman se riem a bandeiras despregadas de tão incoerentes personagens. Nem sequer conseguem ser inteiramente o que são, ou, talvez mais convenientemente, pretendam ser e apenas consigam, na pequenidade que os habita, as caricaturas que na verdade são e serão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! É verdade, o Fernando Nobre! Lá o vi, no meio da selecta multidão de convidados a prestar a sua homenagem a sua santidade. Fiquei tramado. Se ele também alinha com a pandilha em quem é que agora vou votar? A qualquer um que tenha conseguido ler até aqui este meu desabafo pergunto se conhecerá alguém, seja de que candidato for, que queira comprar, mesmo que a preço módico, o meu voto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que já estou naquela de: se os não podes vencer…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-4752874996621984169?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/4752874996621984169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=4752874996621984169&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4752874996621984169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4752874996621984169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/05/crise-papa-e-fernando-nobre.html' title='Crise, Papa e Fernando Nobre'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S-voDz0xZmI/AAAAAAAAAQk/tfl-naUGI48/s72-c/robing.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-4610784382409755685</id><published>2010-05-05T13:19:00.004+01:00</published><updated>2010-05-05T13:25:15.847+01:00</updated><title type='text'>memórias XX - canto para a morte de bobby sands</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S-FjO-nphsI/AAAAAAAAAQc/TrEEUhMi2mY/s1600/bobbysands.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 150px; HEIGHT: 112px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467760531583108802" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S-FjO-nphsI/AAAAAAAAAQc/TrEEUhMi2mY/s400/bobbysands.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;disseram-me mesmo agora&lt;br /&gt;aqui no café&lt;br /&gt;que hoje cinco de maio&lt;br /&gt;numa prisão da irlanda&lt;br /&gt;tu morreste&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em portugal o sol brilha intensamente&lt;br /&gt;na espuma da bica&lt;br /&gt;numa galáxia desenhada&lt;br /&gt;dobram sinos&lt;br /&gt;pela morte de um homem&lt;br /&gt;que não conheci&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no repente da memória&lt;br /&gt;relembro outras dores&lt;br /&gt;com nomes luminosos e aquáticos&lt;br /&gt;e vejo-te cálido e tranquilo perto&lt;br /&gt;de che guevara jesus cristo&lt;br /&gt;pablo neruda garcia lorca&lt;br /&gt;ou outros que morreram&lt;br /&gt;com as dores de todos os homens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje aqui e a ti&lt;br /&gt;ofereço à tua morte&lt;br /&gt;a minha alma de irmão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na sombra que te cobriu&lt;br /&gt;clamo a minha vingança&lt;br /&gt;desejo que não descanses em paz&lt;br /&gt;nem eu nem qualquer outro amante das coisas livres&lt;br /&gt;enquanto não cair&lt;br /&gt;o último dos tiranos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pouco importa que o vampiro feminino&lt;br /&gt;que a burocracia marcará com o nome&lt;br /&gt;maldito de margareth tombe&lt;br /&gt;ou continue por tempo indefinido no&lt;br /&gt;pressuposto do poder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na realidade que importância tem&lt;br /&gt;que no dia da tua morte o exército inglês&lt;br /&gt;avance sobre as pedras da tua pátria&lt;br /&gt;que importará na verdade&lt;br /&gt;que em cada hora numa qualquer&lt;br /&gt;esquina incógnito&lt;br /&gt;um outro patriota caia&lt;br /&gt;no sangue da liberdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pouco importa mesmo o passo apressado&lt;br /&gt;com que a humanidade procura&lt;br /&gt;o holocausto tu sabes bobby&lt;br /&gt;o que tiver de acontecer acontecerá&lt;br /&gt;e ninguém mesmo ninguém&lt;br /&gt;por mais exércitos ou prisões&lt;br /&gt;ou polícias que domine&lt;br /&gt;poderá impedir para sempre&lt;br /&gt;o caminho daqueles que não aceitam donos&lt;br /&gt;e procuram nas coisas&lt;br /&gt;a alma das canções&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a tua morte entoa em nós&lt;br /&gt;um hino de esperança&lt;br /&gt;sabemos de novo que continua a haver homens&lt;br /&gt;para quem a liberdade ressoa&lt;br /&gt;como o brilho das estrelas&lt;br /&gt;ou beijos em bocas&lt;br /&gt;de amantes retornados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que fazer bobby da tua memória&lt;br /&gt;que me aquece e incomoda&lt;br /&gt;como liquidar a dívida para com&lt;br /&gt;a tua morte contraída&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só o poderei fazer semeando o sol&lt;br /&gt;que hoje te foi negado&lt;br /&gt;amando em todas as mulheres a amada&lt;br /&gt;que no amanhã que não terás&lt;br /&gt;te faria pegar numa guitarra&lt;br /&gt;e imerso na sombra do luar&lt;br /&gt;fazer fluir um tão imenso canto&lt;br /&gt;que o oceano inquieto pensaria&lt;br /&gt;ter já chegado o dia&lt;br /&gt;da grande redenção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ti o morto&lt;br /&gt;neste momento levantamos obeliscos&lt;br /&gt;na emoção de cada memória&lt;br /&gt;mais não podemos fazer&lt;br /&gt;que ofertar-tos acrescidos da miséria&lt;br /&gt;das palavras que te digo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas pensa um pouco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma palavra não é só um som&lt;br /&gt;uma grafia inscritos no papel&lt;br /&gt;uma palavra&lt;br /&gt;se animada por dentro&lt;br /&gt;por um morto que não morre&lt;br /&gt;é o aço e a água&lt;br /&gt;a pedra e a cal&lt;br /&gt;onde o alimento se encontra&lt;br /&gt;e o momento acontece&lt;br /&gt;em bodas de alegria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma palavra&lt;br /&gt;inventada na saudade&lt;br /&gt;de um corpo início de viagem&lt;br /&gt;é um solene contrato&lt;br /&gt;entre o sangue e as veias o cérebro e o coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma palavra é um tributo&lt;br /&gt;onde o oiro prevalece&lt;br /&gt;sem o horripilante jogo&lt;br /&gt;das fronteiras e uma&lt;br /&gt;sentença de morte&lt;br /&gt;para quem procura&lt;br /&gt;a morte das palavras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma palavra&lt;br /&gt;é o que resta da vida&lt;br /&gt;para todo o sempre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;por isso perdoa&lt;br /&gt;por fracas as palavras&lt;br /&gt;com as quais luto contra o esquecimento&lt;br /&gt;e pretendem levantar o monumento&lt;br /&gt;em que o teu nome perdure&lt;br /&gt;e tu continues homem junto aos outros homens&lt;br /&gt;um pouco mais distante é certo&lt;br /&gt;porque prevaleces no âmago de cada um&lt;br /&gt;acendendo o facho da revolta&lt;br /&gt;para aquecer esse pedaço de vida&lt;br /&gt;sonegado&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;foi há pouco que me disseram&lt;br /&gt;que hoje cinco de maio&lt;br /&gt;numa prisão da irlanda&lt;br /&gt;à uma hora da manhã&lt;br /&gt;quando a esperança se começa&lt;br /&gt;a delinear nos lábios da alvorada&lt;br /&gt;numa noite em que a lua&lt;br /&gt;de vergonha não apareceu no céu&lt;br /&gt;subitamente bobby me foste mais irmão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por isso eu estou nesta margem&lt;br /&gt;entre a raiva e o choro&lt;br /&gt;e a minha mão nervosa&lt;br /&gt;traça o papel em signos restritos&lt;br /&gt;na inominável relação que existe&lt;br /&gt;entre o que deste e a relativa&lt;br /&gt;comodidade desta revolta&lt;br /&gt;em que me encontro instalado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por isto insisto nestas frases&lt;br /&gt;e tento o poema&lt;br /&gt;processo a chama onde possa arder&lt;br /&gt;o meu pálido reflexo&lt;br /&gt;do teu poema escrito&lt;br /&gt;com o sangue generoso que te doaram&lt;br /&gt;outros que passaram e como&lt;br /&gt;cristo neruda ché ou garcia&lt;br /&gt;sabem que neste instante&lt;br /&gt;o caminho passou&lt;br /&gt;por uma prisão na irlanda&lt;br /&gt;onde pelo início do dia&lt;br /&gt;ainda noite recolhida&lt;br /&gt;em busca da liberdade um homem livre renascia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Barreiro, 5 de Maio de 1981&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-4610784382409755685?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/4610784382409755685/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=4610784382409755685&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4610784382409755685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/4610784382409755685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/05/memorias-xx-canto-para-morte-de-bobby.html' title='memórias XX - canto para a morte de bobby sands'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S-FjO-nphsI/AAAAAAAAAQc/TrEEUhMi2mY/s72-c/bobbysands.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2927612733199280423</id><published>2010-05-01T12:46:00.003Z</published><updated>2010-05-01T12:52:25.776Z</updated><title type='text'>O Hospício - (ou quem há-de gabar a noiva)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wjtDnLiAI/AAAAAAAAAQU/n-upjWDImd0/s1600/hospicio.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 284px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466283304691664898" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wjtDnLiAI/AAAAAAAAAQU/n-upjWDImd0/s400/hospicio.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abstraído na leitura do jornal só acordei para o mundo quando um amigável porradão nas costas me fez ejectar meia bica direitinha para a página, de quotidiana desgraça, onde a minha atenção se concentrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, agora deste em actor? Perguntou-me de chofre antes que o pudesse cumprimentar e limpasse o nariz, por onde parte do café, desagradavelmente, encontrara espaço de saída. Era, como não podia deixar de ser o impagável Belegário. O homem parece, por vezes, que é bruxo. Passo tempos sem o ver mas, sempre que algo diferente acontece na minha vida, lá me aparece ele, supimpa, sorridente, sem remorsos ou pudor, inopinado a interceptar os meus percursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olá, Belegário, pelo menos diz bom dia. Resmungou um sumido “bdiapá” e voltou de imediato ao que lhe interessava. Estava para te telefonar mas achei melhor ter um bate papo pessoal contigo por causa da peça. Foste ver? Ná! Só gosto de comédias. Para mim o teatro é para depois de um bom jantar e uns copitos no bucho ir dar umas gargalhadas com as maluquices e as piadas dos actores. O que me traz atarantado é como te foste meter nessa alhada. Já tinhas idade para ter juízo. Então juntas-te a um grupo de comediantes assim sem mais nem menos? Olha lá, disse, o que é que isso de comediantes e o que é que tens contra eles? Pareces um velho do século dezanove eivado de preconceitos de classe. É pá, mas o que é que vão pensar os teus antigos colegas das direcções das empresas ao ver-te nessas andanças. Não sei, repliquei, nem tal me preocupa, uns acharão mal, outros divertir-se-ão com a ideia e outros ainda, mais amigos ou conhecedores do meu feitio iconoclasta encolherão os ombros com um sorriso e, compreensivelmente, dirão ele foi sempre assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, pois, mas estou curioso por saber como te foste meter nisso, Conta lá, pá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi simples, um dia o Luciano Barata telefonou-me para me convidar para fazer um papel na peça que, no Grupo Projéctor, o Abílio Apolinário estava a encenar. A peça era O Hospício, também conhecida como Marat/Sade, ou no título original - e prepara o fôlego para poderes repeti-lo - “Perseguição e assassinato de Jean-Paul Marat representada pelo Grupo Teatral do Hospício de Charenton sob a Direcção do Marquês de Sade”. Claro que fiquei um pouco baralhado. Já não fazia teatro desde o Secundário e esta peça, eu conhecia-a, tinha-a visto há umas dezenas de anos na Comuna, com actores do gabarito de Carlos Paulo (Marat) e Carlos Wallenstein (Sade) e conhecia bem a complexidade do texto e as dificuldades de encenação e interpretação de figuras e época. Não tremi com o convite porque pensei que apenas necessitavam de mim para fazer número no conjunto dos doidos do hospício e lá fui, ao Bar do Franceses, falar com o meu amigo Luciano e com o desconhecido, e agora também amigo, Abílio. Ao saber que ele tinha estado na Comuna e que tinha participado no Marat/Sade, percebi que iríamos falar de um teatro de ideias, de encenações radicais e de uma experiência arrojada, tendo em conta as dificuldades da peça e a exigência cénica, histriónica e de interpretação exigidas por este texto de reconhecidos méritos mundiais, bem como o espaço e maquinaria teatral existentes. Entusiasmou-me o arrojo da ideia e fiquei logo conquistado para o projecto. Só fui acometido pelo terror quando, impudicamente, me propuseram o papel de Marat. Não me parecia estar ao meu alcance encarnar aquela tremenda figura de revolucionário jacobino, bem como ter ainda capacidades de memorização para as profundas e imensas falas da personagem. Após longo conciliábulo lá me decidi, a título meramente experimental, testar as minhas capacidades. Abro aqui um breve parêntesis para te dizer, Belegário, que outro tanto se passou com o Mário Durval, o qual, de igual modo, acrescentando com generosidade mais este aos seus muitos afazeres, decidiu entrar no barco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o trabalho insano que foi para todo o grupo pôr em cena esta peça não vou falar-te senão para sublinhar que neste conjunto, onde não há actores principais e figurantes – cada um fazendo à vez, em cada peça, o papel que lhe é distribuído - se encontra uma vasta plêiade de talentos, espírito de sacrifício e boas vontades, todos empenhando-se, de igual modo, no conseguimento da percepção e ritmo da obra, entregando-se profundamente ao seu conseguimento, conscientes de que um menor empenhamento pessoal poderia fazer soçobrar o esforço colectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É pá, interrompeu-me o Belegário, mas não achas que é uma grande estopada passar duas horas a ver malucos e ouvir discursos inflamados sobre a Revolução Francesa? Eu sempre detestei esse período da história. Para mim foi sempre uma confusão de acontecimentos, nomes e cortes de cabeças. É bem verdade, respondi-lhe, mas não te esqueças que ainda hoje, os direitos humanos por que sempre te andas a bater, e que por vezes te põem de mal com deus e com o diabo, são o resultado dessas lutas. A América que diga onde foi beber os seus ideais de liberdade e onde baseou a sua Constituição. E as nossa também! Mas passemos adiante e falemos mais na peça e no autor. O Peter Weiss, nascido na Alemanha, refugiado em consequência das perseguições nazi, escreveu esta peça em 1964. Caso raro com as grandes obras, foi logo um êxito. Com certeza que o período de intensa mudança social em que apareceu contribuiu para a sua afirmação. O tema, a linguagem, a intencionalidade assentavam como uma luva nas mudanças que se preparavam em todo o mundo e que vieram a ter os seus corolários nos movimentos de 1969 e posteriormente, nos anos 70, inclusive em Portugal. O texto desta peça foi perfeitamente compreendido como actual naquelas décadas e, facto notável, volta a estar novamente em dia nos tempos que correm e no nosso País. Mais uma vez Jacobinos e Girondinos – com outros nomes e outros discursos – se confrontam num mundo em crise de transição e, talvez não muito distante no tempo, revolta. Para te aperceberes, vou socorrer-me de análises de várias pessoas e fontes (entre elas a entrada Peter Weiss da Wikipédia), sobre os três níveis diferentes mas simultâneos em que a acção se situa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Primeiro nível é situado em 1808. Sade está preso, pelas suas ideias e práticas, no Hospício de Charenton. Escreve aí algumas das suas obras mais conhecidas e, como forma de tratamento de doentes mentais encena peças, no Hospício, a que assistem as classes superiores da sociedade revolucionária francesa. São personagens deste nível Sade, o Director Coulmier e os doentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo passa-se em 1793 quando a Girondina Charlotte Corday assassina o líder Jacobino Jean-Paul Marat, plumitivo, deputado do povo e absolutamente radical. Aqui pontuam Marat, Charlotte Corday, Duperret – deputado girondino e amante de Charlotte – e Jacques Roux, padre e radical apoiante de Marat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A terceira esfera temporal&lt;/em&gt; (ou nível) &lt;em&gt;é a do leitor que lê ou assiste à peça, podendo ser tanto público da peça de Weiss como da peça de Sade”, cabendo-lhe a ele as identificações do discurso e a sua adesão às realidades presentes.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Por isto o Grupo Projéctor fez um esforço imenso para que a peça fosse apresentada no dia 25 de Abril. Como ainda a não foste ver, terás possivelmente algumas dificuldades em apreender o sentido profundo desta última “esfera temporal”. Por isso te recomendo vivamente que não a percas – desculpa-me este descarado gabar da noiva pelo noivo – porque não darás por mal-empregado o teu tempo e, muito possivelmente sentirás como és tu também personagem e actor de um drama semelhante e actual passado nos conturbados tempos que o mundo em geral, e o nosso país em particular, atravessam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai, em qualquer dos fins-de-semana de Maio, aos Franceses ver a peça. Leva a família e os amigos. Vão ver que não se vão arrepender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – &lt;/em&gt;&lt;a href="http://rostos.pt/"&gt;&lt;em&gt;http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2927612733199280423?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2927612733199280423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2927612733199280423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2927612733199280423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2927612733199280423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/05/o-hospicio-8ou-quem-ha-de-gabara-noiva.html' title='O Hospício - (ou quem há-de gabar a noiva)'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wjtDnLiAI/AAAAAAAAAQU/n-upjWDImd0/s72-c/hospicio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2293393580815661065</id><published>2010-05-01T11:54:00.012Z</published><updated>2010-05-01T12:46:03.297Z</updated><title type='text'>O Hospício - Fotos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wfL6Vs45I/AAAAAAAAAQM/RJYHG0zF32g/s1600/DSC04818.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466278337220240274" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wfL6Vs45I/AAAAAAAAAQM/RJYHG0zF32g/s400/DSC04818.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Marat (Carlos Alberto Correia) e Simone (Elsa Barata). Ao fundo, em segundo plano, Jacques Roux (Mário Durval). Em primeiro plano o Guarda (João Martinho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wekafhPKI/AAAAAAAAAQE/ZEUQc-GW-3I/s1600/DSC04814.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466277658656586914" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wekafhPKI/AAAAAAAAAQE/ZEUQc-GW-3I/s400/DSC04814.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Doentes, Coro, Apresentador Marat e Simone&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wd86A5kZI/AAAAAAAAAP8/dJMvzV1v7t0/s1600/DSC04813.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466276979923325330" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wd86A5kZI/AAAAAAAAAP8/dJMvzV1v7t0/s400/DSC04813.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em primeiro plano, Marquês de Sade (Manuel Gonçalves) e Apresentador (João Cruz)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wdTXXCywI/AAAAAAAAAP0/bEoDjDDpGv4/s1600/DSC04801.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466276266246327042" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wdTXXCywI/AAAAAAAAAP0/bEoDjDDpGv4/s400/DSC04801.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em segundo plano Doente (Luciano Barata). Em primeiro plano Duperret (Emanuel Saramago)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wcG3k7sDI/AAAAAAAAAPs/y6UUFUn9vN8/s1600/DSC04798.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; FLOAT: left; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466274952044589106" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wcG3k7sDI/AAAAAAAAAPs/y6UUFUn9vN8/s400/DSC04798.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em cima Coulmier (Luís Gonçalves). Em baixo, ao fundo, da esquerda para a direita, Doentes (Luciano Barata, André Pereira, Maria João). Em primeiro plano Marquês de Sade (Manuel Gonçalves)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wbMiOk1RI/AAAAAAAAAPk/HenZaKcQDlI/s1600/DSC04797.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466273949881259282" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wbMiOk1RI/AAAAAAAAAPk/HenZaKcQDlI/s400/DSC04797.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao cimo, Coulmier (Luís Gonçalves), em baixo, da esquerda para a direita, Doente (Maria João), Enfermeira (Fátima Pires) e Charlotte Corday (Tânia Pacheco)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9waVxMgWsI/AAAAAAAAAPc/edrpop2LNz0/s1600/DSC04796.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466273009006303938" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9waVxMgWsI/AAAAAAAAAPc/edrpop2LNz0/s400/DSC04796.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Doentes , da esquerda para a direita, (Manuel Graça e Rogério Rosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wZoRDPhDI/AAAAAAAAAPU/MaSX4-Q-OUA/s1600/DSC04791.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466272227283403826" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wZoRDPhDI/AAAAAAAAAPU/MaSX4-Q-OUA/s400/DSC04791.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Doente (Risete Dias)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wXcdAIwaI/AAAAAAAAAPE/gWQBUs3u5mI/s1600/DSC04788.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466269825309917602" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wXcdAIwaI/AAAAAAAAAPE/gWQBUs3u5mI/s400/DSC04788.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; 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&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;As quatro cantoras, da esquerda para a direita, Tourlourou (Lara Nair), Sansonnet (Daniela Pedroso), Cocorico (Vanessa Rodrigues) e La Fauvette (Romy Mendonça)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2293393580815661065?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2293393580815661065/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2293393580815661065&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2293393580815661065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2293393580815661065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/05/o-hospicio-fotos.html' title='O Hospício - Fotos'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S9wfL6Vs45I/AAAAAAAAAQM/RJYHG0zF32g/s72-c/DSC04818.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-7896196343678443227</id><published>2010-04-09T11:25:00.002Z</published><updated>2010-04-09T11:27:51.199Z</updated><title type='text'>Em louvor dos corruptos, hipócritas e mentirosos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S78PLMwsqZI/AAAAAAAAAOU/RBiinbXNl5E/s1600/corrupto.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 256px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S78PLMwsqZI/AAAAAAAAAOU/RBiinbXNl5E/s400/corrupto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458097958474787218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;esta crónica deverá ser acompanhada com o trautear de fundo do Requiem de Mozart)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Era ainda menino quando recebi uma lição que, para mal dos meus pecados, nunca levei muito a sério. Foram precisos muitos anos, muitas escorregadelas e estampanços na dura realidade, para que desse, a esse ensinamento, o devido valor. Tratava-se de uma frase amiúde repetida por um homem inteligente, ou observador, que do alto do seu saber e posição, fazia dos seus ditos regras. Dizia ele, da cátedra de Governador Civil, que no Alentejo, para se ser respeitado, não se podia ter mais que a quarta classe nem menos de quatrocentos porcos. Assim, lapidarmente, completava alguns rifões que têm sido apanágio da cultura popular. Para não ficarem em excessiva curiosidade e poder sobrevir-vos algum stress traumático, aqui vão eles. O primeiro, corroborando inteiramente o dito do senhor Governador é: &lt;em&gt;Este gajo sabe muito&lt;/em&gt;, numas versões; ou mais forte ainda: &lt;em&gt;este gajo sabe de mais&lt;/em&gt;. E aqui temos o início de uma catilinária de analfabetos funcionais, contra quem se esforça por compreender profundamente as coisas, sendo por isso considerado como uma ameaça para aqueles apenas interessados em aperceber-se do superficial e desde que tal não lhes custe muito esforço. O segundo, dito sempre numa admiração basbaque e dirigido a quantos, sem quaisquer rebuços morais, vivem e prosperam à sombra de chicanas e aldrabices, é o exclamativo: aquele gajo é cá um espertalhaço ou, noutra versão, aquele é que sabe viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui temos senhores a explícita dicotomia da nossa agónica civilização. Mas, pergunta-se: numa sociedade possuidora de tantos meios e conhecimentos, como é possível chegar a este ponto de decepção a caminho do desespero? Vêm-me então à ideia o ocaso dos impérios. Sempre na sua agonia existiu a perversa esperança de que os bárbaros viessem e na sua destruidora chegada regenerassem as patologias civilizacionais. O momento antecedente a este desejo insano foi sempre pontuado pela desilusão dos povos perante o desprestígio galopante das suas instituições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho para tal estado de coisas é lento. Imperceptível no início, desliza depois velozmente, em plano inclinado, até um tão profundo apodrecimento que mesmo a destruição de tudo parece ser mais fácil de suportar, ou transportar mais esperanças, que manter os velhos e desacreditados figurinos. Tudo começa, imperceptivelmente, com a perda de valores solidários. O egoísmo, o enriquecimento próprio, contra tudo e contra todos, institui-se como valor axial e tudo subordina. Que importa que fulano seja um coerente defensor das suas ideias, se isso o não faz enriquecer mais um euro? É pôr de lado, que não interessa a ninguém. Porque os valores são trocados por uma contabilidade a corrupção aparece como forma de consagrar uma nova ordem, novas potências, outras dependências. O poder, até aí utilizado no pressuposto de servir a comunidade, passa a ser unicamente veículo de promoção pessoal. Na estrénua procura de sustentar a sua indefensável posição, o corrupto torna-se hipócrita e, mesmo que profundamente errado e prejudicial, apenas apoia e louva aquilo ou aqueles que podem ser úteis aos seus mesquinhos desígnios. Pretende apresentar a falsidade e traição como verdadeiras virtudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hipocrisia é uma hidra de várias cabeças com um corpo de mentiras. É essencial ao hipócrita dominar a fala de língua bífida. Como um mentiroso se apanha mais facilmente que um coxo, dizem, é preciso, para defender possíveis percalços, preparar um conjunto de seguidores e altifalantes, pagos a bom preço, os quais, pelo ruído e repetição, apoiem descaradamente a sua mentira tornando-a numa verdade. Partem sempre do princípio que o resto do mundo é estúpido e nunca conseguirá aperceber-se do logro em que o querem lançar. Dependendo do poder e do lugar de emissão, o êxito estará, na maior parte dos casos, assegurado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que as inúmeras contradições surgidas, nunca passíveis de prova concreta e evidente - por mor das cascalhantes companhias interessadas na continuidade dos ardis - vão criando uma atmosfera pesada e incómoda onde toda a gente começa a sentir que qualquer coisa não vai bem, que um mal-estar difuso mas persistente se insinua, cobrindo tudo de cinzas, criando uma ameaça, mais pressentida que manifesta, de permanente inverno. E a gangrena seguirá triunfante o seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos ainda referenciar o indispensável apoio dos medíocres. Daqueles que sempre reclamam mais e mais direitos e nada fazem para cumprir os seus deveres. Aqueles que esperam que tudo lhes chegue sem esforço são os apoios necessários e fatais do reino dos corruptos. Sem eles, que publicamente falam contra a corrupção, a hipocrisia e a mentira, mas que nada fazem de útil para a erradicar das suas práticas, a consentem e, na sua pequenez, a apoiam (esperando a migalha caída da mesa dos patronos) a vérmina não poderia subsistir. Mas isso exigiria esforço, claridade e, muitas vezes sacrifícios. Volta-se então ao senso comum do deixe-se estar o presidente da Câmara que, embora roubando faz qualquer coisa, porque ao mudar, não só se arranjam chatices, como podemos lá pôr um que não faça nada. Brilhante conclusão. Justifica tudo. A cobardia, o oportunismo, a menoridade cívica e mental. Por estas estradas vamos desconfiando dos políticos, da justiça, das mais instituições. Fatalistas encolhemos os ombros em trágicas desistências, murmurando, por entre dentes, o que se há-de fazer! Isto foi sempre assim. Já não tem remédio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade as análises desta gente de vistas curtas, apenas cotejadoras de conjunturas precárias, parecem dar razão a quem assim pensa. Mas veja-se mais longe. Quantas vezes imensas potestades de sólida implantação, parecendo indestrutíveis, pereceram de supetão. É olhar a história. Não é preciso ir muitos longe para testarmos a razão. Mas atenção, depois de acontecida a queda, os mesmos que impunemente declararam nada haver a fazer, chegam-se-nos aos ouvidos com os impantes “estava-se mesmo a ver”, “eu já tinha dito”, “a mim nunca me enganaram”, “aquilo eram elefantes com pés de barro”! Acordam tarde mas já vêm preparados para arranjar um lugarzinho na nova ordem das coisas onde possam acoitar-se. Se não houver cuidado consegui-lo-ão de novo, porque sempre estarão acocorados aos pés de quem lhes poderá dar alguma coisa, sempre calcarão quem se atrever a denunciar as suas práticas, bajularão os poderes sem reservas, serão mais zelosos que quaisquer outros e levarão, sempre além do requerido, a vontade dos seus novos amos, até ao dia em que os possam transformar naquilo que eles sempre foram: corruptos, hipócritas e mentirosos. É preciso ter muito cuidado com os medíocres. Eles são muitos, não têm medidas nem as regras os coíbem. Correm, por isso, o risco de vencer muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É pois da maior urgência que se louvem os corruptos, os hipócritas e os mentirosos. No fundo, ao semearem a podridão, são eles que, sem de tal se aperceberem, aprofundando a dialéctica dos contrários, fornecem o húmus para a construção da nova história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-7896196343678443227?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/7896196343678443227/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=7896196343678443227&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7896196343678443227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7896196343678443227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/04/em-louvor-dos-corruptos-hipocritas-e.html' title='Em louvor dos corruptos, hipócritas e mentirosos'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S78PLMwsqZI/AAAAAAAAAOU/RBiinbXNl5E/s72-c/corrupto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-6968107135727466506</id><published>2010-03-24T18:42:00.001Z</published><updated>2010-03-24T18:44:32.728Z</updated><title type='text'>Bullying à alentejana</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S6pdhd4SW6I/AAAAAAAAAOM/SUi3odrhfJE/s1600/bullying.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 291px; height: 339px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S6pdhd4SW6I/AAAAAAAAAOM/SUi3odrhfJE/s400/bullying.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452273128423185314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Excerto do capítulo Boa-Nova do romance em construção Concerto para Sanca João)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saíamos compostos, por filas de carteiras, da sala de aulas. Passada a porta acabava a compostura e com gritos de selvagem liberdade corríamos direito às bicas dos bebedouros, alimentados, a partir da nora, pelo rodar incessante de um burro de olhos vendados, condenado, como Sísifo, àquele eterno deambular sem progresso que se visse. Quando cheguei às bicas já uma pequena multidão chegara à minha frente. Aguardei, na fila, a minha vez. Preparava-me para, dobrando o corpo, torcendo o pescoço, pôr a boca abaixo da bica escorrente quando, imperiosa uma voz eclodiu no recreio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chegar e “boer”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconhecia, por novato, as regras do recreio. Faziam gala, os alunos da quarta classe, em chegar ao recreio depois de todos os outros. Deixavam formar as bichas de pirilau para a dessedentação e então, fazendo valer o direito da sua senioridade e maior força física, afastavam os pobres gaiatos do bebedouro. Como estava na minha vez de beber, continuei sem me importar com a ordem do brutamontes o qual, colocando-se atrás de mim repetiu “chegar e boer”. Aos meus ouvidos moucos sucedeu um chapadão. Bati com o lábio na bica, rachando-o e abrindo um entorneiro de sangue que fez acudir o vigilante. Que se passa aqui? Nada, disse a brutidade. O puto escorregou e feriu o lábio. Ninguém tugiu nem mugiu. Olhei bem para a cara do mânfio enquanto era levado para a enfermaria para ser tratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a minha mãe me viu com o lábio num trambolho ficou aflita e irritada. Que não, dizia o vigilante, não fora briga nenhuma. Escorregara no chão molhado do bebedouro e magoara-me. Calei-me e só a caminho de casa contei à minha mãe o acontecido. Amanhã levas um barril com água. Isso não volta a acontecer, decidiu. Escolhi o barril. O maior! Feito de um barro forte e vermelho. É muito grande! Não, mãe. É este que eu quero. É bom. Mas vais muito carregado para a escola. Não vou. Ponho um cordel dobrado entre as asas e assim não custa nada. Raio de rapaz, teimoso como tudo. Levei a minha avante e, no dia seguinte, sozinho, derreado pelo peso da sacola de serapilheira levada a tiracolo e pelo incómodo do barril, lá fui para o meu segundo dia de aulas. Embora gostasse de aprender e o início do ano fosse mais passado em jogos que em qualquer coisa parecida com aprender – inquieta a minha mãe perguntava-me se já escrevera letras, lera ou cantara a tabuada ficando muito desiludida quando lhe dizia só cantámos, jogámos e o professor é que leu e falou connosco sobre o que tinha lido – nesse dia o tempo, até ao recreio da manhã, parecia não passar. Mal se ouviu o toque da campainha saltei como mola retesada levando o professor a mandar-me sentar advertindo: mesmo que o sino toque só se levantam quando eu disser. Permaneceu pétreo, olhando-me fundo, debaixo do crucifixo, enquadrado pelas fotografias, sempre presentes, do Marechal Carmona, feito presidente da República e do verdadeiro mandante Oliveira Salazar. Ao podem sair corri para o bebedouro encostando, com desvelo ao peito, o pesado barril cheiinho de água. Não fiquei na fila. Coloquei-me estrategicamente nas imediações das torneiras e aguardei que chegasse o crápula que me tinha rachado o lábio. Quando o espertalhão se inclinou para beber só deve ter notado o barril a atingir-lhe as têmporas quando o rasgão na pele se abriu e o sangue dele se derramou no exacto lugar onde o meu correra no dia anterior. À estupefacção de caloiros e veteranos seguiu-se um burburinho da malta da quarta a avançar contra mim. O voltear do barril na minha frente, fazendo um zunido de vento a ser cortado, dissuadiu a turba das intenções vindicativas que contra mim laboravam. Quando o vigilante, sempre tardio, apareceu eu, adiantando-me a todos os outros, olhei-o bem fundo nos olhos, informando-o: escorregou na lama ao vir beber. Ninguém me desdisse e nunca mais, estando a beber, alguém com insolência me disse: “chegar e boer”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-6968107135727466506?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/6968107135727466506/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=6968107135727466506&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6968107135727466506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6968107135727466506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/03/bullying-alentejana.html' title='Bullying à alentejana'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S6pdhd4SW6I/AAAAAAAAAOM/SUi3odrhfJE/s72-c/bullying.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8102772668766705138</id><published>2010-03-18T14:46:00.001Z</published><updated>2010-03-18T14:48:09.671Z</updated><title type='text'>Pedofilia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S6I9HseMVnI/AAAAAAAAAOE/JBSrql3lG-Q/s1600-h/pedofilia_2.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S6I9HseMVnI/AAAAAAAAAOE/JBSrql3lG-Q/s400/pedofilia_2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449985701477897842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Excerto do capítulo “Boa Nova” do romance em construção “Concerto para Sanca João”)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…Que os santos me perdoem esta dúvida mas foi o seminário o primeiro plantador de suspeitas. Aconteceu no meu segundo ano. Era prefeito da camarata o Padre Lucas. Fosse embora seu mester submeter a apertada vigilância os jovens a seu cuidado, vendo se tomavam duche de calções e camisola interiores vestidos, se dormiam com as mãos fora das cobertas, cumpria a sua tarefa de forma doce como se de brincadeira se tratasse. Obrigava-o a sua função a adormecer muito depois de nós e a acordar antes. Tudo fazia por bem o santo homem e sendo o último a abandonar a camarata, era o primeiro, aos alvores da manhã, a acordar-nos com palavras bem-dispostas, tal ave madrugadora em solarengos madrigais. Todos gostávamos dele até que um dia o Zé Maria, em assustada confidência, nos disse o padre é maricas. Não pode ser! Cala-te Zé Maria. O que estás a dizer? Não cabia em nenhum de nós semelhante pensamento. Era aterrorizador. O nosso prefeito! Sim, confirmava Zé Maria. Ontem, já vocês dormiam todos senti que alguém me levantava as roupas da cama. Fiquei borradinho de medo, sobretudo quando vi que era o padre Lucas que estava a tentar desapertar-me o laço das calças do pijama. Quando abri os olhos ia gritar. Tapou-me a boca e disse chiu! Estou a ver se não te estavas a masturbar. Se gritares ou disseres alguma coisa vou informar o reitor de que te apanhei em masturbação. E tu? Calei-me e ele bateu-me uma punheta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não fosse o Zé Maria a contar não íamos acreditar. Mas ele era nosso amigo já na Cidade e, filho de sacristão, não iria mentir e inventar uma coisa daquelas sobre o padre Lucas. Que vais fazer? Vou-me embora do seminário. Não estou para isto e se ele sabe que falo com vocês ainda me arranja um sarilho. Vê lá se ele conta ao meu pai. Não vais nada embora, disse o Bento, já reconciliado comigo e decidido a ser amigo porque ambos éramos estrelas, a gente resolve isso. Resolve como, perguntei. Fácil! Logo à noite fingimos que adormecemos. Quando o padre Lucas for ter com o Zé Maria ele começa a gritar ladrão, ladrão e nós pomos os cobertores por cima do padre, arriamos-lhe uma carga de porrada e vais ver que ele não é capaz de fazer nada que te lixe! Combinação feita, espera, depois do apagar da luz, que o padre viesse ao local do pecado. Veio e tudo aconteceu como o previsto. Foi tanta a algazarra que o Reitor, cujas instalações eram próximas desta camarata foi quem abriu a luz. O quadro era por demais explícito para que merecesse dúvidas. Em cima da cama, berrando com um desalmado o Zé Maria, de calças de pijama caídas, continuava a gritar ladrão, ladrão, enquanto saltava que nem um cabrito, como se histérico estivesse. Debaixo dos cobertores lançados por sete putos, em pijamas ou ceroulas, debatia-se o padre Lucas. Severo, o reitor, mandou que Zé Maria se compusesse e ordenou ao padre Lucas, já para o meu gabinete. No dia seguinte já ninguém viu o padre Lucas e, na hora de estudos, um novo prefeito transmitiu que o padre Lucas se ausentara por ter sido acometido de perturbações mentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8102772668766705138?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8102772668766705138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8102772668766705138&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8102772668766705138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8102772668766705138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/03/pedofilia.html' title='Pedofilia'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S6I9HseMVnI/AAAAAAAAAOE/JBSrql3lG-Q/s72-c/pedofilia_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-6068643733464891877</id><published>2010-03-08T17:37:00.001Z</published><updated>2010-03-08T17:39:46.010Z</updated><title type='text'>Memórias XIX - fragor de rosto</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S5U2VGZbZvI/AAAAAAAAAN8/fHI4B2EfBAA/s1600-h/alma1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 313px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S5U2VGZbZvI/AAAAAAAAAN8/fHI4B2EfBAA/s400/alma1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446319060496901874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um mosquito doido pousa na vidraça&lt;br /&gt;o cais alonga-se ao correr do risco&lt;br /&gt;rumo de olhares contemplando chuvas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a água da nascente aperta-me a garganta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trazes hoje um semblante de palavras&lt;br /&gt;imensa descoberta que se espalha triste&lt;br /&gt;sobre a sombra da tarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a paisagem habita-se de encostas&lt;br /&gt;de outros impossíveis campos rompe a floresta&lt;br /&gt;e escala oculta a imperfeita génese dos contornos&lt;br /&gt;mágicos das cinzas das estrelas coalhadas de espanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por agora nas manhãs enregeladas suponho o ritual&lt;br /&gt;estandarte onde se agarra o vento&lt;br /&gt;dos corpos nos traços das ofertas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;canto o nome dos lugares de todo o procurar&lt;br /&gt;a harmonia inteira o que se pode sorrir&lt;br /&gt;entre os cortados de montes e paisagens&lt;br /&gt;sem rios e sem diferenças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao revés da cera em que a tarde se esbate&lt;br /&gt;em passo apontado ao outro lado&lt;br /&gt;o silêncio aquece o rubor estridente dos campos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na vidraça doido dança o doido do mosquito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, Fevereiro de 1984&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-6068643733464891877?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/6068643733464891877/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=6068643733464891877&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6068643733464891877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6068643733464891877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/03/memorias-xix-fragor-de-rosto.html' title='Memórias XIX - fragor de rosto'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S5U2VGZbZvI/AAAAAAAAAN8/fHI4B2EfBAA/s72-c/alma1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8156960761772464853</id><published>2010-03-03T14:49:00.002Z</published><updated>2010-03-03T14:50:45.549Z</updated><title type='text'>A Justiça do Segredo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S453OBO6amI/AAAAAAAAAN0/i16DyOWcYDA/s1600-h/deusa-da-justica.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 289px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S453OBO6amI/AAAAAAAAAN0/i16DyOWcYDA/s400/deusa-da-justica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5444420082270366306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Artigo 2º da Constituição define-nos como um Estado de Direito Democrático, onde, pelo menos em tese, a soberania reside no Povo. Quer isto dizer que todos os poderes legítimos derivam da vontade popular livremente expressa e do princípio da separação dos mesmos. O legislativo e o executivo são eleitos. O judicial não! Os seus hierarcas são votados, cooptados ou nomeados corporativamente ou pelos outros poderes dos quais são teoricamente independentes. Possuem, portanto, uma legitimidade delegada por quem também já tem um poder igualmente delegado. No entanto não seria por aqui que o gato iria às filhoses. O problema é que a estes mandatos que, pelas suas circunstâncias, ousarei chamar de limitados, juntam-se as questões de inamovibilidade e da irresponsabilidade, isto é, a nenhum juiz poderá ser retirado um caso por conveniências quaisquer, nem lhe poderá ser imputada responsabilidades sobre as decisões tomadas. Princípio justo que pretenderia salvaguardar a independência dos juízes mas que exigiria, continuadamente, que a existência dessa mesma independência, não fosse, de qualquer modo, comprometida pelo modo de designação, por compromissos partidários ou pela defesa do corpo fechado de agentes em que estas instituições se podem transformar. Por uma perversão de carácter o que era um meio poderá constituir-se como fim e, por vezes mesmo no único objectivo dessas instituições, numa lógica própria de sobrevivência e reprodução dos estatutos dos seus membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semanas anteriores têm vindo a ser incendiadas por um vívido debate sobre o segredo de justiça e a legitimidade de o mesmo ser ultrapassado quando o interesse colectivo se opõe ao individual. Levanta-se uma primeira perplexidade quando, estando a soberania no povo, algo ou alguém, com um poder dele derivado, se permite decidir unilateralmente o que lhe deve ser dito ou ocultado. Por mais uma das abundantes subversões das nossas relações sociais perde o mandatário essa qualidade, passando a entidade subordinada a mandante, reduzindo tudo ao critério dos seus interesses institucionais. No limite chegaremos ao velho conceito salazarento do povo-criança, impreparado para entender os subtis caminhos das governações, a quem deve ser evitado o esforço desumano de conhecer e opinar sobre acontecimentos determinantes para a sua vivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tais artes parece estar assente o sacrossanto dever de preservar a todo o custo o dito segredo de justiça. Interroguemo-nos qual será o fim deste recato quando o que ele preserva são crimes contra pessoas ou bens, que deverão, por definição, ser públicos quer no julgamento quer no resultado a que se chegue em sede de juízo. Dizem-nos os mestres do Direito que tal secretismo poderá ser útil, durante algum tempo, para preservar e possibilitar a investigação. Muito bem! Estamos visivelmente na presença de um meio de duração limitada e com a única finalidade de facilitar a obtenção de provas, não alertando para tais intentos os indivíduos suspeitos. É compreensível e aceitável. Evita-se assim a destruição de provas e a obnubilação de factos ou circunstâncias. Só que, passado este momento crítico, o segredo de justiça será retirado e o processo ficará em domínio público. No entanto não é isto que verificamos no quotidiano judicial. Os inquéritos são intermináveis e o segredo de justiça nunca mais acaba. Resultado? Insatisfação, revolta e constantes fugas de informação no intuito de ilibar ou castigar, em público, o que a justiça não fez, em tempo, nos seus palácios. É a homeostase da sociedade civil a equilibrar os poderes mal entendidos que pretendem dominar o conhecimento e o direito de cada cidadão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso mais flagrante e contemporâneo é, como toda a gente sabe, o das escutas telefónicas orientadas para negócios de sucatas que aparentemente apanhou na rede peixe muito mais graúdo e negócios de muito maior monta. Os representantes da justiça, em Aveiro, viram crime onde o Presidente do Supremo Tribunal e o Procurador de Justiça nada viram que tal se parecesse. Provavelmente andaram em faculdades diferentes e estudaram outro direito, porque tudo é gente de bem e ninguém cede a pressões de chefes ou governantes. O que neste caso me impressiona é o poder desmedido concedido ao Presidente do Supremo e ao PGR. Então se um primeiro-ministro for apanhado numa escuta a perpetrar um crime e se tiver poder para pressionar a seu favor qualquer uma destas entidades o crime nunca virá a público nem será julgado? Não é de bradar aos céus que para coisas bem menores seja necessário um colectivo de juízes e para situação de tal monta um apenas seja suficiente? Ou eu estou enganado ou isto não é mera distracção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro debate que destes casos decorre, mas ficará para melhor oportunidade, é o de saber da legitimidade das escutas, do seu emprego, da sua divulgação e, esclarecer muito melhor o que é do âmbito privado ou não. É que no limite mesmo combinar-se entre duas pessoas um golpe de estado ou a morte de alguém, desde que seja feito por meios próprios e entre duas pessoas poderá sempre ser uma conversa privada e, a contrário, se duas personalidades públicas falam aos telefones de suas casas, dos filhos, da mulher ou da amante corre-se o risco do exagero de se considerar conversa de interesse público. Como se vê o tema é vasto, perigoso e merece certamente melhor tratamento que aquele que a baixa política anda a dispensar-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8156960761772464853?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8156960761772464853/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8156960761772464853&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8156960761772464853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8156960761772464853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/03/justica-do-segredo.html' title='A Justiça do Segredo'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S453OBO6amI/AAAAAAAAAN0/i16DyOWcYDA/s72-c/deusa-da-justica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8845888430755128923</id><published>2010-02-24T01:40:00.001Z</published><updated>2010-02-24T01:42:39.372Z</updated><title type='text'>Baralhar e dar de novo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S4SD_oMsklI/AAAAAAAAANs/-xPVwxUmksc/s1600-h/fernandonobre.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 225px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S4SD_oMsklI/AAAAAAAAANs/-xPVwxUmksc/s400/fernandonobre.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441619378916069970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele há coisas assim. De repente tudo o que parece firme e claro, como por artes mágicas, rebenta noutras perspectivas até aí de todo desconhecidas. O que parecia tão firme e claro era a anunciada disputa do lugar presidencial entre o verbo inspirado do poeta e a deficiente comunicação do professor de economia. A direita temia o resultado do recontro, a esquerda embandeirou em arco e precipitou-se em apoios e gritos de arraial! Arraial! Até pareciam monárquicos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o factor Nobre, de Fernando, entenda-se, que veio desestabilizar esta contenda anunciada. Entrou de rompante pelo simples facto de anunciar que iria reclamar um direito. O de, sendo português maior de 35 anos de idade, poder disputar o lugar de Presidente da República. É claro que toda a gente nos partidos sabe isso, concorda inteiramente, desde que o candidato “independente” seja um político por eles reconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao anúncio devastador de contas feitas correspondeu um murmurar incomodado – da direita à esquerda – de que o homem seria um cidadão notável, nada havendo, senão elogios, a apontar na sua vida, que dera provas nas mais difíceis situações de capacidades notórias de liderança e organização mas que, facto imperdoável, não tinha experiência política relevante. Quer isto dizer, em partidês, que Fernando Nobre não sabia, não quereria ou não estaria disponível para entrar nos jogos dos interesses de poder e aparecia com um perturbante e muito dispensável discurso sobre valores e ética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se sabe, ao olhar o panorama nacional, nenhum dos nossos políticos de capa de jornal precisa de noções de ética. Toda a população reconhece neles os seres impolutos que são, magros de preocupação com o bem-estar geral, descuidando escabrosamente os seus interesses pessoais em prol do bem comum; inquietando-se plenamente com o conseguimento da justiça civil e da equidade social, sofrendo atrozmente nas raras vezes que tal não acontece neste país onde até o primeiro-ministro – ao contrário do que acontece pelo mundo fora - fala sempre verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Presidente Cavaco tem andado debilitado na saúde política. O Verão foi-lhe nefasto e não fora a Face Oculta ter desnudado, um tanto por acaso, uma profunda vérmina a grassar entre política, informação e finanças, poderia ser o primeiro Presidente a não bisar o acto. Graças a Sócrates e “sus muchachos” o homem arribou e viu melhorar bastante as suas perspectivas. Também temos de ser humanos. Ainda há poucos se mudou para Belém, começava agora a afeiçoar-se à casa e zumba! Uma acção de despejo. Isso não se faz! É falta de humanidade. Nenhum rancor justifica uma família sem tecto. Dizem-me vocês não ser bem assim, que ele até tem o apartamento em Lisboa e a moradia no Algarve, que está bem de vida, tomara a maioria dos portugueses ter o que ele tem, etc. etc. etc.. Pura inveja, meus caros. Alarguem as vossas vistas, não olhem para o que ele tem, mas para o que ele faz. Não se esqueçam de quem, tão acertadamente, traduziu a Lei de Gresham – aquela da má moeda expulsar de circulação a boa moeda – em termos políticos referindo-se aos notáveis desempenhos do nosso primeiro Santana. Vocês eram pessoas para chegar a tão brilhante raciocínio? Vá lá ponham a mão na consciência e reconheçam onde o saber e a grandeza estão. Se posteriormente se contradisse e o veio a apoiar não foi coisa diferente do que entre ele e o insubstituível Alberto João se passou. Portanto, amigos, existe aqui uma coerência na contradição e arrepio que nós só não compreendemos pelas nossas muito evidentes incapacidades. Felizmente lá estão os iluminados para pensar por nós e nos conduzirem ao correcto caminho. Deus os leve breve para a sua companhia porque nós, que aborrecimento, não estamos sequer perto do seu nível e somos um insuportável tédio nas suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O candidato Manuel Alegre sonhava já com a vitória que pôde almejar nas últimas presidenciais. Não deve ter levado em linha de conta que, mau grado os anúncios da sua bem colocada voz, se foi aproximando, talvez sem se aperceber, do lamaçal existente ao redor do seu Secretário-geral. Não comunga dos benefícios que à matilha couberam? Creio bem que não! Mas não deixou de se encantar com a possibilidade (a última que lhe resta de chegar à Presidência) de, encostando-se a Sócrates – sobretudo na recta final – apoiando-o para uma vitória eleitoral que ratificaria a política que vinha invectivando, perder a força da verdade que o mantinha. Hoje, por ironia, ocupa o lugar que pertenceu a Mário Soares. Será o candidato oficial de um partido pouco interessado neste casamento e que nada fará de essencial para que a noiva seja feliz ou possa cumprir a sua missão. Apesar da sua proclamada independência terá sempre que ajustar-se à exagerada factura que o partido lhe apresentará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar da esperança, que já lhe pertenceu, passa hoje por Fernando Nobre. Estranho é ouvir, vindo de apoiantes actuais, as mesmas diatribes que contra ele foram lançadas anteriormente. Não tem aparelho de suporte, não tem dinheiro, quem é que o subsidia? A candidatura de Manuel Alegre que olhe para trás e verifique o que com ela aconteceu. Fomos nós o seu aparelho, as suas finanças, o seu poder. Hoje muitos de nós já não se reconhecem na sua atitude. Temos esse direito tal como ele tem o de seguir o caminho para si mais conveniente. Terá de conceder-nos que tal via poderá não ser a nossa. Tudo na vida tem um preço e há que pagá-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em acerto de contas de previsibilidade política é certo que as duas candidaturas poderão enfraquecer a esquerda e possibilitar a vitória da direita. Só que nem isto é absolutamente certo, nem os destinos de um povo são uma mera contabilidade de deves e haveres. Há uma esperança em dias melhores que não passa, tantas vezes, pelo que parece evidencia inelutável. Como dizia um outro poeta: “pelo sonho é que vamos” e precisamos urgentemente de um pouco de sonho neste tão viciado ar do quotidiano português. Precisamos de respirar sem que o metano do pântano nos envenene e a pressão dos interesses nos esmague.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para já, o meu voto que seria nulo, passa a ter, de novo, expressão e eficácia! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8845888430755128923?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8845888430755128923/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8845888430755128923&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8845888430755128923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8845888430755128923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/02/baralhar-e-dar-de-novo.html' title='Baralhar e dar de novo'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S4SD_oMsklI/AAAAAAAAANs/-xPVwxUmksc/s72-c/fernandonobre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-3324056166433307195</id><published>2010-02-09T12:20:00.002Z</published><updated>2010-02-09T12:23:35.186Z</updated><title type='text'>A deriva autoritária</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S3FTu2QesrI/AAAAAAAAANk/PIuWHsLOiqs/s1600-h/parasit_latex_maske__demon_parasite_latex_mask.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S3FTu2QesrI/AAAAAAAAANk/PIuWHsLOiqs/s400/parasit_latex_maske__demon_parasite_latex_mask.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436218289516622514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Farto de que o meu amigo Belegário me saturasse os ouvidos martelando ininterruptamente na tecla: &lt;em&gt;“ eh, Pá, tu não gramas o homem”, &lt;/em&gt;arrumei, por uns tempitos a necessidade de reacção escrita aos acontecimentos e deixei-me pastorear vagares sem qualquer sentimento de responsabilidade social. Fui fazendo a vida naquela do deixa lá ver se o Belegário tem razão; se o homem não é nada daquilo que eu penso, digo e escrevo e se não será a minha má vontade, ou um arreigado preconceito, que me obriga a ver constantes intenções malévolas em quase tudo quanto a criatura faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dias foram passando e veio a Face Oculta, o drama do orçamento, o caso Crespo, a tragédia da Lei de Financiamento das Regiões Autónomas, o Conselho de Estado, as pressões das agências de &lt;em&gt;“rating”, &lt;/em&gt;as veladas ameaças de demissões e a publicação, no Semanário Sol, de parte das escutas feitas às personagens requentadas que rodeiam o nosso primeiro-ministro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei: &lt;em&gt;“vai-te lixar Belegário, o erro não está em mim, mas sim no sujeito verdadeiramente (ir)responsável por toda esta confusão”. &lt;/em&gt;O meu engano, se tal tropeção cometi, é não ter sido suficientemente cáustico, nem deter a eficácia necessária para, tal Zeus irado, fulminar com verbo mais penetrante a couraça de desvergonha daquele pequeno Berlusconi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre lhe reconhecemos um inveterado pendor para confundir a democracia com a sua vontade própria. Parecia-nos estar mal apetrechado para uma sã vivência democrática, mas lá íamos aguentando naquela de reconhecer como defeitos, em certo grau toleráveis, de alguns espíritos com ânsias de poder, uma necessidade grande de empolamento pessoal, de disposição predatória, de vontade de conquista de estatuto perene. Ora, com é sabido, estas, quando intensas, são mais disposições de regimes monárquicos absolutos, de governos autoritários auto-eleitos, que de gente predisposta ao jogo democrático de obtenção e perda de poder - conforme a vontade expressa dos cidadãos - constantemente limitado por fiscalizações e regras, nunca transmissível e sempre, sempre, precário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá-se mal com estas questões o nosso governante. Direi mais! Pensa-as obstáculos à efectivação da sua grandeza, da qual não duvida por sempre reafirmada pela pouco interessante trupe, daquelas coisas rasteiras, que o rodeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tínhamos estranhado as posições equívocas no agendamento, discussão e reprovação de leis claras contra a corrupção. Aos nossos olhos ingénuos não se tornava perceptível a razão de a um discurso oficial moralizante não sucederem acções conducentes à eliminação dessas práticas lesivas do bem público. Sentíamos a injustiça de experimentar quanto a crise pesava em números de desempregados, de desesperos, de aperto económico da maioria da população; de como os direitos sociais iam sendo diminuídos por falta de dinheiro e como patifarias feitas em bancos particulares se tornavam em prioridades económicas e em sorvedouros de fundos sempre disponíveis. Não percebíamos também como se congelavam salários e pensões ridículas e não se agia sobre as pensões sumptuárias, os “offshores” e não se taxavam as mais-valias da especulação bolsista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um dia, ao ler um livro de que não recordo o nome, fiquei esclarecido. Dizia o autor, reportando-se a tempos idos, que a diferença entre os governantes aristocratas e os republicanos era muito simples. Enquanto os primeiros já tinham fortunas consolidadas e só procuravam mais poder e aumento de estatuto, os outros, além de querer o mesmo que os aristocratas, tinham ainda de conquistar as suas fortunas. O pouco tempo que tinham para o fazer não dava aso a grandes sofisticações de métodos. Sendo simplista não deixa esta explicação de nos pôr a pensar sobre a verdadeira razão das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, é! O mal da governança é de que não durando todo o tempo, cria maus hábitos. Como passar, de repente, das alturas do poder para a rasteira vida civil? Se  a grande parte destes zelosos servidores do Estado não têm, ou não se lhes conhece, outras quaisquer competências? Ou se as têm diminuídas como suportar a ignomínia de andar de cavalo para burro? Nós compreendemos que têm de tratar da vidinha. No fundo são simples mortais com os comezinhos problemas de pagar a casa, a saúde, a alimentação, os estudos etc.. etc.. etc.. Só não compreendemos nem aceitamos que para conseguir tais desideratos tenha a democracia que ser ultrajada, o Estado que ser degradado e as misérias económicas e morais sejam a regra e não a excepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a centenária República neste estado quem se admira que o vulgo se refugie numa saudade doentia de pessoas, que só por esquecimento e por comparação com a mesquinha actualidade sobrevivem e que deveriam, para sempre, estar sepultada no mais fundo inferno da lembrança das gentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-3324056166433307195?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/3324056166433307195/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=3324056166433307195&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3324056166433307195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3324056166433307195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2010/02/deriva-autoritaria.html' title='A deriva autoritária'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/S3FTu2QesrI/AAAAAAAAANk/PIuWHsLOiqs/s72-c/parasit_latex_maske__demon_parasite_latex_mask.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2059616808606748174</id><published>2009-12-08T17:48:00.005Z</published><updated>2009-12-08T17:53:14.940Z</updated><title type='text'>Igreja do Lavradio – uma falhada sistina?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sx6SJG8QLdI/AAAAAAAAANc/F9XxjUQuySA/s1600-h/CAPELA+2.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sx6SJG8QLdI/AAAAAAAAANc/F9XxjUQuySA/s400/CAPELA+2.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412924487325724114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na passada sexta-feira, no almoço da Tertúlia do Pato Bravo, comentava com o Nuno Banza e o Sousa Pereira, o quadro sobre a Paixão de Cristo, encomendado pela Igreja do Lavradio ao Pintor Kira. Dizia eu que aquela tela haveria de fazer história. Para tal baseava-me na concepção da obra, a qual, apesar de algumas servidões ao gosto litúrgico, impostas pelos encomendadores do quadro, arrojava-se, nas figuras que acompanhavam a morte de Cristo, a representações pouco ortodoxas e, por isso mesmo, fortes e demonstrativas da compunção e tristeza gerais acarretadas pela morte do Filho do Homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era baseado na iconoclastia destas figura, que o meu comentário, no citado almoço, apontava para um atribulado caminho para esta obra. Só não pensava que, naquele mesmo momento, essa história já tinha começado. Soube-o pelo Blogues Pintor Kira e Poleiro Pá. Afinal, a inauguração do quadro, que deveria ocorrer no próximo dia 8 de Dezembro, inscrita num cerimonial mais vastos, com ordenação de padre e presença de Bispo, já não iria acontecer. Porquê? Porque os bons padres se negaram a pagar o trabalho e pretendiam que o mesmo fosse oferecido à Igreja. Achei esta atitude abusiva e pretendi saber a verdade dos factos. Para tal nada melhor que perguntar ao Pintor como este desencontro tinha sido possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se, resumidamente, a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De há uns cinco anos a esta parte o Kira vinha a ser solicitado para fazer um quadro para a Igreja do Lavradio. Dada a sua orientação artística não ser a da arte sacra foi adiando a questão até que, este ano, por maior insistência decidiu anuir ao pedido. Foi-lhe então encomendada a execução de dois quadros, uma crucifixão com as dimensões de 3 metros X 2 metros, para a Igreja e um outro de 2 metrosX2 metros para o baptistério. Perante a monumentalidade da obra o pintor comunicou aos padres não ter dinheiro suficiente para comprar as telas. Do então argumentado ficou patente que a Igreja adiantaria o dinheiro para os materiais e que o pintor faria depois um “preço para amigos”. Acertadas as coisas recebeu o custo da tela maior e começou o trabalho pagando, do próprio bolso, algumas centenas de euros para os restantes materiais. Durante os seis meses que durou a concepção e concretização da obra não foi possível ao pintor pegar em qualquer outro trabalho. Os padres sabiam disso pois não só foram acompanhando a feitura da obra como requereram algumas modificações. Mais, sugeriram ainda que fosse pensando numa Via Sacra para a Igreja. Ora a Via Sacra é composta por 15 estações, o que significava a elaboração de quinze pinturas alusivas, todas de grande porte. Quase dava, com ironia e pelo tempo necessário a tal consecução, para que se assinasse um contrato de trabalho a muito longo termo. Estas questões foram ganhando, pelo que agora se entende, uma estranha ambiguidade. Assim, para o Kira o trabalho seria remunerado com um preço a combinar, para além dos custos dos materiais. Para os bons padres o trabalho seria suficientemente remunerado com o pagamento da tela (esquecendo as tintas, o tempo, o trabalho e a concepção) e o sublime privilégio de tornarem o Kira numa espécie de Miguel Ângelo, mal pago, do Barreiro. Não ficou claro se o artista deveria ainda fazer um agradecimento à Igreja pelo favor de se ver espoliado do valor do seu ganha-pão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo do princípio que na sua produção o pintor fará uma média de 1.500 euros por mês, só o custo do tempo de trabalho investido neste quadro seria de 9.000 euros. Com os materiais gastar-se-iam, no mínimo mais 1.500 euros, ficando (sem ter em conta a remuneração artística) o quadro em 10.500 euros. Este preço seria, em termos de mercado de arte, muito baixo para a obra apresentada. No entanto o que o Kira pediu como remuneração era tão-somente cerca de 10% deste valor. Na verdade um preço mais que de amigo. A que responderam a isto os santos homens? Que esperavam que ele fizesse a oferta das obras à Igreja, fazendo com que o ofendido e pré-espoliado artista perguntasse se iria alimentar a família com hóstias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os acontecimentos nesta posição, o quadro que já estava na Igreja, foi retirado e está agora no atelier do pintor à espera do seu destino depois de o Kira, num acto de grande honestidade, ter devolvido à Igreja o dinheiro adiantado para a tela. É uma pintura de venda problemática, mais pela sua envergadura que pelo tema. Somente poderá figurar num grande salão sob risco de, em qualquer outro lugar, esmagar qualquer envolvência. Fica-me pela mente a pergunta se estamos, pela parte da Igreja, perante uma grande ingenuidade, desconhecimento do real da vida, má-fé ou ainda outros pressupostos de que é melhor não falar. Para melhor compreensão do quadro e de possíveis motivações não ditas, cito uma apreciação do mesmo feita, num comentário no Blogue Kira Pintor, pela Dr.ª Fernanda Afonso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Gostaria de acrescentar algo ao que tem sido dito. Parece-me que a situação o merece. Vejamos o quadro. Este representa, no plano central, o acto sacrificial de Cristo. Na base, a lateralidade das figuras mostra a unanimidade solidária com o acontecimento. &lt;br /&gt;Porém, as personagens não elevam, todas, os olhos para o Senhor ou para a pomba - os padres olham-na directamente, tal como a criança (perplexa) e os homens da "urbe", e por este mesmo facto, indiciam no seu recolhimento a consciência da tragédia no Presente. E o pintor?. De frente, interpela-nos com o olhar, sendo ele o agente da denúncia: Cristo sacrificado está vivo nos dias de hoje. Não é isto uma soberba forma de olhar o sagrado?&lt;br /&gt;A igreja deveria estar grata por uma compreensão tão profunda da crucificação. Não a teve. Caso contrário, honraria o pagamento devido pelas telas, pelas tintas, já que o quadro é a dádiva do pintor à Igreja de Cristo - a da tolerância. Como se acha no direito de só pagar a tela? (parece que nem todo o custo é coberto). E o restante? Não é oferta suficiente a obra de arte?&lt;br /&gt;Cristo não gostaria desta atitude que mais parece de vendilhões do templo... A César o que é de César, a Cristo o que dele é, ao pintor o que se lhe deve!”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, modesto e inconformado figurante na obra, limito-me a pensar que esta Igreja – parece que em crise ética - perdeu a única possibilidade de alguma vez me ter, nem que fosse deste modo, dentro, ou sobre, as paredes dos seus templos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicano in "Rostos on line"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2059616808606748174?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2059616808606748174/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2059616808606748174&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2059616808606748174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2059616808606748174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/12/igreja-do-lavradio-uma-falhada-sistina.html' title='Igreja do Lavradio – uma falhada sistina?'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sx6SJG8QLdI/AAAAAAAAANc/F9XxjUQuySA/s72-c/CAPELA+2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1023531370270926551</id><published>2009-10-28T13:31:00.001Z</published><updated>2009-10-28T13:34:50.859Z</updated><title type='text'>As escolhas da CDU</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SuhIa77cx_I/AAAAAAAAANU/SU2sEvy5Ohc/s1600-h/barreiro.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 298px; height: 252px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SuhIa77cx_I/AAAAAAAAANU/SU2sEvy5Ohc/s400/barreiro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397643781004380146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vêm alguns dos meus amigos e companheiros de partido mostrando alguma irritação pela preferência demonstrada pela CDU, na composição de juntas de freguesia, em relação ao PSD. Os comentários feitos por putativos apoiantes dessa força política são, regra geral, de uma acrimónia que junta gasolina à fogueira. Pelo lado dos meus crê-se que se está perante uma ligação contra-natura – seja lá isso o que for – pelo facto de não ser concebível a coligação de políticas de esquerda com as vontades sociais dos eleitos pela direita. Apertados por esta lógica de difícil refutação os apoiantes da coligação vencedora partem para agressões verbais desnecessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumariado o evento tentemos uma abordagem mais serena da questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já foi mil vezes repetidos e se-lo-á até à exaustão terem as eleições autárquicas um cariz diferente de quaisquer outras. E bem que eu pense que todas as eleições são distintas umas das outras, dependendo quer do órgão a ser eleito, quer da especial conjuntura em que ocorrem ou ocorrerão, aceitemos pelo seu valor facial, para facilidade de exposição, este enunciado. A principal característica diferenciadora destas eleições seria a da extrema personalização dos candidatos. Efectivamente, a prática tem demonstrado que existe forte mutabilidade na vontade dos eleitores, os quais, tantas vezes, nestas circunstâncias, trocam o voto ideológico pelo voto afectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aceite este princípio salta aos olhos que a inelutável vencedora destas autárquicas, no Concelho do Barreiro, foi a CDU. Não só a população lhe outorgou claramente a vitória, como lhe concedeu a maioria absoluta na Câmara, e lhe proporcionou maiorias confortáveis ou absolutas em muitos outros órgãos autárquicos. Ninguém, de boa-fé, poderá pôr em causa o claro sentido do voto da população. O corolário desta situação é que, descendo genericamente a votação em todos os restantes partidos e, consolidando-se ou subindo na CDU, esta está armada de uma legitimidade intransponível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultrapassando a posição pessoal de esperar que um dia a maioria sociológica de esquerda se transforme em política, bem como de considerar como perigosa qualquer maioria absoluta, de qualquer partido, em qualquer órgão de soberania, resta-me aceitar, a contra gosto que seja, que os eleitores deste concelho, declararam sem rebuços, o apoio às políticas seguidas e propostas pela autarquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa política fazia parte a repartição de Pelouros com o Vereador, Bruno Vitorino, eleito pelo PSD e com o Vereador João Soares, PS, que aceitou o cargo à revelia da posição assumida pelo seu partido. Pelo discurso do Presidente Carlos Humberto, na tomada de posse, presume-se que nesta Câmara se irão manter os pressupostos anteriores. Ressalte-se que tendo obtido a maioria absoluta poderia a CDU fechar a vereação nos eleitos pela sua coligação e, não o fazendo, deve salientar-se a abertura democrática desta acção do Presidente Carlos Humberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havendo novidades nesta área, até porque ao BE não foi possível eleger um vereador, fica a situação das “perigosas ligações” nas freguesias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ponto de vista parece-me enfermar de uma falta de lógica de continuidade. Se a Câmara disponibilizou um lugar, é certo que exigindo solidariedade institucional, ao eleito do PSD, porque é que não o poderia fazer nas Juntas de Freguesia? Parece-me óbvio que nenhum impedimento sério se pode colocar quanto à justeza desta posição. Os eleitos de qualquer partidos são, quanto a mim, pessoas estimáveis, com as quais convivemos no dia-a-dia e que, tal como nós procuram, dentro da sua perspectiva, o bem destas populações. Poderão objectar que, a nível da Assembleia da República o panorama será bem distinto. É bem verdade que aí, iremos ver, por coincidência de propostas, muitas vezes o Bloco a votar com a CDU e contra o PSD. Só que, tendo isto em vista, não é lícito aos meus camaradas derivarem estes comportamentos a nível nacional, como espelhamento de escolhas ao nível local. O Barreiro, por razões certamente históricas, tem a peculiaridade, várias vezes demonstrada, de as estruturas locais mostrarem uma independência notória em relação às directivas nacionais dos partidos. Veja-se, como exemplo, as posições sobre a Terceira Travessia do Tejo. É bastante ilustrativa e penso não ser necessário trazer mais factos à colação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, dada a personalização do voto e a desiologização do mesmo, quem é escolhido para o órgão autárquico será, eventualmente, mais a pessoa que o membro do partido. São estes dois elementos que podem explicar as escolhas da CDU. Dever-se-á acrescentar mais um elemento, este sim partidário, que é o do PSD, pelas suas características, não ameaçar o terreno político da CDU e do Bloco, pelo mesmo motivo, pescar nas mesmas águas o que introduz um elemento agonístico na equação. É portanto aceitável que as escolhas havidas só possam ter sido as que foram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não se faz um casamento sem a livre vontade dos nubentes, não deverão os meus camaradas de partido ficar enfadados por terem sido preteridos nas escolhas. É compreensível, pelos factos aduzidos que o tenham sido. Até me parece que tal exclusão é laudatória e deverá motivar a continuidade dos nossos esforços apresentando à população a bondade das nossas acções e programas. Se o soubermos fazer, e relembro que uma eleição se começa a ganhar no primeiro dia do novo mandato e não na campanha eleitoral, os resultados virão naturalmente. Os nossos pontos de vista são, necessariamente, diferentes dos da CDU. Não deveremos pois esperar benesses e facilidades por parte desta coligação, independentemente da qualidade das relações pessoais, devendo sim, demonstrar com clareza as nossas propostas e, como oposição legítima, apresentar, caso a caso, em que se diferenciam e se tornam mais positivas para a população, as propostas e acções que empreenderemos em todos os órgãos em que estamos representados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder autárquico foi estruturado, nos inícios de Abril, com os partidos então colocados nos órgãos de poder. Não será fácil agilizar esta estrutura muito solidificada mas é possível e é esse o trabalho que nos espera. Menos agastamento com escolhas que não nos pertencem e mãos à obra, Camaradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1023531370270926551?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1023531370270926551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1023531370270926551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1023531370270926551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1023531370270926551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/10/as-escolhas-da-cdu.html' title='As escolhas da CDU'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SuhIa77cx_I/AAAAAAAAANU/SU2sEvy5Ohc/s72-c/barreiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2783217207904974512</id><published>2009-10-23T01:18:00.002Z</published><updated>2009-10-23T01:21:24.660Z</updated><title type='text'>In illo tempore, Saramago</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SuEFCbdrTkI/AAAAAAAAANM/GwjuZqFPpqg/s1600-h/drag%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 286px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SuEFCbdrTkI/AAAAAAAAANM/GwjuZqFPpqg/s400/drag%C3%A3o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395599367856672322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota-se, por vezes, que na voz restante da Igreja, reside uma saudade imensa da força que teve o poder excomungante que lhe permitia calar todas as vozes insubmissas ao seu dizer “paternal”. Mais ainda, fica realmente perturbada quando o que é dito, vem de alguém cujo brado possa ser escutada e a confronte, racionalmente, com a irracionalidade do produto que coloca no mercado. Um mercado, diga-se, onde a concorrência é cada vez maior e o peso burocrático da sua máquina a impede de agir com a agilidade necessária à conquista das almas transviadas por outras seduções religiosas ou profanas. Defende-se, portanto, com a outra face da burocracia: o peso da Instituição. Entende, por isso, que quem lhe não veste o dogma, deve-se calar. O contrário será, como afirmaram várias fontes da Igreja perante este caso, ser pouco sério e ignorante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Vaticano, que desde o Evangelho Segundo Jesus Cristo, traz um saramago atravessado na garganta, agravado pelas declarações feitas em Roma, há poucos dias, nas quais o escritor apodava de cínico o Cardeal Ratzinger - actual Papa Bento XVI e anterior Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé - veio, prontamente afirmar que não daria nenhuma importância ao caso conferindo-lhe, de imediato, toda a importância que pretenderia negar-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As afirmações desempoeiradas de Saramago, sobre a Bíblia, no lançamento do seu novo livro Caim, fizeram soltar na praça a ira persecutória do porta-voz da Conferência episcopal, Manuel Morujão, a arrogância de um ou outro teólogo de maior ou menor nomeada, bem como uma revoada de gente bem pensante cujo confessado desejo seria o de eliminar a fonte de tal perturbação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando discorrer com alguma serenidade no meio de tanta comoção apraz-me perguntar o que é a Bíblia? Escrito fundamental para a fundação da nossa matriz cultural, não duvido. Palavra de Deus oferecida aos mortais para seu esclarecimento e guia de vida? Vão falar com outros meninos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As narrativas bíblicas são recolhas de mitos existentes em tradições orais e escritas de várias religiões e regiões do médio oriente, escolhidas e modificadas, de acordo com interesses e actualizações vários, ao longo dos tempos. É um edifício simbólico, não um manual de conhecimentos como os fundamentalistas querem fazer crer. Se não devemos julgar os actos descritos com os olhos morais deste tempo, também não podemos, sem prejuízo de soltar todas as crendices derrotadas pelo conhecimento, aceitar acriticamente o relato bíblico. Deverá ser encarado como um reconto de um dado momento da humanidade, com as suas grandezas e misérias, ajustado às necessidades de unificar um povo – os Hebreus – desunidos por nomadizações e guerras contínuas. A dureza e crueldade existentes no Deus bíblico é a imagem das forças necessárias para a unificação de Israel e para a derrota dos seus inimigos locais. Fazer disto o padrão moral para a nossa época é, no mínimo, risível. Mesmo há dois mil anos, o padrão já estava de tal modo ultrapassado que Cristo teve de subverter o paradigma bíblico para provocar uma mudança cultural. Transformou o terrível deus da ira em deus do amor, não conseguindo, no entanto, ultrapassar todas as contradições que essa revisão provocou. O resultado foi a ortodoxia religiosa usar o seu poder para exigir e causar a sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Igreja, como detentora da”verdade única”, tem uma génese autocrática de que não se consegue desligar. Democracia é um conceito estranho para um corpo de sacerdotes profissionais para quem o máximo bem está no fortalecimento da sua corporação e na manutenção da diferenciação hierárquica. Que o façam em nome de um deus ou de uma qualquer outra força é irrelevante. Por isso vamos encontrar as religiões dominante sempre do lado dos poderosos e utilizadas como forças de subjugação terrena sob promessas de um bem maior a ser outorgado num qualquer paraíso posterior. São estas as ocorrências que levam a um confronto rude sempre que o progresso tenta dar um passo que seja. Por isso as igrejas são, por norma, científica e socialmente reaccionárias. O terreno que a ciência ganha perde-o sempre a crença obscurantista, para grande incomodidade dos que com esta aproveitam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que os próceres da Igreja tenham vindo bramar sem rebuços contra as imprecações anti-blíblicas de um ateu confessado admira-me muito quando, por estes dias, várias igrejas católicas, na América, declaram falência, num movimento sem precedentes e desgostante, com o fito de evitar pagar as indemnizações devidas, por condenação em tribunal dos seus agentes, por actos de pedofilia praticados no decorrer e com a força do seu múnus apostólico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhores Cardeais, senhores Bispos, senhores Padres, para onde se escapuliu, nestes casos, a vossa indignada voz? Por favor, deixem de pretender dar lições de moral ao mundo e tratem de limpar o que de podre vai no vosso reino. Lembrai-vos que o Mestre, que dizeis seguir, afirmava ser mais fácil reparar no argueiro que entrou no olho do vizinho que aperceberem-se da trave que vos habita o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2783217207904974512?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2783217207904974512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2783217207904974512&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2783217207904974512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2783217207904974512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/10/in-illo-tempore-saramago.html' title='In illo tempore, Saramago'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SuEFCbdrTkI/AAAAAAAAANM/GwjuZqFPpqg/s72-c/drag%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1113618326011171354</id><published>2009-10-09T11:26:00.001Z</published><updated>2009-10-09T11:30:37.980Z</updated><title type='text'>Memórias XVIII – trago um país</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Ss8eZpmtXSI/AAAAAAAAAM8/kYAWLTnZmCE/s1600-h/abril+-+foto+de+BlueShell.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Ss8eZpmtXSI/AAAAAAAAAM8/kYAWLTnZmCE/s400/abril+-+foto+de+BlueShell.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390560704999546146" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foto de BlueShell&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trago comigo&lt;br /&gt;um país achado em Portugal&lt;br /&gt;trago um país meu&lt;br /&gt;por final&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trago comigo um país de mel e poesia&lt;br /&gt;um país de vinho&lt;br /&gt;um país amargo&lt;br /&gt;trago um país que há muito não havia&lt;br /&gt;e que foi encontrado ao largo&lt;br /&gt; de si mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trago um país repartido a esmo&lt;br /&gt;um país vizinho e longe&lt;br /&gt;em vento e tortura abandonado&lt;br /&gt;num país de novo construído&lt;br /&gt;de novo este país foi encontrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levo comigo um país de tempos idos&lt;br /&gt;um país que não volta&lt;br /&gt;sem saudades&lt;br /&gt;trago num sorriso à rédea solta&lt;br /&gt;um país que me fala de verdades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;digo trigo e pão e primavera&lt;br /&gt;o sol nasce&lt;br /&gt;digo tempo era&lt;br /&gt;e hoje faz-se&lt;br /&gt;o país que em mim trago ousadamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho uma pátria trago um país agora&lt;br /&gt;enormemente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Lisboa, Primavera de 1974&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1113618326011171354?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1113618326011171354/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1113618326011171354&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1113618326011171354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1113618326011171354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/10/memorias-xviii-trago-um-pais.html' title='Memórias XVIII – trago um país'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Ss8eZpmtXSI/AAAAAAAAAM8/kYAWLTnZmCE/s72-c/abril+-+foto+de+BlueShell.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1790825620503716732</id><published>2009-10-01T15:38:00.001Z</published><updated>2009-10-01T15:41:17.064Z</updated><title type='text'>O Bloco, segundo Bruno Vitorino</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SsTNisX9ciI/AAAAAAAAAM0/0p2rYzdTDDI/s1600-h/2546_Bloco_Esquerda_logo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 195px; height: 208px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SsTNisX9ciI/AAAAAAAAAM0/0p2rYzdTDDI/s400/2546_Bloco_Esquerda_logo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387657050152858146" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Confessando a minha simpatia pelas pessoas do Vereador Bruno Vitorino e do candidato à Câmara Municipal Nuno Banza e, a título meramente pessoal, não posso deixar de tecer breves comentários às afirmações produzidas pelo primeiro, dadas à luz na edição “on-line” do Rostos de 30 de Setembro, a propósito, ou a despropósito, do Bloco de Esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aponta Bruno Vitorino as suas baterias dizendo não ter o Bloco de Esquerda feito o trabalho de casa e de não ter ideias para o Barreiro. Como a notícia não esclarece mais não sei a que trabalhos, que devessem ter sido feitos e não o foram, se refere o Vereador. Se, no entanto se quiser esclarecer basta dar-se ao trabalho de “folhear “ o Rostos e depressa de aperceberá das intervenções do Bloco nos órgão políticos onde tem representação e na sociedade em geral, durante todo o tempo e não apenas em períodos eleitorais, feitas no e sobre o Barreiro. Espero que reflicta e não queira entrar naquela categoria do “pior cego é o que não quer ver”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmação de não ter o Bloco ideias para o Barreiro é arrogante e simplista. Arrogante porque pressupõe o princípio erróneo de que a inteligência e esclarecimento são património exclusivo de um homem ou de um partido; simplista porquanto parte da noção de o que não vê ou não sabe é pura inexistência. Esta é uma posição muito restrita e paroquial que é perigosa para quem se propõe ao governo dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, como afirma o candidato Nuno Banza, não será muito curial que os simpatizantes do Bloco venham a votar PSD, ou vice-versa. Se o amor à democracia nos une, muita coisa sobre a forma de a pôr em prática nos separa. Por isso, por aí, não virá grande perigo para qualquer dos partidos. Então porquê esta incomodidade que o Bloco de Esquerda parece suscitar em Bruno Vitorino que o leva a querer evidenciar, estraçalhando a realidade, miríficas incapacidades do Bloco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só uma resposta me parece plausível. No Concelho do Barreiro o Bloco teve uma votação superior à obtida pelo PSD. O receio sustentado de que, a manter-se este resultado, perca o PSD o seu vereador a favor do Bloco é a real substância de tais afirmações. Não duvido que o temor seja legítimo mas, para bem de todos, devemos dignificar a política não recorrendo a este tipo de argumentos infundados, desprestigiantes para quem os utiliza. Façamos, isso sim, uma política informada, baseada no desejo das melhores soluções para a Cidade, consultando com boa-fé as propostas dos adversários e a bondade dos seus programas, criticando as verdadeiras ineficácias ou as reais actividades que desmereçam o proposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o não conhecer terei todo o gosto em enviar-lhe o programa autárquico do Bloco de Esquerda do Barreiro, para que consigo não se passe o que se passou com a sua líder nacional a qual, por semelhante arrogância, também não reconhecia nos outros a existência de programas e ideias capazes de pensar e renovar o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja o resultado que deu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.&lt;/em&gt;pt&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1790825620503716732?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1790825620503716732/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1790825620503716732&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1790825620503716732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1790825620503716732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/10/o-bloco-segundo-bruno-vitorino.html' title='O Bloco, segundo Bruno Vitorino'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SsTNisX9ciI/AAAAAAAAAM0/0p2rYzdTDDI/s72-c/2546_Bloco_Esquerda_logo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-3344393403488993325</id><published>2009-09-28T13:49:00.000Z</published><updated>2009-09-28T13:51:52.856Z</updated><title type='text'>Primeiro os parabéns…</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SsC_a8GqC4I/AAAAAAAAAMs/Ke0yRDhK4jI/s1600-h/elei%C3%A7oes.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 166px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SsC_a8GqC4I/AAAAAAAAAMs/Ke0yRDhK4jI/s400/elei%C3%A7oes.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386515623866665858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem viveu em tempos de direito de voto condicionado, nulo ou perverso, o decorrer normal de qualquer eleição, tenha os resultados que tiver, é, só por si, motivo de festa interior. Por mais umas eleições livres está de parabéns o País. Também deverá ser felicitado por, na sua escolha, ter introduzido mais um elemento de democracia na Democracia. Trata-se da supressão da maioria absoluta e do regresso do poder ao Parlamento, local primordial, por natureza, do querer democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como venho defendendo, a maioria absoluta é uma subversão do sistema preparado para relativizar o poder e mantê-lo dentro dos limites da sua representatividade.  A dispersão do voto por mais partidos torna a representação mais real embora exija, de quem quer governar, a procura incessante de consensos. É mais difícil, é mais trabalhoso, mas é mais equânime. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando as congratulações dirijo-as seguidamente ao PS, vencedor aritmético do prélio e seguramente mandatado para a formação do novo governo; ao CDS-PP, com um amargo de boca da minha parte, porque obteve uma clara vitória conseguindo todos os objectivos a que se propôs, ficando em posição excelente para condicionar, para as suas propostas, a acção do futuro governo; ao Bloco de Esquerda pelo crescimento exponencial da sua votação, número de deputados e consolidação no terreno e ao PC porque, apesar de perder o lugar no &lt;em&gt;“ranking&lt;/em&gt;”, conseguiu aumentar o número de votantes e, em Setúbal, averbou mais um deputado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;depois os cuidados!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quadro saído destas eleições é complexo e pode vir a tornar-se preocupante. Advém-lhe a complexidade das diversas geometrias de poder que se poderão constituir. Assim, não entrando em linha de conta com os votos da emigração ainda por atribuir, o somatório de deputados do PSD e do PP, ultrapassam em dois lugares os votos do PS, podendo perspectivar-se com escolha governativa. Não crendo que o Presidente, por fragilizado, se atrevesse a tal feito, ele é, constitucionalmente possível. Ao Presidente cabe indicar o Primeiro Ministro tendo em conta os resultados eleitorais. O conjunto da direita é, em relação ao PS, maioritário. Outra maioria possível é facultada com um acordo PS/CDS. Só que aqui, a facilidade governativa, tenderia a incendiar os conflitos internos no PS. E Sócrates, para ganhar, viu-se obrigado a compromissos com a ala esquerda do seu partido, esgrimida, em desespero de causa, na recta final da campanha, tendo como endereço os possíveis votantes no bloco de esquerda. A maioria PS/PSD, a presumivelmente mais estável em termos de governação, está impossibilitada pela previsível contenda interna no segundo partido e pela necessidade do seu novo líder ter de ganhar espaço opondo-se às políticas governamentais.  A maioria de esquerda,  apenas existente aritmeticamente, é inviável no quadro de uma política que, embora de modo mais &lt;em&gt;“soft”, &lt;/em&gt;se inscreverá no conjunto de soluções anteriormente apresentadas pelo Governo Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, perguntar-se-á, não ganhamos nada, ficou tudo na mesma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta é um rotundo não! O quadro político foi substancialmente alterado. Mudaram, na direita, as dinâmicas interpartidárias; nas esquerdas voltou, apesar de tudo, a reforçar-se a maioria sociológica que , paulatinamente, se tem vindo a afirmar; e o primeiro ministro a empossar, quer queira, quer não queira, terá de contar com ela, não só para apoiar algumas medidas de esquerda, como para manter a paz no seu partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Presidente da República?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria, provavelmente agora, o seu momento de maior poder e glória mas, depois do incidente cretino das escutas – e antes de ele vir explicar-se ao Povo – creio bem que pode iniciar-se aqui a sua caminhada para a não reeleição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-3344393403488993325?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/3344393403488993325/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=3344393403488993325&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3344393403488993325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3344393403488993325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/09/primeiro-os-parabens.html' title='Primeiro os parabéns…'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SsC_a8GqC4I/AAAAAAAAAMs/Ke0yRDhK4jI/s72-c/elei%C3%A7oes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-3231376701670219904</id><published>2009-09-22T11:31:00.001Z</published><updated>2009-09-22T11:32:33.946Z</updated><title type='text'>Memória XVII - ofício</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sri1yIiV43I/AAAAAAAAAMk/t0vuisGzWvQ/s1600-h/paixao.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 293px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sri1yIiV43I/AAAAAAAAAMk/t0vuisGzWvQ/s400/paixao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384253227411039090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;longo das paixões latentes gelos&lt;br /&gt;as distâncias giram&lt;br /&gt;fascinando círculos de som&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem vómitos nem água&lt;br /&gt;inauguram a nuvem&lt;br /&gt;móbil de procura o sol&lt;br /&gt;distende gritos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;colar os lábios às casas&lt;br /&gt;instantes que restam&lt;br /&gt;nos remos da memória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;húmidos recôncavos do sono&lt;br /&gt;alquímicos véus da floresta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tão duro ofício a reconhecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lisboa, Agosto de 1984&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-3231376701670219904?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/3231376701670219904/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=3231376701670219904&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3231376701670219904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3231376701670219904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/09/memoria-xvii-oficio.html' title='Memória XVII - ofício'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sri1yIiV43I/AAAAAAAAAMk/t0vuisGzWvQ/s72-c/paixao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8492498940269059735</id><published>2009-09-17T11:43:00.003Z</published><updated>2009-09-17T11:50:01.461Z</updated><title type='text'>A Sétima Vaga</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SrIiX3gXN8I/AAAAAAAAAMU/jrmgQV9rtjI/s1600-h/vaga"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SrIiX3gXN8I/AAAAAAAAAMU/jrmgQV9rtjI/s400/vaga" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382402298093189058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma velha lenda do sudeste asiático, terras bem conhecedoras de violentos maremotos, conta-nos que a Natureza, em virtude dos maus tratos que os homens lhe dão, por vezes se zanga com a humanidade. Nessa altura as águas do mar invadem a terra e a sétima vaga destrói todos os vestígios humanos em terra. Ao cataclismo, mito paralelo ao dilúvio ocidental só que com repetições periódicas, segue-se a regeneração da humanidade, a partir de uns quantos sobreviventes escolhidos. Este ciclo continuará enquanto as sociedades não chegarem à plena harmonia com o todo e forem cometendo erros contra a Natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo-me de, há também muitos anos, ter visto um documentário sobre um colónia de insectos que viviam em folhas de nenúfares flutuando num lago. A ausência de predadores e a organização social dos bichos permitiram que se tornassem espécie dominante e com grande sucesso demográfico. Com tanto êxito que, o excesso de população e consumo, fez afundar as folhas de nenúfar destruindo, por afogamento, toda a população. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como se fora uma Atlântida dos insectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes dois exemplos servem para introduzir a questão que tenho vindo a colocar-me com frequência e que, sendo de fácil resolução em termos racionais, é praticamente impossível de pôr em prática por causa de direitos, desejos e emoções. É tal magna pendência a de saber se o modelo de crescimento contínuo em que vivemos poderá manter-se indefinidamente e para todo o género humano. Ressalta perfeitamente, a qualquer ser pensante, que não é possível tirar proveitos infinitos de coisa finita. Só se podem retirar objectos de um saco enquanto ele não estiver vazio. No entanto, em relação às possibilidades do Globo, é deste modo que procedemos. Agimos como se os bens fossem inesgotáveis e fosse possível manter o crescimento das produções ininterrupto e por todo o sempre. Mas o que acontecerá se defendermos que as nações, nestes actos, estão a depredar o nosso habitáculo – o planeta – e que melhor seria diminuir os nossos consumos de molde a fazer-se uma distribuição equitativa e racionalizada por toda a humanidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Bem, isto seria o cabo dos trabalhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja-se como toda a gente já percebeu que a continuidade do modelo de vida e consumo ocidentais – a expandir-se para todos os lados – vai conduzindo, pelo aquecimento global, à situação em que, como no mito citado, a Natureza lança a sua sétima vaga de absoluta limpeza. Que fazem as nações? Conversam, combinam e nada cumprem, agravando cada vez mais o problema, porque ninguém quer ceder um pouco do seu bem-estar e da ambição de incessante aumento do mesmo, de molde a abrandar o esgotamento e deterioração do ambiente e dos recursos naturais. &lt;br /&gt;E têm, aparentemente, razão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que eu hei-de ceder algo das minhas facilidades a favor de outros que nem conheço ou de um tempo em que já não estarei no mundo? Por outras palavras, porque hão-de os brasileiros deixar de melhorar a sua economia, devastando o pulmão do mundo – a Amazónia – para favorecer o nosso tipo de vida a que tão poucos deles têm acesso? Ou os chineses continuarem em pobreza endémica para não acrescentar mais poluição à gerada pelos países industrializados? E que partido, no Ocidente, de direita ou de esquerda, ousaria incluir no seu programa medidas de decréscimo de bens ou diminuição de protecção social sem ver desertar eleitores?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Os geólogos bem nos avisam contra as várias extinções em massa ocorridas no nosso planeta. Se é verdade que tais factos se devem a causas exteriores como as radiações gama - provenientes de supernovas -, ou impacto de meteoritos; ou internas tais os vulcões, a divisão de massas continentais ou mudanças climáticas, a verdade é que agora, mercê da acção da humanidade, já se antevêem alterações ambientais que poderão vir a acrescentar mais um estrato geológico para o estudo de espécies malogradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dir-me-ão os senhores a que propósito virá este arrazoado cataclísmico quando parto do princípio que falar de tais coisas é como pregar no deserto e que nunca, por nunca ser, deixaremos o produtivismo continuado e o trocaremos por um decréscimo de consumo mais compaginável com as possibilidades da Terra? A minha resposta, acompanhada por um sorriso cínico de impotência, será a de obter assim a única satisfação permitida a Cassandra. É a de olhar do alto o indígena atónito e pespegar-lhe um sonoro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Eu bem te avisei, não foi?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um pouco antes de, imparável, a sétima vaga fazer ruir todo o orgulho humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8492498940269059735?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8492498940269059735/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8492498940269059735&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8492498940269059735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8492498940269059735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/09/setima-vaga.html' title='A Sétima Vaga'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SrIiX3gXN8I/AAAAAAAAAMU/jrmgQV9rtjI/s72-c/vaga' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1890173556181090081</id><published>2009-09-03T14:09:00.002Z</published><updated>2009-09-03T14:12:03.667Z</updated><title type='text'>Karta abrida ós tupidos k diz male do sistema de edukassão</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sp_OqbECfSI/AAAAAAAAAME/1c0ZU3vz0jk/s1600-h/Burro.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 398px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sp_OqbECfSI/AAAAAAAAAME/1c0ZU3vz0jk/s400/Burro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377243708318186786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barreiro, 2 de Çetembro de 2024&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xenhor dretor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai fecar bem barafundado ao receber esta minha. Mas seu lhe diser cos amaricanos apezar de serem gajos brutos e sem coltura como agente sabe iventaram uma manera de cumunicassao co passado já fica a perceber a marosca. E assim um genero de canal mimoria mas k premite cagente escogna o pasado k ker ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Çei muto bem k tam ai em tempu de ileicoes e ca eskerda nam sabi faser  mai nada k dizer male da pulitica de inducassao do inginheiro Xocrates de da menistra Lurdes. Iço e uma  a fronta nam so ao groveno bestiale deses sinhores cumo uma froma de despritijo de kantos comaeu fazeram o encino secondario neça epoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Çei bem que nam foxem eles euca nunca ter akabado o insino secondario. Cumo era jove dava faltas todos dias. Kem me valeo foi a çenhora menistra Lurdes k nam premitio cós çafardanas dos profs me xumbaçem por faltas. Tamem não deixou k so pro não çaber a procaria da materia nam ma deichazem paçar de ano. Inda ma lembra do barulho cós gajos fazeram.  Kakilo era prastatistica co foturo saria de anafabetos funsionais cagente avia de ficar no rabo da eropa e era todo tretas. Basta vermamim i o me primo que fes o 12 ano nas novas oprotunidades e cagora vive munta bem aqui no Algrave a çervir no restorante ao ingleses, franseses e lemoes k jacatam de novu a gosar o klima e as augas kentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agente pra çervir no terismo nam preciça de çaber aquelas coisas do zarolho pareçeme que se xamã os lucindas e e uma cuscuvilhize do carlos da maia andar a dromir com a irman. Çisto e la coiza ksensine a crianças nuvinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xame a atenzam no seu jronal para a neçeçidade de elejer de novo o sinhor inginheiro pra ca Lurdes poça voltar a dar no coco aos deslanbidos dos prof. Pra ver çeles ganham juiso e por pura malvades nam crotam a pernas aqules k comaeu so kerem vençer  na vida e comsegir uma boa vida cum karrinho e um plaxma pra se desstrair opois do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penço k sou um bom esemplo das medidas acertadas desse groveno k estaquaze acabar. Nam neguen a poçibilidade  deles continureim a faser tambom trabalho para o foturo de tudos nos. Votem neles pra puodermos  garantir uma suciedade onde todos tenhao direito a fazer o 12 ano sem medo de xumbarem. Viva a igoldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1890173556181090081?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1890173556181090081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1890173556181090081&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1890173556181090081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1890173556181090081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/09/karta-abrida-os-tupidos-k-diz-male-do.html' title='Karta abrida ós tupidos k diz male do sistema de edukassão'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sp_OqbECfSI/AAAAAAAAAME/1c0ZU3vz0jk/s72-c/Burro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8262028000452023012</id><published>2009-08-06T13:21:00.003+01:00</published><updated>2009-08-06T13:27:32.182+01:00</updated><title type='text'>Memória XVI - Ai de quem</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SnrMInGczUI/AAAAAAAAAL8/nhpAE312XzA/s1600-h/varandasobreomar.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 301px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SnrMInGczUI/AAAAAAAAAL8/nhpAE312XzA/s400/varandasobreomar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366826354272423234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado na varanda do seu desejo o poeta trabalha no poema. O  mar em frente penetra-o pelo olhar. Ausente, vai modelando no seu íntimo a mais sublime peça poética que o mundo poderá saborear. As palavras  saem do arquivo da memória, passam no coador do gosto, juntam-se na epiderme da sensibilidade, prontas quase à recusa ou ao conceito do conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a este poeta foram tecidos nas praças das letras hagiografias intocáveis. É um homem de cultura e nome feitos. Fala-se dele nos jornais e outros  meios de comunicação titulando-o de enorme, monstro das letras, talentoso, inspirado, um  que sei mais de  qualificativos em extremo. Quase se pode ficar esmagado debaixo do peso de tal fama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o nosso poeta gosta. E mais, pensa que é de menos. Considera como insuficiente a glória tida. Tal como o oceano, que o contempla, ele aspira à sem razão de medida. Um infinito será talvez suficiente, mas o grande que ele tem é ainda pequeno. Quer muito de mais. Por isto, ele se pende sobre o mar. Ele busca, ele constrói. Por isso, lentamente o seu poema toma forma, vai crescendo. E no mirar-se, fazendo-se poema, não pode ouvir, queixando-se  solitária a mulher que quis ser a companheira e está sozinha, atrás do poeta, atrás do mar, muito aquém da varanda do desejo, onde se busca, onde se perde, onde a memória recusa qualquer coisa  que não seja o poema em escrita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo rola. Na cidade perto do mar a vida das pessoas flui. É comummente atroz e agradável. Nas marítimas ruas dessa cidade perpassam  gaivotas e aromas salinos entremeados de vozes. Um mundo de gente, de barcos, de irmãos e inimigos. Nesta cidade edifica-se a glória do poeta. São aquelas mãos dadas que o lêem , o fazem grande e o mitificam. Dele sabem apenas os seus versos. O poeta é uma forma de leitura.  Do homem nada sabem. Por isso o idealizam puro como uma intenção, por isso ele se pensa plano e sereno  tal uma grande planície levemente soprada pela brisa, onde toda a calma permanece estável há séculos sem conto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De mansinho, como que estando numa igreja sem ninguém, os medrosos dedos tacteiam os ombros do poeta. Ele volta-se de rompão, desabrido. Malcriado grita à mulher a estupidez do momento em que lhe perturbou os sentidos quando a rede da sua imaginação, quase-quase, aprisionara a fúlgida borboleta da inspiração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante o pavor expresso nos olhos da companheira ao aceitar, passiva, o sacrilégio cometido, cresce-lhe no peito o gozo do poder. Desencarnando um largo gesto, olímpico na fala, teatral no todo, berra desaustinado o manso poeta dos versos, tocantes e oficiais, para namorados de acordo com a ordem social vigente, aceite e recomendável. À companheira diz da grandeza de que está investido. Aumenta-se diminuindo-a. Ela, transida e crédula,  sente a desgraça no olhar irado do deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amachuca-se, pede perdão. O poeta-deus, terrível aponta no acusador índex, a saída do paraíso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher, derrotada, em vão implora a graça de um olhar, de uma palavra amiga, de um pouco da compreensão que  ele esbanja por páginas e páginas de romances e poemas elevados à celebridade dos compêndios escolares. Nada demove a granítica vontade .A mulher desaparece da sua vida deixando o cenário do conto um pouco mais vazio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intemporal o poeta continua a criação do grande poema, do último, do definitivo. Com ele encerrará a sua obra e todas as outras obras ainda por escrever. Ele será o último e o único. Ele poema. Ele poeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao que parece, na cidade junto ao mar passou a fome, a guerra, a doença. Nada tocou o poeta. De  nada se apercebeu. A sua obra enche-o por completo. É o trabalho mais importante  do mundo. É a esperança de toda a gente. Ele dirá tudo, ele resolverá todos os problemas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                No princípio, tal como no fim, será o verbo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na varanda do seu desejo o poeta , contemplando o mar,  envelheceu e morreu. O seu último poema, unanimemente considerado uma obra de génio, um programa de vida e o  retrato daquele homem amável e humano, começava assim: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   &lt;em&gt;Ai de quem vive a vida instalado&lt;br /&gt;                   na varanda do desejo virado ao mar ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Ai de quem  egoísta e santificado &lt;br /&gt;                   não deu de si aos outros mais que simulação &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Ai de quem Ai de quem Ai de quem &lt;br /&gt;                   estragou a sua vida na contemplação ...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8262028000452023012?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8262028000452023012/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8262028000452023012&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8262028000452023012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8262028000452023012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/08/memoria-xvi-ai-de-quem.html' title='Memória XVI - Ai de quem'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SnrMInGczUI/AAAAAAAAAL8/nhpAE312XzA/s72-c/varandasobreomar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-6721921114800084503</id><published>2009-07-14T17:46:00.001+01:00</published><updated>2009-07-14T17:49:25.427+01:00</updated><title type='text'>Adeus Amigo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sly3Be0FNgI/AAAAAAAAAL0/oPHkHQylaGg/s1600-h/palma.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 252px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sly3Be0FNgI/AAAAAAAAAL0/oPHkHQylaGg/s400/palma.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358358892743308802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(uma pequena lágrima por Palma Inácio)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A penúltima vez que estivemos juntos foi em 13 de Maio de 2000, quando um enorme grupo de amigos se juntou para te ver receber, das mãos de Manuel Alegre, a Grã Cruz da Ordem da Liberdade, que o Presidente Sampaio merecidamente te outorgou mas da qual não quis fazer-te entrega pessoal. Sei bem que a justificação dada era que se não encontrava disponível por afazeres fora de Lisboa. No entanto, ironia das coisas, quando com os meus amigos Roque Laia, Santos e Pimenta (que aqui, sem o seu consentimento, trago por testemunhas) saímos, por uns momentos, da estufa-fria para irmos a um café, ironia das ironias, fomos afavelmente cumprimentados pelo ilustre Presidente da República o qual, calmamente, se passeava na rua, a escassos metros do acontecimento, com o seu filho. Não é caso para admirar. Foste sempre necessário mas incómodo. Os teus métodos não seguiam a linha da hipocrisia dominante. Para ti a luta não ficava apenas pelas discussões de putativos direitos em intermináveis debates. Tal como Hoederer, nas Mãos Sujas, de Sartre, também tu sabias que a revolução não era uma festa de salão e estavas disposto a dar tudo, inclusive a vida, pela sua realização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foste sempre o herói trágico e incompreendido. Muitos se utilizaram dos teus feitos mas poucos te reconheceram oficialmente os méritos. Já depois do 25 de Abril, quando tantos serventuários do fascismo se passavam de campo e continuavam a ter, ou ganhavam novas sinecuras, tu, o herói apontado às massas e aos estrangeiros como exemplo romântico do revolucionário, passavas fome e vivias mais que modestamente, nada pedindo para ti, tentando sempre fazer avançar a revolução, o socialismo, a liberdade e a igualdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre te reconheci amigo do teu amigo e agradecido pelo pouco de bem que te fizessem. Por isso continuamente honraste Mário Soares que sabias companheiro seguro dos dias maus. Muitos te recriminaram, por tal posição, dizendo que fazias concessões de direita. Eram pequenos moralistas de circunstância incapazes de reconhecer o teu valor humano e de compreenderem que, para ti, revolução sem sentimentos e dignidade não era revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto saudades de ti, hoje, 14 de Julho de 2009 porque amigos me telefonaram, comovidos, dizendo “morreu o Velho”. Para te designar não usávamos nem era preciso outras palavras. Nem chefe, nem presidente, caudilho ou secretário-geral. Era apenas, simples e totalmente, o Velho! E estava tudo dito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros te farão panegíricos e darão da tua vida a conta mais ou menos correcta. Não é minha intenção - nesta hora em que medito sobre a morte de um amigo que nos deixou ainda mais pobre do que era quando nasceu e que bem poderia ser um dos poderosos deste país (e não só) - desfilar os êxitos e os sofrimentos do teu percurso vital. Quero apenas recordar-me da nossa convivência, dos acordos e desacordos, sempre fortes mas frontais, que tivemos e da idêntica vontade de construir um mundo onde a humanidade prevalecesse sobre todas as doutrinas e a vida de cada pessoa decorresse sem vénias necessárias a qualquer tipo de senhor.&lt;br /&gt;Sei que todos os teus amigos hoje se vão sentir um pouco mais sós. Faz parte do luto! No entanto o que nos vais deixar é a tua crença e a perseverança que sempre mantiveste, ao longo da vida, mesmo nos momentos mais dolorosos e deprimentes. Espero que sejamos dignos de ti e que, quando soar a nossa hora, alguém possa de nós dizer o que aqui sobre ti afirmo ao mundo inteiro: Que os sinos dobrem sem rebuço. Hoje, morreu um Homem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-6721921114800084503?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/6721921114800084503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=6721921114800084503&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6721921114800084503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6721921114800084503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/07/adeus-amigo.html' title='Adeus Amigo'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sly3Be0FNgI/AAAAAAAAAL0/oPHkHQylaGg/s72-c/palma.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-382892140718476145</id><published>2009-07-01T17:34:00.001+01:00</published><updated>2009-07-01T17:36:10.129+01:00</updated><title type='text'>nestas ruas o sentido</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SkuQb0dtCnI/AAAAAAAAALs/3XP70FFZ0Xk/s1600-h/rua.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 309px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SkuQb0dtCnI/AAAAAAAAALs/3XP70FFZ0Xk/s400/rua.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353531389674064498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu amor o desalento nestas ruas&lt;br /&gt;é viagem perfeita de chegadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;toda a cidade nos envolve de sonhos&lt;br /&gt;e promessas e angústias&lt;br /&gt;portas ensombradas à espreita&lt;br /&gt;das tuas pernas animais libertos&lt;br /&gt;ao exterior das gentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;interiorizo enormemente esses momentos&lt;br /&gt;plenos do sentido da passagem&lt;br /&gt;e nos esquecimentos a mulher&lt;br /&gt;é verdes penas sobre águas&lt;br /&gt;nos dias invernais intranquilos&lt;br /&gt;vaga consciência que adivinha&lt;br /&gt;no rosto o passo solicitando o ventre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha amada&lt;br /&gt;são percursos do amor&lt;br /&gt;o não chegar&lt;br /&gt;quando a estrada&lt;br /&gt;nos repudia os traços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tendo em conta a breve eternidade&lt;br /&gt;que vamos obter&lt;br /&gt;para nada caminho meu amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alças a voz&lt;br /&gt;arrebanhas o vento&lt;br /&gt;e danças na música das algas&lt;br /&gt;a tristeza semeada pelos muros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e no tempo de dizer-te meu amor&lt;br /&gt;a voz vibra passado&lt;br /&gt;sem timbre de futuro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-382892140718476145?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/382892140718476145/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=382892140718476145&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/382892140718476145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/382892140718476145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/07/nestas-ruas-o-sentido.html' title='nestas ruas o sentido'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SkuQb0dtCnI/AAAAAAAAALs/3XP70FFZ0Xk/s72-c/rua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5898865024388025536</id><published>2009-06-26T11:28:00.001+01:00</published><updated>2009-06-26T11:35:15.723+01:00</updated><title type='text'>O que é isso da governabilidade?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SkSkVtGxkGI/AAAAAAAAALk/g7d9wVun9rU/s1600-h/assembleiadarepublica.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 281px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SkSkVtGxkGI/AAAAAAAAALk/g7d9wVun9rU/s400/assembleiadarepublica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351582950015209570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que Paulo Rangel venceu Sócrates nas Europeias, a Direita acordou! Mas despertou receosa de que, no próximo confronto, tal espavento não se repita e os partidos de esquerda voltem a somar a maioria absoluta dos votos expressos. Para que tal não aconteça é necessário agitar alguns papões ameaçadores .O bloco de direita – PSD, CDS a que , pelas suas recentes posições, é licito  juntar o Presidente da República – está unido em torno de três ideias básicas as quais,  sendo puros mitos, pretendem simular verdades absolutas: a da governabilidade, a da simultaneidade das eleições legislativas e autárquicas e a da economia por corte das grandes obras públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira  questão é apresentada como se qualquer unidade pós-eleitoral só fosse possível à direita.  Espera-se que o PSD ganhe as legislativas e componha a maioria com o CDS ou, cereja em cima do bolo, que o bloco central de interesses económicos venha a traduzir-se num bloco central da política unindo PSD e o PS. Por outro lado, na esquerda apenas pressentem impossibilidades. O PS nunca uniria esforços com o PCP e, muito menos ainda com, dizem eles, o imaturo Bloco de Esquerda. A pergunta a fazer-se é porquê? Que fatalidade genética dará aos partidos de direita maior capacidade ou apetência para a governação e as retira às esquerdas? Em que tratado de Política, ou de Biologia, tal se demonstra? Já se esqueceram de Durão Barroso, do seu pântano e do precipitado abandono do governo para rumar à sinecura europeia, deixando pendurados os portugueses, entre eles, oh! Ironia, a ministra Ferreira Leite mais o seu doloroso programa de emagrecimento da população? Já estamos esquecidos que as acções governativas da direita são aquelas que conduziram o mundo às guerras e a  esta crise? Mais liberalismo sem freio? Mais mercado a dirigir os destinos do mundo sob a lenda da auto regulação, quando sabemos que o seu objectivo é sempre explorar, até ao limite e sem ética, todas as possibilidades? Esquecendo que o seu único objectivo é a máxima acumulação de riqueza, num exíguo número de empresas ou pessoas, e quando os limites são atingidos abandonando   as populações empobrecidas aos problemas por eles criados  na ânsia louca de um desmedido enriquecimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos de tornar claro que a acção comum das esquerda é uma possibilidade. Perante propostas e políticas concretas, que defendam as populações trabalhadoras, qualquer dos partidos de esquerda pode, e muitas vezes já foi feito, juntar as suas vozes e votos para tornar possível o melhoramento da vida da nossa gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda ideia-força é a da simultaneidade das eleições. O grande argumento é a poupança feita se as eleições decorrerem no mesmo dia. Se os argumentos forem somente os de índole económica, na fronteira, chegaremos à denegação da democracia porque, aparentemente é mais cara que qualquer regime de quero, posso e mando. Na realidade  apenas o PSD defende eleições simultâneas. Fá-lo, sejamos claros,porque lhes parecem ser mais favoráveis aos seus desígnios, porque pensa optimizar assim os seus resultados eleitorais. Todos os outros partidos preferem eleições desligadas. Será porque são mais perdulários que o PSD? Claro que não! Também aqui se joga o interesse próprio de cada partido. No entanto há algo mais a juntar a esta posição. Cada eleição tem a sua dignidade e o seu espaço próprio. Misturá-las, não sendo crime de lesa democracia, é sem dúvida subalternizar uma em relação à outra. Ora isto seria um mau serviço, a longo prazo, à democracia. Seria como cortar na comida e ficar admirado por se ter   fome. Não me parece, à primeira vista, que devamos submeter-nos à ilusão económica prestando, nesse passo, um péssimo serviço à democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente a grande preocupação com a dívida, resolúvel no corte dos investimentos com as obras públicas, faze-me lembrar lágrimas de crocodilo. Que é preocupante a subida do endividamento, claro que é! Todos o sabemos. Mas serão todas as dívidas iguais? O endividamento ao jogo é semelhante ao investimento numa máquina para produção? O que se deve discutir não é se vamos gastar muito dinheiro, mas sim o que poderemos ganhar com esse gasto. Desta discussão foge a direita preferindo a facilidade de um economicismo parvo. No entanto, sabemos que, caso ganhasse as eleições, algumas destas agora contestadas obras teriam que ser feitas. O aeroporto de Lisboa é um enorme risco. Tem-nos valido Nossa Senhora de Fátima ou dos aviões senão já uma aeronave se teria esmagado sobre o casario lisboeta. O aeroporto está cercado pela cidade e terá, inevitavelmente de ser mudado. Como está decidido ser em Alcochete, teriam de construir-se acessos e, lamentando ter de dar o braço a torcer, lá viria a direita dizer que afinal a ponte era necessária. Só que num outro local onde servisse melhor a sua clientela e não nestas zonas demasiado vermelhas para o seu requintado gosto. E o TGV? Claro, com o impulso que a direita, em boa hora eleita, daria ao mercado, seria necessário um meio de transporte expedito para que os homens de negócio pudessem, sem perdas de tempo, encontrar-se em qualquer ponto da Ibéria. Lá viria o comboio rápido solucionar parte do problema.  Pareço demasiado cínico na minha exposição? Olhem que não! Na verdade esta súbita moderação da direita não é real. É meramente estratégica. Visa assustar para dominar. Afinal quem é que, em primeiro lugar, beneficia dos grandes  empreendimentos senão as grandes empresas? E de quem são eles apoiantes? Do Bloco, não! Do PCP, tão pouco! Do PS, às vezes quando faz o jogo liberal. Do bloco de direita? Certamente e sem qualquer dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, sabendo isto, não nos deixemos embalar em cantos de sereia a vamos, frontalmente, recusar os receios que a direita tenta injectar na vontade dos portugueses e dizer claramente que a maioria é o povo e que o povo espera uma esquerda que não se traia nem o traia. Desta forma poderemos fazer frente à crise e ultrapassá-la em benefício dos que diariamente labutam com um mínimo de réditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos esperar que resolvam a crise aqueles que a criaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5898865024388025536?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5898865024388025536/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5898865024388025536&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5898865024388025536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5898865024388025536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/06/o-que-e-isso-da-governabilidade.html' title='O que é isso da governabilidade?'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SkSkVtGxkGI/AAAAAAAAALk/g7d9wVun9rU/s72-c/assembleiadarepublica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2827275755995283758</id><published>2009-06-17T22:42:00.001+01:00</published><updated>2009-06-17T22:43:43.463+01:00</updated><title type='text'>Memórias XV – Momento</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SjljhlNpsVI/AAAAAAAAALc/eDMAUyND1AA/s1600-h/mar+azul.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SjljhlNpsVI/AAAAAAAAALc/eDMAUyND1AA/s400/mar+azul.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348415461055377746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu hoje vi o mar, não estava azul&lt;br /&gt;era branco como o sol da manhãzinha&lt;br /&gt;falavam-me as ondas por enigmas&lt;br /&gt;e as vagas estendiam-se, estendiam-se…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que faz andar as ondas, perguntei…&lt;br /&gt;uma gaivota que voava contra o vento fechou as asas&lt;br /&gt;e veio cair flecha ao pé de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi que quem fez cair a gaivota, fazia mover o mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não acredito num deus que tudo faz.&lt;br /&gt;Se ele existisse a gaivota não morria&lt;br /&gt;e porque havia ele de mexer o mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mar quando parado é um espelho&lt;br /&gt;é assim que o sol gosta dele e no verão o quer queimar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o que faz mover as ondas? Outras ondas.&lt;br /&gt;Que fez cair a gaivota? As asas.&lt;br /&gt;Não há causa primeira. Só efeitos&lt;br /&gt;das nossas causas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que a saudade que tenho não é mística&lt;br /&gt;é por isso que a dor que sentimos é só nossa&lt;br /&gt;é por isso que o amor, para terceiros, é sempre estúpido&lt;br /&gt;é por isso que as flores nascem de flores&lt;br /&gt;é por isso que eu estou aqui e tu ali&lt;br /&gt;é por isso, é por isso, é por isso&lt;br /&gt;que não descubro o princípio nem o fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Algarve, Fevereiro, 1966 &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2827275755995283758?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2827275755995283758/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2827275755995283758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2827275755995283758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2827275755995283758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/06/memorias-xv-momento.html' title='Memórias XV – Momento'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SjljhlNpsVI/AAAAAAAAALc/eDMAUyND1AA/s72-c/mar+azul.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-6144491323900532505</id><published>2009-06-08T17:47:00.001+01:00</published><updated>2009-06-08T17:50:16.325+01:00</updated><title type='text'>Prenúncios</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Si1BO4vUUdI/AAAAAAAAALU/CnN3GmY8vCE/s1600-h/UE.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 299px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Si1BO4vUUdI/AAAAAAAAALU/CnN3GmY8vCE/s400/UE.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345000056763470290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, na história, momentos cruciais que prenunciam mudanças até aí pouco discerníveis. Há também desenvolvimentos irónicos só entendíveis na invenção de um deus perverso entretido a baralhar os juízos dos homens ou, mais na teoria do Caos, se compreendermos que efeitos inesperados eram perfeitamente previsíveis e fatais, só não sendo apercebidos como tais por não conseguirmos apreender todas as diversas e subtis causalidades as quais, somadas, os tornaram inevitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas eleições europeias serão, possivelmente e a meu ver, um desses inopinados fenómenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os partidos socialistas no poder, todos enfeudados, contranatura, à defesa e execução de modelos de governação neoliberal, foram castigados pelo seu desvio direitista. Os eleitores socialistas não votaram neles porque não se reconhecem nestas políticas, os liberais, sentindo-os estranhos e de pouca confiança, agradecendo o serviço prestado, preferiram voltar aos partidos que melhor e mais abertamente defendem o seu ideário. Deste modo, apesar das sucessivas mentiras e traições os socialistas neoliberais, no primeiro momento de tira-teimas, encontraram-se em terra de ninguém e com as hostes, que consideravam conquistadas, a dizerem-lhes claramente que ninguém confia em vira-casacas ideológicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que se viu por essa Europa fora acrescentado do quanto de desprezo, na recusa de comparência às urna, de parte significativa da população. Temos portanto os governos socialistas a pagar o preço da crise alimentada pelos neoliberais e estes, alterando agora o discurso, prometem uma regulação que não pensam implementar, aparecendo como a esperança de mudança de paradigma. Ironia das ironias espera-se que os responsáveis pela crise nos venham salvar dessa mesma crise. Ou dito de outra maneira, como se o ingénuo cordeiro fosse à toca do leão pedir-lhe protecção para os ataques desse mesmo leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postos estes prolegómenos olhemos para Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De parabéns está Paulo Rangel porque, abandonado pelo baronato do partido, se bateu sozinho e com coragem, conseguindo um resultado que é, só por si, um sério aviso a Sócrates e à sua governação. O PSD, no geral, recebeu um brinde que se calhar não mereceria e que penso, será de mais difícil repetição nas Legislativas. Não duvidando que boa parte das deslocações de votos foram acções de protesto contra o Governo, é incerto que, num mano-a-mano entre Ferreira Leite e Sócrates, aquela possa levar a melhor. É que, para além do seu parco envolvimento emotivo com os eleitores também ela tem, desde o seu ministério das finanças, telhados de vidro. O resultado obtido por Rangel não será facilmente transferível para o partido no terreno das legislativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, e lá vão contas de merceeiro, a esquerda sociológica é ainda claramente maioritária. Somando canhestramente os votos do PS, Bloco e PCP, andaremos pelos 49% dos votos expressos. Seria confortável maioria se a palavra esquerda tivesse validade intrínseca e não escondesse rivalidades assassinas. Serve aqui, como reflexão, o processo exemplar que decorre, desde há dez anos, no Bloco de Esquerda. Ultrapassando as desinteligências graves que dividiam vários grupos, ditos de esquerda radical, foi possível construir uma plataforma de entendimento, através de programas e acções comuns, privilegiando o que une e ultrapassando o que separa. A pergunta que me faço é a de saber se o mesmo será possível fazer com esta agregação meramente sociológica que são os partidos do povo de esquerda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os tempos que aí vêm não vão ser fáceis. O brilho destas vitórias eleitorais cedo se embaciará frente às dificuldades a que iremos ser sujeitos. O tempo das facilidades – para nós recentes e breves – acabou. A globalização, que num primeiro momento acrescentou riquezas às sociedades desenvolvidas, está agora a reclamar o pagamento das facturas. Uma cada vez maior parte da população mundial, até há pouco afastada das benesses e malefícios do consumo exige, agora e com veemência, a sua quota-parte do bolo. Só que o bolo, ao ser dividido por mais gente, será não só escasso, como as suas fatias terão de ser, necessariamente, bem menores. As sociedades ocidentais não sabem conviver com isto. Inventaram a social-democracia quando era fácil transferir a exploração proletária da sua população para as colónias e ex-colónias. Acabada a mama os malefícios do desemprego, pobreza e doença espreitam novamente à porta daqueles que já se desabituaram de tais coisas e as vêm aparecer de novo como ameaça constante e inultrapassável. Para estes males não há soluções no “mercado livre” que os alimenta. Este procura apenas a maximização dos lucros e não tem preocupações humanitárias. Para ele o homem é mero factor económico e não a razão de ser da economia. Trocaram os factores da equação e a resposta só pode estar errada. Cabe às esquerdas a correcção deste estado anómalo de coisas. Mas para isso terá que encontrar-se no terreno da união, com a generosidade de tentar perceber o projecto do outro e a inteligência de ser capaz de se adaptar a uma causa comum para benefício de todos. É necessário perceber que a razão não está toda no mesmo sítio e que é essencial conseguir ceder para, em conjunto, se poder avançar. Olhando para o estado das coisas não creio que tal possa ser já uma conquista ou uma consequência destas eleições ou do que elas prenunciam. Tenho pena que ainda se vão queimar inutilmente muitas ilusões e energias antes de podermos congregar esforços para a prossecução de um mundo onde a pobreza seja erradicada e a condição humana atinja a dignidade que lhe cabe. Sei, no entanto, que esse é o caminho e para ele laborarei. Um dia, os homens de boa vontade, deixarão as divisões inconsequentes e unir-se-ão para o que é primordial e importante. Assim o espero, assim o quero e para tal trabalharei sabendo que não estou isolado nos meus esforços. Se alcançarmos estes desígnios os nossos filhos poderão crescer em paz. Caso contrário talvez eles não possam conhecer os seus netos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-6144491323900532505?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/6144491323900532505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=6144491323900532505&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6144491323900532505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6144491323900532505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/06/prenuncios_08.html' title='Prenúncios'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Si1BO4vUUdI/AAAAAAAAALU/CnN3GmY8vCE/s72-c/UE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2620512683816050697</id><published>2009-06-02T11:57:00.002+01:00</published><updated>2009-06-02T11:59:58.608+01:00</updated><title type='text'>Borradas judiciais</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SiUGJMcfqpI/AAAAAAAAALE/PFXjADP1mIs/s1600-h/Juiz.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 299px; height: 245px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SiUGJMcfqpI/AAAAAAAAALE/PFXjADP1mIs/s400/Juiz.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5342683287974292114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1 - Declaração de interesses&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como foi noticiado na imprensa local integro as listas do Bloco de Esquerda para as eleições autárquicas. Este facto coloca-me um problema de princípios sobre a circunstância de, sendo candidato, dever, ou não, suspender a minha colaboração temporariamente neste Jornal. Consultado o travesseiro, como é costume dizer-se, cheguei à conclusão que, alertados os leitores para o facto, conscientes da declaração de interesses, nada obstaria à continuidade da minha colaboração neste órgão informativo. Na verdade a crónica nada mais é que o exercício opinativo abordado através dos factos quotidianos ou da defesa de valores e crenças. Assim ela é por natureza e sempre um acto político por excelência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesados estes critérios, não havendo nada em contrário por parte da direcção do Rostos, manterei a minha presença, acrescentando na assinatura as condições de militante e candidato pelo Bloco de Esquerda. Ficarão assim ressalvados, em meu critério, os pressupostos éticos que devem presidir à relação entre escritor e leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2 – As borradas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esmeralda, Alexandra e tantos mais casos e pessoas que não chegaram às luzes da ribalta desesperam-nos em relação ao aparelho judicativo do País. Somos um país legislativo, dificilmente um estado de direito. A justiça cara e tardia, decisões socialmente chocantes, o poder possivelmente excessivo do corpo judicial, fazem parte do descontentamento das nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer forma de poder, em democracia, exige de quem o receba imenso cuidado na sua utilização. Responsabilidade e humildade na execução legitimam o seu possuidor e conferem dignidade a quem, parcimoniosamente, o exerce. A arrogância e a prepotência são a outra, negativa, face do poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por questões históricas e sociais há muita arrogância a impregnar o tecido judicial. Daí à decisão injusta ou desfasada da realidade é um pequeno passo que é, por demais, dado sem maior reflexão sobre os efeitos latentes da mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ilustrar estas afirmações não resisto a contar um caso antigo, para o qual me foi pedida fundamentação antropológica, de atribuição de poder paternal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um casal com um bebé de cerca de um ano divorciou-se. Na divisão de bens, como era costume, concordaram na atribuição da casa à mãe factor correlato com a responsabilidade parental directa que lhe fora consignada. Só que a mãe não correspondeu às exigências inerentes. Começou por deixar o filho sozinho durante a noite e, conhecido o facto, chamada a atenção, passou a largar o filho em casa da avó paterna. Inicialmente apenas nas noites em que decidia ir divertir-se, posteriormente acrescentou os fins-de-semana e, finalmente, passando semanas inteiras em que nem sequer ia saber como estava o bebé. Entretanto, o pai que era militar, vivia nos quartéis onde prestava serviço, não podendo ter consigo um filho de tão tenra idade. Mas, para a mãe, não havia qualquer problema. Tudo corria sobre rodas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ia o bebé pelos seus dois anos e meio quando o pai, casando em segundas núpcias, achou-se com capacidades para dar de novo um lar ao seu filho. Muito embora o pequeno continuasse a viver, habitualmente, em casa da avó paterna, sendo respeitador da lei, pediu a revisão, em sede própria, da atribuição do poder paternal. O caso, que parecia de fácil resolução, dado o abandono a que a mãe sempre votara a criança, arrastou-se uns quatro anos pelo tribunal. Continuando ela, como se provou, a ser negligente em relação à criança, possivelmente como vingança pelo facto de o pai se ter casado novamente, retirou o seu filho de casa da avó, começando a sonegar as visitas da criança à nova família. Como consequência, ainda, da existência um tanto ou quanto desregrada perdeu a mãe o emprego e da pensão reforçada, dada pelo pai, para manutenção do filho saía parte substancial para sustento da sua vida social com prejuízo das condições de manutenção do bebé. Aviltando ainda mais a situação desta mulher acresceu a remessa para tribunal de casos de cheques sem cobertura – na altura considerados crime – bem como uma pendência qualquer, com a então Policia de Viação e Trânsito, por ilegalidade cometida. Apurou-se também que estava em vias de emigração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta possibilidade levou a que o pai aumentasse a pressão sobre o tribunal. Um dia lá chegou o julgamento e tudo quanto foi dito sobre o comportamento negligente e culposo da mãe foi provado. Assim como a possível deslocação para o estrangeiro. O libelo produzido pela Juíza do caso era terrível para a mãe. Reconhecia tudo. Havia indignidade no seu comportamento, não merecia credibilidade, não obedecia às ordens emanadas pelo tribunal, por isso – quando todos pensávamos que iria ter a devida sanção - o poder parental continuaria a ser-lhe garantido! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pasmei e aquele pai nunca mais viu o seu filho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este caso foi aqui trazido por me parecer bem paradigmático de uma certa forma de fazer justiça. Poderia chamar-lhe a decisão &lt;em&gt;“by the book”. &lt;/em&gt;Isto é, a simples colagem à letra da lei, sem que haja capacidade de perceber que em casos de consequências sociais como estes, a decisão sábia será mais baseada na sociologia que no estrito cumprimento do enunciado legal. Não são simples as questões da parentalidade nem o laço biológico será sempre o mais importante critério a avaliar. A consanguinidade não é tudo. Os laços socioafectivos são, muitas vezes, bem mais importantes que os genéticos. As questões de progenitura foram importantes para as sucessões dinásticas e outras. Fazem parte de uma mitologia do sangue que a ciência hoje já não pode assumir de forma tão primária. A parentalidade é uma criação derivada do social e que só nas interligações criadas se consubstancia. Mas para efectivar esta atitude na Justiça é necessário uma outra forma de preparação, um outro entendimento da vida e das consequências de determinadas deliberações, para as quais, que me perdoem aqueles que não cabem nesta descrição, a maior parte dos nossos juízes não está preparada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de outra justiça. Fazem falta novos juízes! Não é possível continuar, tantas vezes, a borrar-se, desta maneira, a escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2620512683816050697?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2620512683816050697/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2620512683816050697&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2620512683816050697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2620512683816050697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/06/borradas-judiciais.html' title='Borradas judiciais'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SiUGJMcfqpI/AAAAAAAAALE/PFXjADP1mIs/s72-c/Juiz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8831333429082441400</id><published>2009-05-26T12:46:00.001Z</published><updated>2009-05-26T12:48:42.295Z</updated><title type='text'>ela de coração parado</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/ShvlHrqj1NI/AAAAAAAAAK0/DQ7wt1poAeQ/s1600-h/Elis_Regina.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 168px; height: 265px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/ShvlHrqj1NI/AAAAAAAAAK0/DQ7wt1poAeQ/s400/Elis_Regina.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340113703320933586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              &lt;em&gt;à memória de elis regina&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é sempre assim que chegam as notícias&lt;br /&gt;repentinas absurdas e brutais&lt;br /&gt;tudo fica parado como cartaz&lt;br /&gt;em muro de silêncio&lt;br /&gt;gentes isolando mágoas&lt;br /&gt;em fundo de ruídos de atabaques&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todos iremos um dia a esse encontro&lt;br /&gt;como tu foste inesperada e breve&lt;br /&gt;apartando olhos em colares nocturnos&lt;br /&gt;tecidos da morte de cada um de nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;preciso agora da dureza das palavras&lt;br /&gt;para enfrentar o momento aguçar a pedra&lt;br /&gt;e profanar a alma desse deus de impudica grandeza&lt;br /&gt;firmada sobre o inútil de sentirmos&lt;br /&gt;como se morre na lentidão dos dias&lt;br /&gt;sempre mais incompletos e sós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acredite-se embora que na morte&lt;br /&gt;continue a vida de outro modo&lt;br /&gt;não se percebe porque se cala a voz&lt;br /&gt;e o esquecimento e instala&lt;br /&gt;amarelecendo imagens vivas e reais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;borboletas de sombras em mar esmaecido&lt;br /&gt;ou comprido nevoeiro que se adensa&lt;br /&gt;a minha mágoa é mão que arrefece&lt;br /&gt;na janela do comboio perante a noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;canto na ribalta a decepção&lt;br /&gt;da hora em que se cai sobre a notícia&lt;br /&gt;de um corpo abandonado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que desse desejar animador da voz resta ela&lt;br /&gt;de coração parado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8831333429082441400?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8831333429082441400/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8831333429082441400&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8831333429082441400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8831333429082441400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/05/ela-de-coracao-parado.html' title='ela de coração parado'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/ShvlHrqj1NI/AAAAAAAAAK0/DQ7wt1poAeQ/s72-c/Elis_Regina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-3626179235947809496</id><published>2009-05-06T19:08:00.001Z</published><updated>2009-05-06T19:10:37.662Z</updated><title type='text'>Bem prega Frei Tomás…</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SgHgpihbNsI/AAAAAAAAAKs/G7YJwGoYt3I/s1600-h/vital+moreira.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 259px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SgHgpihbNsI/AAAAAAAAAKs/G7YJwGoYt3I/s400/vital+moreira.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332790438029637314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode queixar o cronista de falta de material imprevisto e saboroso. Ele há-o para todos os gostos e em tanta abundância que o desesperante é a escolha de sobre qual nos debruçarmos. Assim, do caudal dos últimos dias, escolhi dois casos que, por facilidade de discurso, tratarei na ordem inversa da sua cronologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começarei pelo incidente acontecido, na manifestação do 1º de Maio, a Vital Moreira. Resumindo: o candidato do PS às Europeias, juntamente com a comitiva socialista, apresentou-se na manifestação convocada pela CGTP para, além da comemoração do evento, protestar contras as políticas sociais do Governo, amplamente defendidas, na comunicação social, pelo candidato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é incontestável o direito de qualquer cidadão participar em algum acto de cariz público já se percebe menos bem, porque carga de água, haveria Vital Moreira de, contrariando todo o seu historial, aparecer, inesperadamente, numa festa a que, por norma, nunca comparecia. A explicação que de imediato surge era a de, sendo ano de eleições e estando ele interessado em captar votos, encontraria alguma utilidade em mostrar-se num movimento de massas. É porém lícito perguntarmo-nos se seria aquele local o ideal para conseguir captar alguns votantes para a sua causa. Só com muita ingenuidade esta pergunta poderia ter uma resposta positiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o que o faria correr para um acto onde seguramente saberia não ser bem-vindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria tão-somente a firme vontade de exigir o cumprimento de um direito democrático? Poderia bem tratar-se disso não se desse o caso insólito de a vontade lutadora só lhe ter chegado neste ano e de, confrontado com a indesculpável hostilidade de uns poucos, lançar, como se disso estivesse já à espera, ser aquela a sua Marinha Grande. Sabendo nós todos como o incidente da Marinha Grande foi importante para a viragem nos maus resultados até ali obtidos por Mário Soares, sabendo também como a campanha não vai alegre para Vital Moreira, instala-se por demais a desconfiança que o escarcéu seria o verdadeiro motivo da presença do apagado candidato às Europeias. Sem entrar em teorias da conspiração, nem fazendo gala de tentativas de cabalas negras, a verdade é que se seria de esperar uma reacção enérgica à situação criada. Só que a reacção foi muito maior e alargada, passando o incidente com manifestantes a ser móbil para exigir um pedido formal de desculpas por parte do PCP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui me espanto eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porquê do PCP? A organização do evento não era da responsabilidade da CGTP? E mesmo que os desordeiros fossem militantes do PCP teria ele de arcar com a responsabilidade do gesto de alguns energúmenos, por acaso putativos militantes desse partido? Então, quando em Felgueiras militantes do Partido Socialista agrediram dirigentes do mesmo partido ter-se-ia de meter no mesmo saco – porque eram militantes – agredidos e agressores? E porque alguns militantes do PS possam vir a ser acusados de corrupção entende-se que todo o partido é corrupto? Um pouco de seriedade e comedimentos é o que se pede meus senhores. É sempre a extensão abusiva do acto individual ao colectivo que fundamenta o aparecimento de teorias racistas e autoritárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado o facto de possuirmos um direito exime-nos de ponderar quando, onde e em que casos o deveremos exercer? Sabendo embora que é a sua utilização que funda o direito possuído, não será que qualquer pessoa com um mínimo de racionalidade procurará, se tal for possível, não tornar o seu exercício num acto agressivo?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplifico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muitos anos fui simultaneamente associado de um sindicato e membro de conselhos de administração de empresas onde trabalhei. Como sempre entendi que a minha profissão era a que me levara a entrar nas empresas e que a eleição para a administração era uma mera comissão de serviços, mantive-me sempre como sócio do sindicato. Esta situação permitia-me, de direito próprio, estar presente nos plenários de trabalhadores convocados pelo sindicato. No entanto, nunca pretendi exercer esse direito, por achar que era abusivo em relação aos direitos dos restantes trabalhadores, e só fui a reuniões, quando directamente convidado e apenas permanecia nelas enquanto o assunto que ali me levara era tratado. Geri, durante muito tempo esta situação esquizofrénica e, por mais difícil e delicada que fosse, sempre cumpri todas as minhas obrigações e nunca fui desrespeitado em nenhum plenário e por nenhum trabalhador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, se não houve premeditação táctica no assunto, foi aqui que Vital falhou. Fez prevalecer o seu direito de presença acima de uma ausência ética. Foi a uma festa para a qual não tinha sido convidado e, por estar de relações tensas com os anfitriões seria fácil prever que a sua presença não seria bem aceite. Não sendo diminuído mental e consciente da situação deixa antever que procurou o que encontrou e que se serviu disso para poder marcar algum relevo político no plaino da sua campanha. Pecou por excesso de utilização de direito e míngua de bom senso e respeito por si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda por ética e mudando de roteiro, vejo-me forçado a escrever sobre um outro assunto que me dói na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou estupefacto e não consigo compreender como o meu partido, o Bloco de Esquerda, aceitou votar favoravelmente a nova lei de financiamento dos partidos. Se a lei anterior era iníqua – estruturada para garrotar economicamente o PCP, não permitindo alocar os lucros da festa do Avante – não é apadrinhando uma outra que permite multiplicar por cinquenta e cinco vezes o valor possível de receber, nos partidos, em dinheiro corrente, que se corrige um erro particular. Choca-me aliás a hipocrisia declarada de partidos de direita justificarem a sua aprovação com a resolução do problema financeiro do PCP. Que amigos eles são!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, que é feito da exigência de transparência? Da honestidade e declaração de interesses? Do evitamento de prestações monetárias com posteriores exigências, nunca declaradas, de favores políticos? Podemos exigir isto para os outros sem primeiro darmos o exemplo? Temos a trave no olho e preocupamo-nos com o argueiro no olho do vizinho? Não será que o nível de exigência que eu posso ter com os outros só se justificará na medida em que seja, no mínimo, equiparável àquele a que me obrigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome da coerência e da possibilidade de continuarmos a defender a via da transparência e da moral expliquem-me e ajudem-me a encarar aqueles que hoje me olham sardónicos e atiram à queima-roupa “ bem prega Frei Tomás”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-3626179235947809496?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/3626179235947809496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=3626179235947809496&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3626179235947809496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3626179235947809496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/05/bem-prega-frei-tomas.html' title='Bem prega Frei Tomás…'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SgHgpihbNsI/AAAAAAAAAKs/G7YJwGoYt3I/s72-c/vital+moreira.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-7456848520624961729</id><published>2009-04-23T22:56:00.001Z</published><updated>2009-04-23T22:59:19.559Z</updated><title type='text'>desdémona alabastrina</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SfDyu-cZz5I/AAAAAAAAAKk/hg3qjEsxjv0/s1600-h/otelo.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SfDyu-cZz5I/AAAAAAAAAKk/hg3qjEsxjv0/s400/otelo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328025248029331346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  &lt;em&gt;para otelo saraiva de carvalho      &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desdémona jaz&lt;br /&gt;nos teus braços meu&lt;br /&gt;capitão de mais quentes&lt;br /&gt;marés&lt;br /&gt;ou praias de outros tempos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rodeiam-te enclavinhadas piranhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em excessivo gesto de amor&lt;br /&gt;as mãos torneiam a ingénua humidade da vida&lt;br /&gt;pérolas de dedos enegrecidos&lt;br /&gt;no jeito de calar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo se fazia à escala espontânea de outros rios&lt;br /&gt;cheirava o novo verde até às margens&lt;br /&gt;incómodos cavalos no viço dos tempos&lt;br /&gt;em que tudo era redondo e levado no alcantil dos dias&lt;br /&gt;e o corpo&lt;br /&gt;ruído transitório no vento magoado&lt;br /&gt;era sombra de domingo no frágil dos ombros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olha de novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desdémona jaz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esquecida a invenção do protesto&lt;br /&gt;deixa que o olhar só por si se sobrenade&lt;br /&gt;até ao limiar das mãos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sob a soleira do tempo repousa no prumo do leito&lt;br /&gt;descreve o estático espaço entre grades de olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que portos tocas&lt;br /&gt;que estonteantes claridades acusas&lt;br /&gt;na procura lancinante dos inícios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem as mãos te conduziu é que te acusa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aí estás desdémona de ti todo&lt;br /&gt;onde te colocaram com a memória dos sentimentos&lt;br /&gt;por estrear&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;braveza de tempestade nos trânsitos do espaço&lt;br /&gt;como falar-te de gaivotas quando um corpo jaz&lt;br /&gt;e tu olhas o espelho das mãos distanciadas e breves&lt;br /&gt;onde te perguntas &lt;br /&gt;há coisa mais terrível que olhar por sobre um rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma imagem percorre o clarão do raio&lt;br /&gt;a cidade adormecida espera a quietude dos grandes temporais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olha a asa que voa&lt;br /&gt;vê essa asa parada&lt;br /&gt;avé ave asa ave&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e que nos salve&lt;br /&gt;e que nos salve&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-7456848520624961729?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/7456848520624961729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=7456848520624961729&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7456848520624961729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7456848520624961729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/04/desdemona-alabastrina.html' title='desdémona alabastrina'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SfDyu-cZz5I/AAAAAAAAAKk/hg3qjEsxjv0/s72-c/otelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2467364508186206104</id><published>2009-04-17T16:26:00.001Z</published><updated>2009-04-17T16:28:01.204Z</updated><title type='text'>UMA QUESTÃO MUITO SIMPLES</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SeiuCnFBN5I/AAAAAAAAAKc/moC04IfX-98/s1600-h/bomba-atomica.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 249px; height: 289px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SeiuCnFBN5I/AAAAAAAAAKc/moC04IfX-98/s400/bomba-atomica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325697919238616978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indubitavelmente uma das teses que levaram Obama à vitória foi a sua firme oposição à política belicista da administração Bush. Se não tivermos a memória curta lembraremos ainda as ferozes intenções dos neo-cons que levaram a um cozinhado de falsidades tendentes a proporcionar não só a invasão do Iraque, como pretendendo ainda obter uma monstruosa autorização para declarar “guerras preventivas”, em qualquer ponto do mundo, bastando para tanto que o Império sonhasse haver nesses países armas de destruição massiva ou ideias que não agradassem aos ditadores, em potência, do mundo dito democrático. Recordemos, também, que um dos principais actos da invenção da guerra se passou nos Açores, com o apoio basbaque e oportunista de Durão Barroso, ali catapultado para a Presidência da Comissão Europeia, com o concomitante abandono do governo da República nos braços, linfáticos e tragicómicos, do menino-guerreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O repúdio dos povos do mundo obstou, de certo modo, ao avanço rápido que se pretendia de tais idiotices e, a ganância levada à solta dos próceres desta sociedade agónica, precipitou a anunciada queda deste iníquo sistema. Obama veio a tempo, com o discurso certo, com a dose de esperança suficiente para iluminar um novo caminho. No entanto, como muitos analistas já salientaram, os neoconservadores liberais não entregaram ainda os pontos. É que, apesar da catástrofe em que precipitaram o mundo, ainda têm muitos e largos interesses a defender e bastantes aliados ocultos em florestas de boas intenções. O seu descaramento é crónico e total, apenas comparável à ambição e desprezo, sem limites, pelos outros. Veja-se de passagem o desplante com que gestores de grandes empresas em risco de falência foram pedir, a Obama e ao Congresso, fundos para salvar as empresas, deslocando-se em jactos particulares; como muitos dos milhões investidos foram, prontamente, desviados para pagamentos pessoais e interesses individuais, contrários ao desenvolvimento harmónico dessas mesmas empresas em regime de forte descapitalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardava-se que o percurso de Obama não fosse simples e esperávamos que muitos alçapões se abrissem no seu caminho. Em nome da esperança do mundo confiamos que ele os distinga e os ultrapassasse. De facto, na maioria dos casos, não nos tem desiludido. No entanto, sabíamos que a questão da guerra seria o mais difícil teste por que teria de passar. As suas declarações foram no sentido de terminar a Guerra do Iraque, tornada incomportável em termos económicos e sociais, e investir mais força no Afeganistão, guerra que, dada a sua origem e forma de declaração, assume um carácter menos pernicioso para a maior parte das opiniões públicas. Assim, anunciou a retirada gradual do Iraque – numa pequena e primeira cedência ao programa enunciado – e declarou o reforço às tropas do Afeganistão. De facto, fez retirar doze mil soldados do Iraque, e mandou já dezassete mil para o Afeganistão. Feitas as contas, em vez de diminuir o esforço de guerra está, nitidamente, a aumentá-lo. Este caminho poderá mete-lo num beco sem saída, sobretudo se continuar com a intenção de “vencer a guerra no Afeganistão”. Esta é uma miragem perigosa, remanescente do pensamento bélico neo-com, assente numa ideologia de justiça vingativa sobre os acontecimentos do onze de Setembro. Se ninguém com um ínfimo de sentimentos pode deixar de recusar a condenação para quem delineou e executou tão míseros atentados, penso ter chegado o momento de proceder a uma reflexão mais profunda sobre as razões da guerra e da sua manutenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o ataque às torres gémeas saltou para o mundo o nome de Ben Laden. Até aí seria um perfeito desconhecido para a maior parte dos viventes. A partir dessa acção o seu nome passou a ser sinónimo de arqui-inimigo da humanidade. Entende-se a comoção e, até se percebe que estando ele no Afeganistão, sob a protecção declarada do regime talibã, fossem os mesmos, ao recusar a sua entrega, atacados pela potência ofendida. O mundo percebeu estas razões - ao contrário do que viria a acontecer no Iraque - apoiou e acompanhou activamente o esforço de guerra, quer na economia, quer no próprio teatro de operações. Os anos passaram! Não se capturou Ben Laden. A vitória militar conseguida então está, muito rapidamente, a transformar-se não só numa derrota local, como a assombrar o mundo com o risco de que o Paquistão, potência nuclear, entre em rota de dilaceração social, deixando nas mãos de párias e aventureiros uma verdadeira força nuclear. É um risco demasiado grande para ser corrido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, ninguém ainda explicou a Obama uma questão muito simples: não se ganha militarmente uma luta de guerrilhas, muito menos num terreno como o do Afeganistão. Pela simples razão de que eles estão lá, são a população ou pelo menos uma boa parte dela. Os outros deslocam-se para lá com todos os custos sociais, pessoais, emocionais e económicos que tal comporta. Além disso, os americanos aprenderam-no certamente no Iraque, nenhum ocupante é percebido como libertador. Será sempre, por melhor que sejam as suas intenções, unicamente um opressor. A América deveria recordar-se do Vietname, do Afeganistão da ainda União Soviética, das guerras coloniais portuguesas. As armas apenas podem conceder um tempo para se prepararem soluções políticas. Nada mais! Se Obama insistir em ganhar uma guerra que nunca poderá ganhar perderá, não só a guerra, como as esperanças depositadas nele e no seu mandato. Terá que perceber que o seu interesse e o das nações não é compatível com o do lóbi industrial-militar dominante no seu país e que não é lícito impor formas de vida e valores sociais ou religiosos - porque os consideramos superiores, melhores ou mais evoluídos - a ninguém. Cada nação deverá viver com os seus valores e com os valores que, induzidos embora, venha a aceitar como bons para, voluntariamente, incorporar na sua vivência. A democracia servida na ponta das armas é pura ditadura cultural. Nunca levará a mais nada do que à revolta daqueles que, presumivelmente, pretenderia libertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É finalmente uma questão muito simples, mas essencial, a que se põe de imediato a Obama sendo definidora de todo o seu mandato. Ou pretende vencer militarmente a guerra e está, de antemão e a prazo, condenado ao fracasso interno e externo, ou entende que os povos devem viver e evoluir dentro das suas culturas próprias e em livre intercâmbio e integração com as outras culturas, podendo marcar o início de uma nova era, ideológica e económica, para todo o mundo, evitando os armagedões que se acumulam no horizonte. É uma tarefa hercúlea mas absolutamente necessária para não nos tornarmos, também, uma espécie em vias de extinção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2467364508186206104?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2467364508186206104/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2467364508186206104&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2467364508186206104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2467364508186206104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/04/uma-questao-muito-simples.html' title='UMA QUESTÃO MUITO SIMPLES'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SeiuCnFBN5I/AAAAAAAAAKc/moC04IfX-98/s72-c/bomba-atomica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8502594707652642478</id><published>2009-04-10T13:06:00.001Z</published><updated>2009-04-10T13:08:29.407Z</updated><title type='text'>O erro (de) Vital</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sd9EsR9m2HI/AAAAAAAAAKU/Euj3w4xiTT0/s1600-h/barata.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 340px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sd9EsR9m2HI/AAAAAAAAAKU/Euj3w4xiTT0/s400/barata.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323048812101949554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PS de Sócrates tem pela frente, a nível nacional, um problema muito complexo. Mal comparadas as coisas é como o mistério da Santíssima Trindade. O três que é um! Só que aqui o Pai, o Filho e o Espírito Santo que encarnam um só Deus, é substituído pelas eleições europeias, legislativas e autárquicas, que sendo três, só uma transparecem. Isto porque por mais que a direcção do PS queira, por motivos de crise e feição de governar, elas se tornam todas em uma única e continuada forma de avaliação do governo. Não é má ironia para quem tanto defende as avaliações a qualquer preço. Como diz o outro, pela boca morre o peixe e, desta forma, um problema político pode transforma-se numa peroração teológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertado, agora, pela sua colagem ante-crise ao neoliberalismo, vê-se Sócrates na obrigação de contrapor, à efectiva prática de direita, um discurso de esquerda. Choca –se, no entanto, com a constatação diária das malfeitorias perpretadas contra as classes médias nacionais, com os apoios desmedidos ao capital e com a tremenda alergia a legislar contra a corrupção e o enriquecimento ilícito. Sabe Deus porquê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tornar mais credível a vã retórica esquerdizante, também para tentar separar as eleições europeias das legislativas, procurou um cabeça de lista, parecido independente, que apresentasse algumas credenciais de esquerda. Na limitada visão do mundo em que circula ninguém lhe pareceu mais adequado que o constitucionalista Vital Moreira. E sê-lo-ia não fora o caso deste insigne Doutor ter, de há muito, iniciado um desvio de direita por colagem excessiva ao Governo Sócrates, em tudo quanto é texto publicado e posição assumida. Que o senhor tem todo o direito de escolher as companhias que prefere é coisa que não se discute. Já a sua representação do real cabe inteiramente na nossa crítica e avaliação. O que vem ressaltando dos seus posicionamentos é um comportamento de barata entontecida na tentativa de se colar na órbita de um governo absolutamente desorbitado. Do Vital Moreira atentamente escutado por tudo quanto de esquerda se assumia, já nada resta e por tal, esta escolha revela-se um erro Vital para o PS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também é um erro Vital de Moreira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tal forma isto é assim que, na esteira de uma intervenção de Mário Soares, criticando o apoio do PS a Durão Barroso para a reeleição ao parlamento Europeu, logo Vital Moreira, vem a terreiro defender que os Partidos Socialista Europeus deveriam apoiar um candidato próprio. Elementar meu caro Watson, dirá qualquer pessoa. Pensou-o e disse-o Moreira. Só que não compreendeu que o PS de Sócrates circula nas mesmas linhas de pensamento político do trânsfuga Durão “malgré lui”. Como muito bem tem sido apontado ele é o único que resta da fotografia dos Açores. Todos os outros foram já corridos da área do poder marcados que estão pela guerra e pela crise. O erro deste PS é não perceber que quem patrocinou tão fortemente a política Bush, por mais golpes de rins que dê, não poderá oferecer confiança a quem apoia o seu inverso, isto é, a visão Obama do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entalado entre as suas contradições Sócrates tem de vir reafirmar o apoio “patriótico” a Barroso acelerando os movimentos paroxísticos da barata que já não sabe se há-de fingir de morta, levantar voo e partir, acabando, no entanto, para maior descrédito, por dar o dito por não dito. Mais um erro de Vital Moreira, obrigado a “explicar” que o que disse sobre apoio a um candidato próprio queria dizer o contrário daquilo que disse. Estão a ver a embrulhada? O descrédito e a gargalhada? Pois é assim mesmo que vai a candidatura independente às europeias com a imagem inquieta de um candidato tão dependente que terá sempre, antes de falar, que ir ouvir o que há-de dizer ou, caso tal as pressas não permitam, trazer no bolso o seu discurso e o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, servidões de quem serve o poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se olharmos para as autárquicas, mesmo não havendo nelas, um erro Vital, também, para mal dos resultados PS, a maldição do Governo vai estar patente e com efeitos perceptíveis. Se em condições normais o PS tem nestas eleições uma forte pressão PSD, este ano ela será mais forte e acrescentada pela erosão, na sua franja esquerda, causada pelo efeitos desastrosos da política governamental nas condições de vida das populações. A perda de poder de compra, de condições de saúde, habitação e reformas e os ataques destemperados aos professores, entre muitas outras coisas, criaram um sedimento de má vontade eleitoral, mesmo dentro do partido. Não sei como poderá Sócrates ultrapassar o inferno que criou, mas creio bem, para melhoria de todos nós, que ele irá sair muito chamuscado nestas eleições. &lt;br /&gt;Assim o creio e assim, firmemente, o espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8502594707652642478?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8502594707652642478/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8502594707652642478&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8502594707652642478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8502594707652642478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/04/o-erro-de-vital.html' title='O erro (de) Vital'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/Sd9EsR9m2HI/AAAAAAAAAKU/Euj3w4xiTT0/s72-c/barata.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1449263438076667181</id><published>2009-04-01T16:53:00.002Z</published><updated>2009-04-01T16:56:14.449Z</updated><title type='text'>O voo do milhafre</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SdOcVnXvcEI/AAAAAAAAAKM/e_mt0JpIyo8/s1600-h/milhafre.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SdOcVnXvcEI/AAAAAAAAAKM/e_mt0JpIyo8/s400/milhafre.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319767480014434370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No verão, quando o calor tórrido do Alentejo amodorra corpos e almas, no cimo do céu, pairando com olhar penetrante, o milhafre observa a terra em baixo. Perscruta qualquer movimento. Quando o detecta, fecha as asas e, como bólide, cai sobre o alvo. É assim que a proliferação de roedores é mantida em níveis aceitáveis. Sem a vigilância destas aves, os cereais seriam destruídos e a fome espalhar-se-ia pela terra. Também, na sociedade, hoje é necessário que os milhafres voem e destruam os roazes minadores do campo do poder, ameaçadores de destruição de tudo quanto são valores e ética, substituídos pelo xico-espertimo mais soez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá vai este voo do meu milhafre!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1 &lt;/strong&gt;– O nosso primeiro-ministro bem podia empandeirar alguns dos seus amigos, ou sequazes, ou seguidores. A sua companhia não lhe faz lá muito bem e potenciam os mais negativos traços da sua personalidade. Mal tapados ainda, num limbo de não esclarecimento, casos como os do diploma, das casas e do relatório sobre educação, surgem agora notícias alarmantes de pressões sobre o Ministério Público para proceder ao arquivamento do processo Freeport. Se alguma coisa pudesse prejudicar ainda mais o perfil de José Sócrates, seria juntar mais um “arquivanço” -  e em caso de tamanha importância – às conspícuas ocultações já acontecidas nos casos acima lembrados. Amigo que queira favorecer o seu senhor de tal maneira, presta-lhe um muito mau serviço, contribuindo apenas para aumentar o lamaçal das coisas por esclarecer. Vale a pena relembrar o rifão “com amigos destes não precisa de inimigos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se alguma coisa pode sair de são neste negócio malcheiroso é o apuramento objectivo da verdade dos acontecimentos. Sócrates só poderá livrar-se de mais este labéu de desconfiança, vindo a terreiro desautorizar tais amigos, exigindo o aprofundamento e esclarecimento pleno da ocorrência e do papel de cada autor no desenvolvimento desta tragicomédia. Caso contrário a imagem do primeiro-ministro ficará indelevelmente manchada pela desconfiança, com resultados possivelmente calamitosos na sua carreira política e, para o PS, no desfecho das próximas eleições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt; – O Bispo de Viseu está em rota de colisão com a sua hierarquia, desde o colégio de bispos até à Santa Sé. Primeiro foi a correcção pertinente que ousou fazer às tristes palavras de Bento XVI quando, nos Camarões, teve a infeliz ideia de perorar sobre o preservativo e a Sida. Sempre me espantou como é que um grupo de assumidos celibatários constantemente se achou com conhecimentos e direito de opinar, de cátedra, em relação a coisas que, presumivelmente, não têm qualquer experiência: sexo e família. Fico sempre com a sensação de que ou são fala-barato ou nos andam a enganar há muito tempo. De qualquer modo, tendo em conta declarações do sibilante cardeal da congregação dos santos, Saraiva Martins, a rolha já foi imposta, a toda a igreja, com um autoritário “chega de pareceres”. Lá me vem à memória, não sei porquê, com um cheirinho a fogueiras, Giordano Bruno e Galileo.&lt;br /&gt;É melhor deixar que os africanos morram com sida que controverter os dizeres papais. Pois que representa a morte de alguns milhares de desconhecidos contra a defesa intransigente da doutrina do papa que, como sabemos, em matéria de fé faz lei e nunca se engana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem com Darwin!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto o Bispo que se precate. A juntar à heresia da camisinha arriscou-se a defender o divórcio em caso de violência doméstica. Tem a minha admiração mas penso que não lhe vai servir de nada face ao ostracismo a que está a sujeitar-se. Nestas coisas a igreja é mais madrasta do que mãe e exige o cego princípio da obediência em qualquer situação e contra qualquer racionalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3 &lt;/strong&gt;– O que poderia ser surpreendente, mas infelizmente já não é tal, é a nomeação para uma empresa intermunicipal, de um senhor Domingos Névoa, conhecido gestor da Bragaparques, condenado por tentativa de corrupção do Vereador Sá Fernandes. É o regime de fartar vilanagem. Tudo é permitido desde que traga enriquecimento, mesmo que sem fímbria de honestidade. Fala-nos da sua aceitação a pequena multa a que foi sujeito e a falta de moral que é esta escolha. Não há nos negócios gente decente? É evidente que há, mas são preteridos e trocados por pessoas sem ética, sabe-se lá porquê. Por mais voltas que dê ao bestunto não consigo vislumbrar a razão de tais coisas e escolhas. E da lembradura saltam-me outros interessantes personagens, tais Ferreira Torres, agraciado com uma absolvição por falta de provas, Fátima Felgueiras, festejando uma condenação menor face às prevaricações e Isaltino Morais a tripudiar com o tribunal, do alto da sua suficiência, considerando que as acções ilegais praticadas não têm importância nenhuma porque a maioria as comete. Boa moral, senhor de Morais. Nem sequer é capaz de pensar que a ilegalidade é ainda mais censurável em quem ocupa lugares públicos. Mas não faz mal, o povo gosta e, para o sabermos basta verificar que se estes abencerragens concorrerem a eleições serão sem dúvida – e já foram – premiados com vitória certa. Se estivéssemos no Reino da Dinamarca diria que, entre nós, alguma coisa vai podre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line”&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; – http://rostos.pt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1449263438076667181?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1449263438076667181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1449263438076667181&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1449263438076667181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1449263438076667181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/04/o-voo-do-milhafre.html' title='O voo do milhafre'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SdOcVnXvcEI/AAAAAAAAAKM/e_mt0JpIyo8/s72-c/milhafre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5207733043413308313</id><published>2009-03-22T01:16:00.002Z</published><updated>2009-03-22T01:19:58.892Z</updated><title type='text'>memórias 14 - dialéctica</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/ScWSNY49jDI/AAAAAAAAAKA/mHGhWrSdL-M/s1600-h/dialectica.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 302px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/ScWSNY49jDI/AAAAAAAAAKA/mHGhWrSdL-M/s400/dialectica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315815693898058802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deus à semelhança&lt;br /&gt;do pensamento em impérios inconcretos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diálogo posto em causa&lt;br /&gt;náusea parabólica e estelar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mundo eternamente em pé&lt;br /&gt;ao tempo em que está a desabar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Lisboa, 1971&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5207733043413308313?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5207733043413308313/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5207733043413308313&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5207733043413308313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5207733043413308313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/03/memorias-14-dialectica.html' title='memórias 14 - dialéctica'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/ScWSNY49jDI/AAAAAAAAAKA/mHGhWrSdL-M/s72-c/dialectica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5800263820419579530</id><published>2009-03-13T22:19:00.002Z</published><updated>2009-03-13T22:25:00.092Z</updated><title type='text'>QUEM MANDA NA MINHA MORTE?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SbrcE6Py3TI/AAAAAAAAAJ4/lDdCaaqhCmg/s1600-h/excomunh%C3%A3o.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 277px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SbrcE6Py3TI/AAAAAAAAAJ4/lDdCaaqhCmg/s400/excomunh%C3%A3o.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312800687350013234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucas semanas, no Brasil, um bispo católico excomungou uma menina de 9 anos, que estava em risco de vida, por gravidez de gémeos, resultante de abusos sexuais do padrasto. Na mesma vezada, para não perder tempo, excomungou também a mãe e, salvo erro, todo o pessoal de saúde que efectuou a interrupção da gravidez. O abusador ficou indemne a esta sanha sancionatória. É caso para dizer: Deus é mesmo macho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultrapassemos este primeiro estágio da indignação, contra as medidas deste parente de Torquemada, e, fazendo das tripas coração, reconheçamos que o bispo nem sequer está errado, em termos de direito canónico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Efectivamente a Igreja - mal-grado os avanços humanitários do Concílio Vaticano II contrariados pelo actual movimento de contra reforma fundamentalista de Bento XVI - nunca pôs em causa que o principal papel da mulher fosse o de reprodutora da espécie. Nesse sentido pode perceber-se que o risco de morte da mãe fosse considerado como uma contingência natural e que, perante uma vida que se cumpria e outra que prometia vir a cumprir-se, os cânones tivessem a preocupação de assegurar a vida à segunda. Mesmo tentando perceber a situação por este ângulo, não se consegue compreender a lógica do emérito bispo, uma vez que nem a menina era uma vida cumprida, nem estava na idade de ser uma mera máquina de procriação. Também não se entende o silêncio do Vaticano sobre este caso, quando, ainda recentemente, retirou as penas de excomunhão ao bispo alemão que negou o holocausto e ao tristemente célebre fundamentalista católico Monsenhor Lefèbrve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, no fundamental arcaísmo onde se instala, Sua Reverência, com todo o poder da Santa Madre Igreja, condenou a pobre criança criança ao anátema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Risível, dirão, tendo em vista a sensível perda de poder temporal da Igreja. No entanto, aprofundando as intenções emergentes, não podemos esquecer que os factos passam-se na sociedade brasileira, onde as questões de fé têm um peso muito maior que, actualmente, na Europa. Também não me parece ser a família em referência de classe social abastada. Assim, o efeito da excomunhão, visando proibir a qualquer instituição ou membro da igreja o contacto ou apoio ao excomungado, obrigará qualquer cristão, em qualquer momento ou situação, a negar consolo ou apoio ao exorcizado, logo a esta criança e a sua mãe. A miséria e o ostracismo são a face horrível do decreto a que o bispo condenou a vítima. Uma obra plena de misericórdia e caridade, como se vê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda questão que se me coloca é a do Testamento Vital. Este caso tem andando em discussão. Muito recentemente foi à Assembleia da República e espero que em breve faça parte plena dos nossos direitos. O que é então este testamento? Nada mais nada menos que uma declaração, em vida, sobre os direitos de se dispor do corpo pós-morte ou de consignar que, no decorrer de uma doença ou estado mórbido limite, seja o paciente libertado do encarniçamento terapêutico. Dito por outras palavras, não consignando o direito à Eutanásia, consagra o direito de não se manter uma vida para além dos limites expressos pelo vivente. É um primeiro e importante passo para manter a dignidade do ser humano  até ao fim e dentro dos seus próprios critérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Une estas duas causas o confessado medo da igreja pela evolução do pensamento - sobre a vida e sobre os direitos inerentes à mesma - que o indivíduo possa ter para determinar o âmbito da sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que no entanto mais me revolta é a presunção que esta igreja, cruel, beata e hipócrita, tem ao considerar-se com o direito de intervenção em todas as questões sociais, independentemente do facto de que essas intervenções venham a ter eficácia sobre gente estranha às suas crenças. Os adultos, que de livre vontade entrem para uma confissão, terão de obedecer às suas regras, por mais abstrusas que sejam. Mas, que essa igreja queira submeter aos seus princípios, por melhores que pareçam, quem nada tem a ver com ela, parece-me ser o grave pecado do Orgulho, que a igreja tanto diz que despreza. Contradições!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próprio Estado, a quem legalmente cabe a preservação da vida humana, terá um comportamento inaceitável e intrusivo se pretender fixar o tempo e o modo da morte de alguma pessoa. Por isso somos contra a pena de morte e, sendo-o, estranho seria que lhe déssemos o poder de contradizer alguém que, no seu perfeito juízo - por razões que só a essa pessoa dizem respeito – decidisse que a sua vida deveria terminar segundo a sua vontade.&lt;br /&gt; A morte é um acto onde estamos sempre e essencialmente sós. É uma sujeição individual e intransmissível. Ninguém pode viver por nós a nossa própria morte. Por isso não reconheço a ninguém, poder ou instituição o direito de decidir, por mim, a forma da minha morte. Morrerei naturalmente quando as circunstâncias da vida a isso me levarem ou quando, essas mesmas circunstâncias, forem de tal modo ignominiosas que me levem a escolher o fim definitivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nunca permitirei que Igreja, instituição, pessoas ou estado, nisso venham a interferir, retirando-me o direito de decidir quando e como será o meu fim. Serei eu, na medida do possível, a mandar no último acto da minha vida. A isto chama-se Eutanásia e é um direito humano que urge estabelecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line”&lt;/em&gt; –&lt;a href="http://rostos.pt"&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5800263820419579530?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5800263820419579530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5800263820419579530&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5800263820419579530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5800263820419579530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/03/quem-manda-na-minha-morte.html' title='QUEM MANDA NA MINHA MORTE?'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SbrcE6Py3TI/AAAAAAAAAJ4/lDdCaaqhCmg/s72-c/excomunh%C3%A3o.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-1050309426314289135</id><published>2009-03-08T20:55:00.002Z</published><updated>2009-03-08T21:00:12.328Z</updated><title type='text'>quietura</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SbQxzzshUlI/AAAAAAAAAJw/kPnBUMb3AE8/s1600-h/chuva.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 340px; height: 375px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SbQxzzshUlI/AAAAAAAAAJw/kPnBUMb3AE8/s400/chuva.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310924626696688210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chove nos rostos&lt;br /&gt;no quarto na memória&lt;br /&gt;no interior do tempo&lt;br /&gt;recolhem-se cantigas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a bruma&lt;br /&gt;coluna de nada&lt;br /&gt;sobre o esquecimento&lt;br /&gt;no céu desabitado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cidade invernia&lt;br /&gt;contra-claridade&lt;br /&gt;névoa de emoção&lt;br /&gt;ao comprimento do vento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a sudoeste da mágoa&lt;br /&gt;remanesce a afeição&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-1050309426314289135?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/1050309426314289135/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=1050309426314289135&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1050309426314289135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/1050309426314289135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/03/quietura.html' title='quietura'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SbQxzzshUlI/AAAAAAAAAJw/kPnBUMb3AE8/s72-c/chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-7133858111235545094</id><published>2009-02-26T16:33:00.002Z</published><updated>2009-02-26T16:37:06.807Z</updated><title type='text'>Olhós amantes do gajo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SabFE8fJzAI/AAAAAAAAAJo/9oCr4KVVihE/s1600-h/coubert.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 330px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SabFE8fJzAI/AAAAAAAAAJo/9oCr4KVVihE/s400/coubert.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307145899649649666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse apenas uma questão de cultura o caso, sendo grave, não seria desesperado. Mais uns tempos de escolaridade ou formação e a solução estaria, provavelmente, encontrada. Se fosse tão só a polícia de Braga – invejosa do sucesso universal das &lt;em&gt;“mães de Bragança”- &lt;/em&gt;a investir, gloriosamente, contra o valor cultural existente no quadro de Gustave Coubert&lt;em&gt;,”As origens do mundo”&lt;/em&gt; seria lamentável, mas não passaria de uma mera excrescência demencial que poderia, com alguma persistência, ser clinicamente expurgada. Só que, meus amigos, os casos sucedem-se e começam a marcar, de modo relevante, o nosso quotidiano. É necessário, portanto, estarmos atentos e, não descurando o lado anedótico dos acontecimentos, não deixarmos, por descuido ou laxismo, que os inimigos das liberdades e dos direitos humanos, serventuários ferozes de um autoritarismo antigo e redutor, venham de novo impor, com prepotências e censuras prévias, o esmagamento dos direitos à livre expressão e às liberdades cívicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não tivesse já havido sinais inquietantes de intervenção policial, de forma absolutamente ilegal, em várias associações com vista a controlar previamente o conteúdo de comunicados, greves ou manifestações, poderíamos, ligeiramente, abanar a cabeça, com comiseração, deixando de lado a inquietude e murmurando, entre dentes, um comentário mordaz sobre a estupidez policial. Se não viessem sempre as justificações dessas acções como de simples obediência a ordens superiores – tal como nos campos de extermínio nazis – sem que nunca cheguemos a saber de que &lt;em&gt;“superioridade&lt;/em&gt;” foram emitidas, talvez pudéssemos minimizar acontecimentos como estes e, despreocupadamente, seguir o ritmo na nossa vida normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a polícia não estivesse sempre pronta e eficaz para a repressão violenta de acções populares justas mas desagradáveis aos poderes constituídos; se a mesma polícia está ausente quando, nos bairros sociais, por causas profunda, ligadas a questões de sobrevivência não resolvidas, rebentam confrontos que põem a segurança dos moradores em causa e criam climas de terror; se os relatórios anuais de várias instituições de observação mundial de direitos humanos, não apontassem, continuadamente, o deficits democrático, por sucessivas violações dos direitos individuais, desta polícia, poderia rir-me desbragadamente dos actos anedóticos que cometem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a magistratura judicial, tão lenta a julgar qualquer caso de bric-à-brac, não fosse tão célere a censurar um écran de computador com algumas mulheres semidespidas - se não soubéssemos que esse computador era o Magalhães - talvez gargalhássemos com a manifesta caricatura que este procurador deu da “sua justiça”. Se não víssemos como o caso Casa-Pia se arrasta e esvazia perante a influência dos poderosos; se não soubéssemos que as vítimas são crianças desvalidas; se não nos entrasse, todos os dias, pela casa dentro o aumento oportunístico do desemprego; se não soubéssemos que quase metade dos desempregados não recebem qualquer subsídio de desemprego e que os bancos mal geridos são premiados com lautos subsídios a galardoar a sua cupidez e inoperância, talvez achássemos que é carnaval, logo, nada se devendo levar a mal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se não soubéssemos que a DREN tem sido obreira, através de acções e posições da sua directora, de algumas perseguições e prepotências exemplares, poderíamos ficar estupefactos com o autoritarismo com que desmandou uma posição legal e oficial do Conselho Pedagógico de uma escola sobre a sua tutela. Poderíamos, então, pensar tratar-se de mera falta de inteligência ou perspicácia pessoal o ter obrigado os professores dessa escola a desfilar num corso carnavalesco - o que eles fizeram, vestidos de negro e de fita-cola na boca - contra sua vontade, obrigados por uma nota oficial de estilo e obediência tão duvidosos que, mal cumprida a ameaça, logo foi explicada de modo atabalhoado – tal como todas as situações anteriormente citadas o foram – revelando a incomensurável arbitrariedade desses actores, tão ofensiva de direitos, liberdades e garantias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nunca, nada, nem ninguém, foi, por tais actos, alguma vez, responsabilizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas coisas começam sempre assim. Levemente. De mansinho. É um acontecimento aqui, uma pequena repressão ali, um “gag” que pela sua imbecilidade até dá vontade de rir e, pouco a pouco, quase sem darmos por isso, vemos o nosso campo de acção a restringir-se e as capacidades de resistência geral a diminuir por aceitação de habitualidades que, maldosamente, se instilam e instalam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ver, senhores, o concomitante exercício de reabilitação do pai de todas as iniquidades de que forças obscurantistas tentam forçar a memória. Ora é sério e o maior português, ora, como actualmente é um desenfreado Casanova a tripudiar sobre a moral que, férrea, era imposta, por sua vontade, ao povo português. Ele há-o para todos os gostos. Forma imprecisa mas persistente do inconsciente nacional, ei-lo que vai florescendo, aqui a ali, nas instituições mais retrógradas. Como o carnaval já passou, tirem-se as máscaras e chamem-se os nomes correctos ao bois. Não deixemos que a coberto da Crise os fascistas ocultos e inscritos nos corpos das instituições tomem de novo o comando. Os amantes do gajo são de aproximação doce e subtil, mas escondem o chicote e os instrumentos de tortura por baixo do roupão caseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-7133858111235545094?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/7133858111235545094/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=7133858111235545094&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7133858111235545094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7133858111235545094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/02/olhos-amantes-do-gajo.html' title='Olhós amantes do gajo'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SabFE8fJzAI/AAAAAAAAAJo/9oCr4KVVihE/s72-c/coubert.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2455439024121308754</id><published>2009-02-22T01:23:00.003Z</published><updated>2009-02-22T01:31:51.577Z</updated><title type='text'>Memórias 13 - sw2</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SaCq_yE-GuI/AAAAAAAAAJg/HRc2Gc9XHdU/s1600-h/rosto.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 333px; height: 319px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SaCq_yE-GuI/AAAAAAAAAJg/HRc2Gc9XHdU/s400/rosto.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305428373793544930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei se cheguei depois&lt;br /&gt;mas as minhas mãos vieram antes&lt;br /&gt;acariciar-te o sorriso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no teu rosto&lt;br /&gt;rosto de marés &lt;br /&gt;o encantamento das palavras murmuradas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tal como uma distância&lt;br /&gt;vives dentro de mim&lt;br /&gt;talvez de ressonância em ressonância&lt;br /&gt;seja o teu nome&lt;br /&gt;um monumento barroco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é no suave fascínio de mulher&lt;br /&gt;que te cumpres ao longe&lt;br /&gt;que eu te espero e não queres vir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esta foi a canção que ouvi em ondas curtas&lt;br /&gt;em sw2 para ser mais exacto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Guiné, Teixeira Pinto, 21 de Novembro de 1967&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2455439024121308754?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2455439024121308754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2455439024121308754&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2455439024121308754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2455439024121308754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/02/memorias-13-sw2.html' title='Memórias 13 - sw2'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SaCq_yE-GuI/AAAAAAAAAJg/HRc2Gc9XHdU/s72-c/rosto.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-6529640708881893772</id><published>2009-02-13T15:28:00.003Z</published><updated>2009-02-13T15:33:59.346Z</updated><title type='text'>O Tejo em todas as suas dimensões</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SZWS25GjREI/AAAAAAAAAJY/oC2LqstWcfE/s1600-h/gaivotas.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 291px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SZWS25GjREI/AAAAAAAAAJY/oC2LqstWcfE/s400/gaivotas.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302305608037516354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proximidade de Lisboa tem feito mal ao Barreiro. Tornou-o provinciano e parente pobre dos luzeiros da grande urbe. Olhando para dentro e miopemente foi deixando que a grande vizinha lhe levasse tudo e todos quantos da mediania pretendiam sair. E foi-se sociologicamente empobrecendo num deixa andar mole e entorpecente. É certo que motivos políticos e outros foram-se, para mal dos nossos pecados, muitas vezes conjugando. Mas se isso é verdade, não desculpa a torpe aceitação da menoridade a que alguns quiseram condenar-nos. Faltou, em muitas ocasiões, foi a vontade de partir a loiça e de dizer a mandadores de mandadores, que já bastava o que bastava, e que quem geria os nossos destinos era a nossa vontade. Seria difícil, porventura, mas era necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso fomos andando, perdendo peso e população, vendo a juventude procurar o futuro do outro lado do rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, nos longes do tempo, quando quis e olhou para além do seu umbigo, o Barreiro soube ser grande e deixar a sua marca na História. Bastou-lhe olhar para fora, não deixar que Lisboa se interpusesse no seu caminho e gritar as suas competências e possibilidades. Fê-lo na Idade Clássica por entre os rios, na Renascença com os descobrimentos, no Iluminismo com os vidros, na época do vapor com as fábricas de cortiça e caminhos-de-ferro e, já mais perto, com o marco químico da CUF.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todos os momentos de grandeza existiu sempre uma constante: a premente presença do Tejo e a suave insinuação do Coina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rio pode ser um obstáculo ou um traço de união entre as duas margens. Depende apenas das pontes que se lancem. Neste momento, parece ser a segunda hipótese a prevalecer com a previsível construção da Terceira Travessia. É uma oportunidade que não poderemos perder e que terá de concitar todas as boas vontades no mesmo sentido. Que, como é triste hábito, querelas antigas tantas vezes sem sentido, não venham a atravessar-se, por duvidosas contabilidades sectárias, na possibilidade de realização desta obra. Podemos estar num momento fulcral para abater a apagada e vil tristeza do nosso viver. A construção do Aeroporto, a plataforma logística do Poceirão, agregada à já referida ponte, pode ser o impulso que faltava para acordar o velho urso da sua hibernação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo isto só será uma parte do a fazer. Por muita utensilagem material de que disponha, nenhum homem, nenhuma sociedade, se afirmará e tornará credível sem o substrato cultural que confira significado a esses meios. Caso o não possuam poderão parecer tão risíveis como as ridículas ostentações de novos-ricos destituídos das medidas das proporções, logo excessivos nas demonstrações públicas de riqueza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, tendo em conta as modificações estruturantes que estão a caminho, e que irão deixar livre todo o espaço da antiga estação de comboios e da actual estação fluvial, mais as ferrovias adjacentes, espera-se, com profunda esperança, que para as mesmas não esteja reservado o triste destino de serem alienada a interesses de construtoras e similares semeadoras, a esmo, de toscos betões e possam ser reservados para instituições que melhor projecção confiram ao Barreiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer fazer deste objectivo monopólio da qualquer força política – até porque a sua consecução dependerá de todas e de mais boas vontades da sociedade civil - não posso deixar de referir que, no momento, na Concelhia do Bloco de Esquerda do Barreiro, se trava, com especialistas de várias disciplinas, um debate sobre o aproveitamento desses espaços para estabelecimento de um Centro Cultural e Científico do Tejo, com ambições de instituto nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundamenta esta ideia o facto, já anotado, de ter sido o Barreiro, em várias épocas histórica, o fulcro do desenvolvimento senão do país, pelo menos do sul, sempre centrado na auto-estrada para o mundo que o Tejo é. A notável percepção do arco ribeirinho, como pólo de desenvolvimento, acrescenta estas possibilidades e fá-las mesmo sentirem-se como inadiáveis para a consecução de um projecto de vertentes materiais, sociais e culturais que a cidade merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito que estudamos engloba toda a região banhada pelo Tejo bem como a concentração temática de zonas de visionamento, estudo, pesquisa e acção dos períodos em que toda esta região influenciou positivamente os destinos pátrios. Núcleos museológicas sobre os descobrimentos, as cortiças, as ferrovias, o sal, os moinhos, o bacalhau, o vidro, etc. coexistiriam com bases de dados, para investigações, ligadas a estas matérias. As artes performativas e plásticas deveriam ter ali, também, poiso adequado. Assim seria possível que as necessidades de estudos, ao mais alto nível, e os olhares interessados de quantos fazem do conhecimento o seu mister, descobrissem o Barreiro como ilha de saberes do passado e do futuro sobre este Tejo de inenarráveis possibilidades e dimensões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as questões económicas??!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Façam-me o favor de perguntar a Madrid, Barcelona, Paris, ou a cidades mais ao nosso nível como Verona ou Bolonha, qual é a rentabilidade das suas instituições científico-culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São capazes de vir a ter uma surpresa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado in "Rostos on line" - &lt;a href="http://rostos.pt"&gt;http://rostos.pt&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-6529640708881893772?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/6529640708881893772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=6529640708881893772&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6529640708881893772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6529640708881893772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/02/o-tejo-em-todas-as-suas-dimensoes.html' title='O Tejo em todas as suas dimensões'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SZWS25GjREI/AAAAAAAAAJY/oC2LqstWcfE/s72-c/gaivotas.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-924461864005450215</id><published>2009-02-03T13:12:00.002Z</published><updated>2009-02-03T13:16:55.213Z</updated><title type='text'>as rotas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SYhDsx7B8KI/AAAAAAAAAJQ/t1w8iA2oR9E/s1600-h/rio.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 260px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SYhDsx7B8KI/AAAAAAAAAJQ/t1w8iA2oR9E/s400/rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298559398195622050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eis o ano da demora e do encontro&lt;br /&gt;as tardes vegetais&lt;br /&gt;o rigor absoluto&lt;br /&gt;de esperas outonais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de apagadas vozes corre o vento&lt;br /&gt;e o mar nas mãos pequenas&lt;br /&gt;é um barco trabalhando&lt;br /&gt;o tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas longas alvoradas das partidas&lt;br /&gt;trama plena de encontros adiados&lt;br /&gt;cantavas a distância&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a vaga reduzia oblíquo olhar&lt;br /&gt;teu deserto leito&lt;br /&gt;e recolhias no coração&lt;br /&gt;dos nascimentos os rios&lt;br /&gt;de regressar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-924461864005450215?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/924461864005450215/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=924461864005450215&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/924461864005450215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/924461864005450215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/02/as-rotas.html' title='as rotas'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SYhDsx7B8KI/AAAAAAAAAJQ/t1w8iA2oR9E/s72-c/rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-581559808248463760</id><published>2009-01-30T16:58:00.002Z</published><updated>2009-01-30T17:00:57.621Z</updated><title type='text'>Sobre a dádiva</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SYMyQL_lRLI/AAAAAAAAAJI/o3p7ADM4VGA/s1600-h/Freeport.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 260px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SYMyQL_lRLI/AAAAAAAAAJI/o3p7ADM4VGA/s400/Freeport.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297132840396604594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresento o meu pedido de desculpa ao Antropólogo Marcel Mauss  (por me ter apoderado de parte do título da sua obra para nomear esta crónica)  autor do clássico “Ensaio sobre a dádiva”, onde, ao analisar vários sistemas de troca verifica a existência de uma força no objecto doado que obriga sempre o recebedor à sua retribuição. Ilustra esta afirmação com a análise de vários sistemas de permuta, entre eles o &lt;em&gt;“potlatch”&lt;/em&gt; do povo &lt;em&gt;“Kwaikiutl&lt;/em&gt;”, residente na Colômbia Britânica (Canadá).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao examinar as maciças destruições de bens perpetradas por esta gente, os nossos amigos britânicos entraram em pânico. Viam eles as pessoas comuns, mas com maior evidência os chefes, realizarem grandes encontros onde, mutuamente, traziam para os locais de reunião bens valiosos e os destruíam de seguida. Tal comportamento só poderia surgir como irracional aos olhos dos colonizadores ocidentais. Estudos antropológicos vieram mostrar os objectivos de tais acções os quais, outros não eram, que os da obtenção de poder e prestígio, tão comum ao hábito ocidental, só que, em vez de entesourar, destruíam. A lógica de tais acções estava mesmo na capacidade de se ser tão desinteressado e possuir tanta riqueza que destruir coisas de muito valor, em frente dos seus rivais, era facto que os não afectavam por demais. Estes, para responderem à parada, ver-se-iam socialmente obrigados a sacrificar bens de valor superior, como forma de retribuição, ficando, não o fazendo, desprestigiados e sujeitos ao domínio de quem mais tinha alimentado o acto destrutivo. Na essência, porém, estavam as obrigações recíprocas de dar, receber e retribuir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora é aqui que retorno à actualidade e, como não poderia deixar de ser, ao caso &lt;em&gt;Freeport.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os netos daqueles britânicos que se horrorizavam com o desperdício &lt;em&gt;Kwaikiutl,&lt;/em&gt; que nunca responderam a anteriores pedidos portugueses para investigações  em off-shores relacionadas com actos menos claros  e relevantes para a implantação do Outlet, vieram agora pedir para investigar as contas do nosso primeiro-ministro, sob alegação de que o mesmo seria suspeito de ter “solicitado, facilitado ou recebido pagamentos”. Nem mais! Parece, por outro lado, não terem suportado, esta solicitação, com provas inequívocas sobre a suspeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É no mínimo grave! Não só porque se trata do primeiro-ministro de um país independente e sem qualquer subordinação às ilhotas, como porque, por tortas linhas, poderão estar a tornar possível um forte desejo do nosso primeiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antecipar as eleições legislativas! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não concordando minimamente com a antecipação fiquei fortemente exaltado com mais esta arrogância britânica. Não bastava o ajoelhamento no caso Maddie e já outra pesporrência nos enviam. É caso para dizer, por favor, não nos batam, com tanta insistência, à porta. Para vocês não estamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando às minhas preocupações, elas começaram quando, (já lá vai algum tempo e com a pouca credibilidade que o autor merece pouca gente se lembrará) o Dr. Santana Lopes, lançou um aviso à navegação, alertando para o desejo, não confessado ainda, do primeiro-ministro pretender submeter-se a votos, antes do fim da legislatura. Como era o Santana Lopes, pouca gente o tomou a sério. No entanto, uma ligeira análise do percurso do governo levar-nos-ia a considerar não ser despropositado tal juízo. É que as coisas não iam de feição para que a linha Sócrates viesse a obter nova maioria absoluta. Por um lado, a contestação ,no interior do partido, crescia a olhos vistos; por outro, os professores na rua, a crise cavalgante e a fraca consistência do maior oponente eleitoral, ditariam, como boa, uma eleição o mais breve possível. Passado algum tempo, como se nada houvesse sido dito, o primeiro-ministro, ele próprio, levantou, leve levezinho, a possibilidade de alteração de datas eleitorais. O Presidente da República, que não é do PS e que anda um pouco rabiado com o Governo, veio dizer : Tá-te, não caias. De mim não levas nada! E foi, para Sócrates, quarta-feira de cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o nosso primeiro, que não sofre de falta de “determinação”, não se iria deixar ficar por tão pouco. Penso que de imediato terá começado a pensar como forçar a situação. Pelo menos foi o que me pareceu ao observar mais uns ataques políticos feitos à presidência. Pensei comigo: Sócrates diz sempre o contrário daquilo que vai fazer, assim, ao afirmar que nada se irá alterar nas relações do Governo com a Presidência é porque irá acontecer exactamente o contrário. Vai daí, pus-me a pensar o que iria ele arranjar para levar o Presidente a fazer cair a Assembleia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensam que estou a exagerar? Vejam só o panorama. Feitor de actos de propaganda que, por falta de qualidade dos mesmos e dos seus executores, revelam cedo a inanidade da proposta; incapaz, na arrogância, de negociar, pouco futuro haveria para ele num governo de maioria relativa. A grande crise, que veio fazer esquecer a outra em que já estávamos, embora sempre negada, de aliada inicial viria, com o aprofundamento e a incapacidade de resposta, a tornar-se inimiga fatal. Seria necessário criar um facto político onde o governante, no papel de vítima que tão bem representa, pudesse sair contristado para regressar triunfante. &lt;br /&gt;Estão a ver?&lt;br /&gt;A dificuldade estava em conseguir o pretexto para tal. Manuela Ferreira Leite não daria motivo. Má, quando calada, piorou com a fala. O Presidente, por esquivo, parecia ser por demais desgastante e por tal, não seria seguro o resultado da estratégia. Até que, o Freeport oportunamente voltou a bater à porta. Servia às mil maravilhas. Uma alta ofensa à dignidade própria, a impossibilidade de fazer prova sobre a existência de concessão de facilidades, a grande capacidade do povo português para admirar “chicos-espertos” e estava feito o caldinho. Era só pôr a máquina a trabalhar e a simpatia do bom povo pela vítima faria o milagre da nova maioria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, no entanto, risco na estratégia. Tudo pode descambar. Se os investigadores nacionais seguirem a rota do dinheiro ( dois milhões de contos ou euros) muitas nuvens podem desaparecer e fazer nascer uma transparência solar e encandeante. Aí, os resultados serão imprevisíveis. Entretanto estamos em crise e o Governo não oferece credibilidade nenhuma. O episódio do “Relatório da OCDE para a Educação” é o mais recente momento desta farsa monumental montada pela propaganda do Governo. O desemprego cresce e o receio do tempo por vir trará incontáveis mudanças e desgraças.  E nós continuaremos sem saber se a mudança dos limites da Zona Ecológica de Alcochete, estranhamente coincidentes em data de espaços e despachos, foi ou não uma utilização de informações e pressões privilegiadas, de molde a proporcionar lucros ilícitos para várias partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao tema inicial da minha crónica. Que força existe no objecto doado que faz com se crie a obrigação de receber e retribuir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando a resposta para quem quiser dedicar o seu tempo a meditar sobre os acontecimentos, ficaria muito mais descansado se soubesse que, perante as dúvidas, o nosso primeiro decidisse fazer a trouxa, entrar em governo de gestão e preparar as eleições antecipadas, que tanto deseja, mas sem a sua desacreditada pessoa a concorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;P.S. – Acabei de ouvir a comunicação que o primeiro-ministro fez ao País. Ponderei alterar, ou mesmo retirar, este artigo no caso de alguma nova informação demonstrar menos sustentabilidade nas minhas posições. Infelizmente ouvi mais do mesmo. Pelo que a crónica seguirá o seu caminho.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado in &lt;strong&gt;“Rostos on line”&lt;/strong&gt; – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-581559808248463760?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/581559808248463760/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=581559808248463760&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/581559808248463760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/581559808248463760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/01/sobre-dadiva.html' title='Sobre a dádiva'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SYMyQL_lRLI/AAAAAAAAAJI/o3p7ADM4VGA/s72-c/Freeport.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-923389712389151761</id><published>2009-01-25T13:25:00.014Z</published><updated>2009-01-25T14:47:23.941Z</updated><title type='text'>Brasil 2 - Pantanal</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxrPXnlZFI/AAAAAAAAAHw/mVZcBj2wQsI/s1600-h/P1010267.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295225173663114322" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxrPXnlZFI/AAAAAAAAAHw/mVZcBj2wQsI/s400/P1010267.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;De Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, onde estávamos sediados, partimos, neste pequeno autocarro, a caminho do Refúgio da Ilha ( http://www.refugiodailha.com.br) situado no delta do Rio Salobra, em pleno Pantanal. Mal sabíamos a aventura em que nos iríamos meter.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxrspxXykI/AAAAAAAAAH4/fi0C4pXuYBM/s1600-h/P1010280.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxrspxXykI/AAAAAAAAAH4/fi0C4pXuYBM/s1600-h/P1010280.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxrspxXykI/AAAAAAAAAH4/fi0C4pXuYBM/s1600-h/P1010280.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxrspxXykI/AAAAAAAAAH4/fi0C4pXuYBM/s1600-h/P1010280.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295225676752210498" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxrspxXykI/AAAAAAAAAH4/fi0C4pXuYBM/s400/P1010280.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui uma pequena parte da aventura, passada a estreita ponte sobre o Salobra que delimita a ilha onde nos fomos alojar. Podem ver um jipe, dos proprietários da pousada, que veio em nosso auxilio cortando uma pernada da árvore, porque o autocarro era demasiado alto para um caminho, de muitos quilómetros e toscas, estreitas e frágeis pontes de madeira, pensadas para veículos ligeiros de todo o terreno e não para um autocarro, ainda que não dos maiores. Ganhámos a honra de ter sido o primeiro autocarro a chegar ao refúgio. Mas com que emoções, senhores…!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxs4UGglCI/AAAAAAAAAIA/x-Qe8n_181Q/s1600-h/P1010285.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295226976605344802" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxs4UGglCI/AAAAAAAAAIA/x-Qe8n_181Q/s400/P1010285.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal o autocarro ficou libertado e pudemos desembarcar caiu uma chuvada tropical daquelas de parecer que o mundo vai acabar. Fugimos dela para um abrigo de onde tirei esta foto de umas aves pequenas e tomar, no galho, o seu duche diário. Percebemos depois que todos os dias, sensivelmente pela hora do crepúsculo, a chuva caía, sempre como se quisesse alagar o mundo. A tal não chegaria mas o pantanal crescia, quotidianamente, a olhos vistos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxwz5fQhYI/AAAAAAAAAII/e4DFKj9rvrQ/s1600-h/P1010305.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295231298788427138" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxwz5fQhYI/AAAAAAAAAII/e4DFKj9rvrQ/s400/P1010305.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada a chuva de alguns minutos, ficou-nos assim o céu crepuscular. Com arcos íris e tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxxW0xiUDI/AAAAAAAAAIQ/2bNRWqkxcak/s1600-h/P1010293.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295231898818334770" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxxW0xiUDI/AAAAAAAAAIQ/2bNRWqkxcak/s400/P1010293.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo ali, paredes meias com a casa, vindo muitas vezes até à porta da habitação, moravam uns simpáticos jacarés. Este estava a descansar, mostrando um olímpico desprezo por esta malta que não se cansava de lhe tirar fotografias, excitados pela proximidade de tal criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxx9Y5mqqI/AAAAAAAAAIY/6PNoVBwH6LU/s1600-h/P1020340.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295232561350879906" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxx9Y5mqqI/AAAAAAAAAIY/6PNoVBwH6LU/s400/P1020340.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vai o Carlinhos, de cavalo em riste, pântano fora, atravessando savanas e florestas, no reino das anacondas. Como o guia informou, “não tenham medo que se aparecer anaconda ou onça-pintada os cavalos negam-se a avançar”. Perante tanta confiança nos cavalos quem é que iria recusar-se a quatro horas de percurso por terras para nós só conhecidas através dos documentários (muitos ali realizados) da BBC ou da National Geografic?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxydro0qWI/AAAAAAAAAIg/KJbbbZJcJmM/s1600-h/P1020365.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295233116136581474" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxydro0qWI/AAAAAAAAAIg/KJbbbZJcJmM/s400/P1020365.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começava aqui a exploração do Rio Salobra. Todo compostinho, colete de salvação e tudo, bem à portuguesa, depressa abandalhámos a excursão e foi, esquecendo-nos de que éramos turistas, que reportando-nos ao antigo espírito de bandeirantes, penetrámos pelos meandros do rio, convivendo, em gostoso banho, nas águas disputadas por jacarés e piranhas. Como somos valentes!!! O que ficou por dizer foi que os jacarés, na abundância de peixe não se interessam nada por nós e as piranhas só atacam, como todos sabem, na presença de sangue vivo ou, nos seus habitats que são em águas profundas e paradas. Na sequência nenhuma piranha me comeu mas o inverso não é verdadeiro. Nós comemo-las, pelo menos, em caldo, prato típico do Pantanal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxzF52y7XI/AAAAAAAAAIo/NiPK0R9XmBs/s1600-h/P1020359.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295233807148051826" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxzF52y7XI/AAAAAAAAAIo/NiPK0R9XmBs/s400/P1020359.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a ponte onde ficámos parados por causa da árvore. Por baixo passei depois no início da nossa aventura fluvial. O renque de plantas aquáticas que vemos junto ao pilar da ponte, é local de acoito para jacarés e, é são tão abundantes estas ilhas verdes que muitas vezes impedem os percursos no rio, sendo necessário procurar alternativas. A lontra gigante também brica e se acolhe nestas ilhas vegetais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxzpktpVEI/AAAAAAAAAIw/bn1teUtLqmw/s1600-h/P1020364.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295234419947820098" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxzpktpVEI/AAAAAAAAAIw/bn1teUtLqmw/s400/P1020364.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma “figueira” típica da floresta húmida. A fotografia trai, por baixo, a sua imponência. Mas é o que se conseguiu arranjar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXx0MmJ7cpI/AAAAAAAAAI4/CD3EjaU6lxA/s1600-h/P1020372.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295235021630304914" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXx0MmJ7cpI/AAAAAAAAAI4/CD3EjaU6lxA/s400/P1020372.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá estou eu na banhoca. Nos jacintos ao fundo estavam, pelo menos, dois jacarés que dormitavam no local onde estava o barco. Refugiaram-se quando nós chegámos no meio das plantas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXx00ZvCKpI/AAAAAAAAAJA/6RR-ZqdmIDA/s1600-h/P1020380.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295235705491040914" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXx00ZvCKpI/AAAAAAAAAJA/6RR-ZqdmIDA/s400/P1020380.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demos mais umas voltas e ao anoitecer voltámos ao local do banho, conseguindo apanhar para a fotografia, mesmo ali à mãozinha, um dos donos do charco.&lt;br /&gt;R pronto, com muitas chuvadas sobre o pelo e picadas dos mosquitos que não se incomodavam nada que nós tivéssemos tomado banho em repelente, aqui ficam algumas memórias do que foi a nossa vida, em alguns poucos dias, neste sacrário da natureza chamado Pantanal.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-923389712389151761?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/923389712389151761/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=923389712389151761&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/923389712389151761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/923389712389151761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/01/brasil-2-pantanal.html' title='Brasil 2 - Pantanal'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SXxrPXnlZFI/AAAAAAAAAHw/mVZcBj2wQsI/s72-c/P1010267.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5276519379223848009</id><published>2009-01-14T15:31:00.001Z</published><updated>2009-01-14T15:32:37.851Z</updated><title type='text'>Egoísmos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SW4Fi0dWX4I/AAAAAAAAAHc/7s37pb38gfM/s1600-h/mosquito_65147_7.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 317px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SW4Fi0dWX4I/AAAAAAAAAHc/7s37pb38gfM/s400/mosquito_65147_7.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291172707962347394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário daquilo que o liberalismo económico anuncia, nunca por nunca ser, a soma de muitos egoísmos individuais se transformou num bem geral. A tese, embora absurda, ganhou foros civis e universitários. Na prática nunca foi verificada e, como a experiência permite ver, apenas se verificou o seu contrário. A soma dos egoísmos individuais traduziu-se sempre num mal social maior, com o seu apogeu na crise em que nos encontramos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o facto de existir uma maioria não permite, em todas as situações, afirmar que a sua escolha é correcta. Muitas vezes, levada pelo senso comum, persiste em afirmações e opções que a ciência demonstrará erróneas. No entanto, até que tal demonstração seja aceite, muita água correrá por baixo das pontes e muita gente sofrerá humilhações e penas. Trago, como exemplo, a demonstração da teoria geocêntrica, hoje aceite sem qualquer problema e que levou à morte de Giordano Bruno e ao encarceramento de Galileu Galilei. Tudo pelos melhores motivos! Pela conservação da fé e tranquilidade dos governantes e para poupar a cabecinha dos povos, que só têm de trabalhar deixando esta questão para quem, para elas, está superiormente preparado ou mandatado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de mais certo e aceitável. Pois não é!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, se calhar, as coisas não serão bem assim. Vejamo-lo com o exemplo concreto do nosso Governo e da sua maioria absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após disputar umas eleições baseadas num programa de cariz socialista e ter, por isso mesmo, ganhado a maioria absoluta, rapidamente o Governo fez meia-volta e se agarrou a um discurso e concomitante prática neoliberal. Estava aliás na moda e privatizar é que era. Quanto mais melhor, fossem elas as privatizações da saúde, da educação ou da segurança social. Parecia não haver limites para a bondade das alternativas privatizantes. Apostar nos fundos de pensões é que era bom. Aproveitar os rasgos especulativos do mercado e aliviar os Estado de preocupações económicas. Esse era o caminho. A par com a América e Grã-Bretanha. Quem tal não aprovasse seria conservador ou comunista, mas sempre de vistas curtas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais epítetos chamaram o Governo e os seus epígonos a quantos tentaram avisá-los dos precipícios que ladeavam o caminho sinuoso e estreito por onde se metiam. Mas qual quê! Quem sabia das coisas era o nosso primeiro que, assertivo e voluntarioso, mandava a esmo a coberto da sua absoluta maioria. Para quê dar ouvidos a vozes contraditórias se a votações, na Assembleia, permitiria sempre demonstrar a boa razão do Governo? Ainda que a não tivesse, que vozes outras poderiam fazer-se ouvir no bruaá da maioria? Nenhuma, nem preciso era. Galileu poderia outra vez dizer desalentado “e puor si muove”, Giordano arderia de novo na fogueira da razão da maioria, porque não era necessário ouvi-los, porque a suas vozes eram minoritárias e incómodas. Porque, em ditadura da maioria, a razão não conta por demais. Só a matemática dos votos é coisa válida perante tais abencerragens. Alegremente marcham para o abismo e, pior que tudo, arrastam o outros com eles convencidos, porque só se ouvem a si mesmos, que a sua vontade é a medida da realidade. Como se enganam! A realidade é o conjunto das vontades e circunstâncias de todos. Por maiores que sejam as maiorias serão sempre parte do todo. Representarão apenas essa parte e não a totalidade. Se não ouvirem e tiverem em conta os pareceres dos restantes acertarão sempre ao lado. Deixarão de fora elementos importantes para perceber a totalidade. Ficarão com o seu pedaço julgando possuir a realidade completa. E falharão, com estão a falhar, os objectivos que interessam à maior parte das populações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos pois à conclusão que este governo, de maioria absoluta, é uma administração sistematicamente egoísta. Não aproveitou a maioria que lhe foi dada para melhorar as condições de vida do povo. Apadrinhou conluios embaraçosos entre o poder político e económico. Confundiu o interesse próprio das cliques governativas com o interesse geral, estrangulou a saúde e tentou estripar a educação. Fez de tudo um pouco para agradar aos seus senhores. O dinheiro que não havia para melhorar as pensões e o nível de vida dos dois milhões de pobres nacionais apareceu, como por magia, para salvar banqueiros da miséria acontecida. Claro! Foi para salvar os depósitos da população. Mas então os bancos não tinham reservas para cobrir esses depósitos? Então como desapareceram eles? Ah! Foram investimentos desastrosos? Que pena! Não deveriam nesses casos fazer recurso das suas fortunas pessoais para colmatar os erros que livremente cometeram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que não! Se eu perder as minhas economias, porque as utilizei de modo errado, que me aguente! A não ser que seja banqueiro. Aí sim, o Governo acorrerá pronto para que a economia – de quem? – não vacile. Assim como se eu dever mil contos ao banco tenho um problema com o mesmo mas, se lhe dever um milhão, já é o banco que tem um problema comigo. Estão a perceber, não estão? Além disso, perdoem-me a má-língua, para onde irão os senhores ministros ganhar a bucha quando se lhe acabar o mando? Não dou resposta. Deixo a pergunta no ar recomendando apenas que se observe o que tem vindo a acontecer com essas pessoas nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além das maiorias absolutas tenderem a transformar-se em ditaduras democráticas – Mário Soares dixit – dão uma perfeita demonstração de egoísmo governativo. É tal como assumir-se que a competência dos governantes é fundada na falta de oposição. É, sem dúvida, o recurso à facilidade tão do agrado dos falsos fortes. Fazem tudo bem porque não permitem que ninguém discuta a bondade dos seus actos. Aquilo que pretendem é calar as vozes que apresentam alternativas. São simpatizantes do discurso único e se tal não dizem é porque a democracia os obriga a ir a votos, de quatro em quatro anos, e é bom que as gentes continuem a pensar que delas é a soberania. A ideia de que democracia é tentar representar o maior consenso de vontades não lhes passa pela tola. Negociar, de molde a cobrir o mais largo espectro das visões político-sociais componente da sociedade, é coisa que não lhes cabe no bestunto. É cobardia e egoísmo. Por isso, quando Sócrates tem o desplante de vir novamente solicitar uma nova maioria absoluta, devemos perguntar-lhe porquê e para que a quer. Como a resposta será sempre a mentira institucional, deveremos dizer-lhe à bom Zé Povinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toma! E vai-te tratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5276519379223848009?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5276519379223848009/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5276519379223848009&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5276519379223848009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5276519379223848009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/01/egosmos.html' title='Egoísmos'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SW4Fi0dWX4I/AAAAAAAAAHc/7s37pb38gfM/s72-c/mosquito_65147_7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-8030055329015394642</id><published>2009-01-08T11:43:00.012Z</published><updated>2009-01-08T12:21:52.762Z</updated><title type='text'>Brasil 1 - Brasília</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXn-32BfRI/AAAAAAAAAGM/8e-JIZG-kMY/s1600-h/casamento1.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXn-32BfRI/AAAAAAAAAGM/8e-JIZG-kMY/s400/casamento1.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288888404744961298" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estes são a Dianara e o Rui. Ela é brasileira, gaúcha de Campo Grande (Mato Grosso do Sul) e ele é o Rui Caferra, médico em Setúbal. Casaram no dia 31 de Dezembro de 2008, no Brasil, na cidade de Campo Grande, na casa de Dianara.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXoZXj-LfI/AAAAAAAAAGU/V9IhFm5Z1NI/s1600-h/campogrande.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXoZXj-LfI/AAAAAAAAAGU/V9IhFm5Z1NI/s400/campogrande.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288888859935780338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nós fomos lá e desfrutámos dos benefícios do clima e outros. Tais como este tira-gosto, em casa de Dianara, a anteceder um churrasco de botar abaixo o melhor garfo do sítio.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXpqJuItTI/AAAAAAAAAGc/oodajIcN8tg/s1600-h/casamento2.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXpqJuItTI/AAAAAAAAAGc/oodajIcN8tg/s400/casamento2.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288890247789720882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cá estou eu, na noite do casamento e da passagem de ano, aguardando as vitualhas e sem saber ainda que uma chuvada tropicalíssima viria a açoitar as tendas em que nós e o conjunto musical, sabedores das traições do tempo das chuvas,por precaução, nos acolhíamos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXqjgxp4OI/AAAAAAAAAGk/X-o1yTB2x4k/s1600-h/capeladbosco1.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXqjgxp4OI/AAAAAAAAAGk/X-o1yTB2x4k/s400/capeladbosco1.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288891233231036642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas antes, nos dias 26 e 27, ficámos em Brasília. Visitámos os locais consagrados e, de entre eles, resolvi distinguir a Capela de D. Bosco. Na base da minha escolha estavam os factos de ter um ambiente interno assombroso e de o “euzinho” ter sido aluno dos salesianos de Évora. Homenagem ao patrono!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXrHu3mfyI/AAAAAAAAAGs/3IMDy3KQRI4/s1600-h/capeladbosco2.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXrHu3mfyI/AAAAAAAAAGs/3IMDy3KQRI4/s400/capeladbosco2.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288891855489367842" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E aqui está o fantástico interior da Capela. Digam lá se não é espantoso? &lt;br /&gt;Reparem no grande candelabro na parte superior da fotografia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXrkTXMkOI/AAAAAAAAAG0/GEw071Vv0B8/s1600-h/capeladbosco3.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXrkTXMkOI/AAAAAAAAAG0/GEw071Vv0B8/s400/capeladbosco3.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288892346321899746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vejam-no agora em todo o seu esplendor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXsH0NdKUI/AAAAAAAAAG8/VovoD2zq1zY/s1600-h/ponte3arcos.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXsH0NdKUI/AAAAAAAAAG8/VovoD2zq1zY/s400/ponte3arcos.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288892956434835778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E esta ponte de três arcos assimétricos, denominada Juscelino Kubitschek, não é magnífica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXsk5xn80I/AAAAAAAAAHE/cmUrw_uI1Rk/s1600-h/templodapaz.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXsk5xn80I/AAAAAAAAAHE/cmUrw_uI1Rk/s400/templodapaz.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288893456144921410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não quero deixar de referir a Pirâmide do Templo Ecuménico da Paz. No seu interior, as aberturas envidraçadas coam a luz. O cimo da pirâmide, de sete lados, é coberto por um dos maiores cristais já encontrados ( 14 cm de altura e 21 Kg. de peso).&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXtONIYyTI/AAAAAAAAAHM/M9xHyldSFWA/s1600-h/templodapaz2.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXtONIYyTI/AAAAAAAAAHM/M9xHyldSFWA/s400/templodapaz2.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288894165715306802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eis o interior da Pirâmide. Aqui se celebra a doutrina dos quatro elementos – ar, água, fogo e terra – num sincretismo com filosifias espíritas, católicas, egípcias etc…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXt11pdADI/AAAAAAAAAHU/06MlrdHra_g/s1600-h/templodapaz3.JPG"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXt11pdADI/AAAAAAAAAHU/06MlrdHra_g/s400/templodapaz3.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288894846606311474" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Este é o caminho da purificação e da espiritualidade. No chão estão traçadas duas espirais. O caminho inicia-se, do exterior para o interior, na espiral negra e termina, do interior para o exterior, na espiral branca após, chegados ao centro, ser bebido por cada caminhante um copo de água. A ideia presente é a da purificação e recepção de energias provenientes do cristal colocado no vértice da pirâmide.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-8030055329015394642?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/8030055329015394642/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=8030055329015394642&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8030055329015394642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/8030055329015394642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2009/01/brasil-1-braslia.html' title='Brasil 1 - Brasília'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SWXn-32BfRI/AAAAAAAAAGM/8e-JIZG-kMY/s72-c/casamento1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-6022483654735281434</id><published>2008-12-17T21:52:00.002Z</published><updated>2008-12-17T22:00:57.715Z</updated><title type='text'>Sim, eu estive lá!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SUl2i7nxKhI/AAAAAAAAAF8/RdFVcIrywTQ/s1600-h/vira%C3%A7%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SUl2i7nxKhI/AAAAAAAAAF8/RdFVcIrywTQ/s400/vira%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280882380560738834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas que marcam a nossa vida para sempre. De umas, revivendo-as, só nos apercebemos muito tempo depois de acontecerem. Outras mostram-nos logo que estamos a viver um momento especial, assim como se dobrássemos uma esquina. Ambas determinam circunstâncias de fronteira, nódulos onde os nossos destinos se fazem caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um destes momentos aconteceu no Domingo, 14 de Dezembro, na Cidade Universitária. Sim, eu estive lá! Percorri os vários seminários, detendo-me, sobretudo, nos de Educação e Trabalho. Valeu a pena! Percebi, ouvindo os diversos locutores, que há gente de qualidade a pensar esta Democracia, aparentemente anémica, na realidade, plena de valores esperando apenas que a hora chegue, que o momento se perfaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento parece chegado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase finda a grande bebedeira neoliberal, exangue a sua economia, falhados os seus pressupostos, oferecendo um futuro trágico e sem propostas onde só espreitam ameaças sombrias para a maior parte dos povos, concitam-se as vozes que se hão-de opor, firme e claramente, ao pré-anunciado cataclismo destruidor de todas as esperanças. Nesse dia, a Faculdade de Letras, primeiro, e a Aula Magna, depois, foram a casa das Esquerdas. Desunidas, quase sempre, rezingonas muitas vezes - diz-se que por natureza - encontraram-se em pleno processo de fraternidade, luminosas na descoberta da força das suas razões e das suas gentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de empolgante o encerramento do Fórum das Esquerdas, na Aula Magna, foi somente o corolário de uma circulação de pessoas e ideias que, todo o dia, fervilhou, em troca intensa, entre os muitos participantes. Percebe-se, por isso, o incómodo generalizado que atacou tantas pessoas e instituições. Umas porque sentem que este movimento ameaça o “status quo” onde se instalaram com algum conforto, outras porque, desviadas da acção que lhe caberia cumprem mandatos que não convêm aos ideários que dizem professar. Por isso se falou em Educação, Economia, Trabalho, Cidades e Saúde numa perspectiva integradora dos direitos e bem-estar das populações, criticando-se soluções estreitamente viradas para o interesse de minorias que, com a crise, foram claramente desmascaradas na sua acção de, enriquecendo, empobrecer o país e as nações.&lt;br /&gt;Da fertilidade das intervenções havidas sobrou, para o exterior, a excessiva simplificação de se pressupor o nascimento de um novo partido político. Não sendo de excluir esta hipótese, aqueles que tanto a acentuam, não perceberam ainda que a força que se congrega procura mais que a ocupação de lugares nos órgão de governo. Que se prepara para se assumir como poder é verdade e é direito que lhe cabe. Mas como foi dito, por todos os participantes, o importante é seguir o processo de estudo, aprofundamentos de ideias e de organização que provoque o advento de teses capazes de inverter o rumo das sociedades, aqui e agora, visando um mundo socialmente mais equitativo e com maiores liberdades individuais. Só enquanto meio para atingir este desiderato o mando é importante. Não nos interessa o poder pelo poder, nem pelas negociatas que nele se fazem e depois dele continuam. A promiscuidade entre governos e grupos económico-financeiros, com especial força destes últimos, provocou danos profundos no tecido moral e económico da Nação. A continuidade de tal estado de coisas só tenderá a aprofundar as crises e a conduzir-nos para o abismo. Veja-se como o Capital Financeiro subverteu, de imediato, a função dos apoios que os governos lhe concederam para ajudar a economia real. Fizeram chegar às empresas os fundos libertados? Não senhor! Capitalizaram-nos de imediato, congelando a circulação financeira e aprofundando a crise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem quase todos os analistas que estamos a mudar de paradigma. Também acho e, como eles, não sei para onde as coisas se dirigem. O que sei é que não quero ficar como espectador impotente a ver tudo a derruir sem modo de sobre elas actuar. Pretendo ter um papel activo na condução da minha vida e do meu tempo. E, sei, não estou sozinho. O dia 14 veio reafirmar isto plenamente.&lt;br /&gt;Vamos portanto agarrar nas nossas mãos os destinos que são nossos e sabendo de fonte certa que temos razão e força, conseguir a implementação de políticas sociais justas. Deixemos de, em nome do Socialismo, transportar o pesado pendão das direitas. Eles que o defendam e carreguem. É o seu papel. O nosso é que é bem diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tal se alcançar basta que o espírito do Fórum das Esquerdas permaneça e se alargue. O resto, seja lá ele o que for, virá por si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-6022483654735281434?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/6022483654735281434/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=6022483654735281434&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6022483654735281434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/6022483654735281434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2008/12/sim-eu-estive-l.html' title='Sim, eu estive lá!'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SUl2i7nxKhI/AAAAAAAAAF8/RdFVcIrywTQ/s72-c/vira%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-7371909502019825913</id><published>2008-12-13T02:49:00.002Z</published><updated>2008-12-13T02:58:00.068Z</updated><title type='text'>As revoltas do Sr. Presidente</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SUMjXma5AsI/AAAAAAAAAF0/jAWEKAyZF7M/s1600-h/CavacoSilvaI.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 385px; height: 270px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SUMjXma5AsI/AAAAAAAAAF0/jAWEKAyZF7M/s400/CavacoSilvaI.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279102076565652162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se em alguma coisa este povo está de acordo é na opinião generalizada de que temos, na pessoa do Presidente da República, um cidadão íntegro e acima de qualquer suspeita. A partir daqui quebra-se a unanimidade e é cada um por si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disto, por mim, nunca me escuso a mostrar o meu desafecto pelo Dr. Cavaco Silva, em quem nunca votei e, jamais se devendo dizer desta água não beberei, penso nunca votar. É que apesar de a sua honestidade não estar em causa, não consigo esquecer-me de que foi “por acaso” que foi fazer a rodagem do seu carro até à Figueira da Foz, onde “por acaso” decorria o Congresso do PSD e logo, “por acaso” foi eleito para a chefia do partido. Para mim, que creio pouco em acasos e questões de sorte e azar, foram acasos demais e puseram-me de sobreaviso em relação ao modo político de ser do personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivi depois a sua maioria, o desenfreado fontismo viário e os tiques autoritários. O homem foi como uma vacina. Se eu já torcia o nariz a maiorias absolutas, ganhei a certeza de que elas são muito perigosas para uma vivência democrática. A essência da democracia – além da liberdade e responsabilidade – assenta na negociação como forma de atingir metas, sem esmagar as várias minorias que não se revêem no projecto maioritário. Para o então primeiro-ministro as minorias eram o verdadeiro entrave à sua visão grandiosa da forma de boa governança. Foram-no efectivamente no buzinão da Ponte 25 de Abril, se bem que já um pouco para o tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao olhar para o Presidente, na genérica rigidez corporal que o domina, na escusa constante a comentar os mais graves factos que assolam o país, na visão conservadora que envolve o secretismo dos seus contactos com o governo e outros poderes da República, percorre-me um arrepio e, mesmo sem querer, não posso deixar de recordar o perigo de, sem uma constante vigilância, decairmos em direcção ao “lago do breu” que um certo “dinossauro excelentíssimo” legou, por demasiado tempo, a Portugal. Também ele dizia querer o bem do povo, era honestíssimo e vivia numa frugalidade exemplar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, este homem, que parece pairar acima do correr dos dias da gente vulgar que somos, é, embora por poucas vezes, arrebatado por revoltas intensíssimas. Recordo o caso dos Açores e, ultimamente a sua intempestiva declaração sobre o problema do BNP- Dias Loureiro. Estas duas situações contrastam, de forma notória, com o fugaz comprometimento público quanto a factos e situações cruciais para a boa saúde da sociedade e com a doçura e submissão com que aceitou a destituição da sua dignidade, enquanto Presidente de todos os portugueses, quando, na Madeira, foi o Sr. Silva, do Alberto João, e aceitou não ser recebido na Assembleia Regional. Enfim, critérios!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, mais uma vez, a sua revolta pareceu-me extemporânea e algo exagerada, mais parecendo defesa antecipada que efectiva resposta a alguma putativa acusação que, quanto sei, ninguém fizera. Volto a frisar: pode não se gostar do homem, mas não se desconfia da sua honestidade material. Então para quê o alarido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simples! Ele sabe muito bem que, no decorrer dos seus mandatos foram catapultados para enriquecimento rápido alguns serventuários de estado. Como o fizeram não o sabemos de todo. Há névoas que cobrem muitas utilizações de verbas entradas no país. Ouvimos falar de alguns escândalos. Um por outro deu entrada na Justiça, cedo se perdendo o rasto dos casos e quase nunca se sabendo de conclusões ou sancionamento de culpados. Sabe também do excessivo conluio entre o poder político e o económico-financeiro, permissivo a alternâncias suspicazes e, muito humanamente, não se quer ver metido nesses negócios em que não entra e, creio bem, não aceita, embora não lhe tenha conseguido meter travão. Talvez isso o incomode e lhe faça “saltar a tampa”. Só que não tira as necessárias consequências e em vez de mover céus e terra para se livrar de tão ruins companhias – e nos livrar a nós – enceta a fuga para a frente, toma o seu banho lustral, mostra o enfado que tais personagens lhe causam, mas não age com a força suficiente para se libertar de tais incómodos. Por tanto eles persistem ,multiplicam-se, alastrando como cancro, condenado esta sociedade à incessante menoridade a que nos querem obrigar. É isto que o presidente sabe, é isto que se recusa a ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, por mais tabus que se estabeleçam, a realidade cai sempre, sem misericórdia, sobre as nossas cabeças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado em “Setúbal na Rede” http://www.setubalnarede.pt/&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-7371909502019825913?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/7371909502019825913/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=7371909502019825913&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7371909502019825913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/7371909502019825913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2008/12/as-revoltas-do-sr-presidente.html' title='As revoltas do Sr. Presidente'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SUMjXma5AsI/AAAAAAAAAF0/jAWEKAyZF7M/s72-c/CavacoSilvaI.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-3918178428058422630</id><published>2008-12-10T14:55:00.001Z</published><updated>2008-12-10T14:57:07.023Z</updated><title type='text'>Memória 12 - desafio</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/ST_YtnASC9I/AAAAAAAAAFs/PBv0EJ2YJas/s1600-h/Surreal%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 336px; height: 397px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/ST_YtnASC9I/AAAAAAAAAFs/PBv0EJ2YJas/s400/Surreal%5B1%5D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278175566377389010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sonhador&lt;br /&gt;tinha três mãos apontando as oliveiras&lt;br /&gt;raminho de alcatrão flor de pedra&lt;br /&gt;poema do amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma das mãos era fumo&lt;br /&gt;as outras eram mulheres&lt;br /&gt;que amo todas em ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da testa caiam lagos e nadavam patos&lt;br /&gt;alguma coisa para além do aborrecido&lt;br /&gt;dos dias e contas de somar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pernas e braços e peitos supraciliares&lt;br /&gt;dentes nas mãos na boca pregos&lt;br /&gt;martelos e ceifeiras a voar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estrada nos dedos dos pés do alentejo&lt;br /&gt;das formigas e dos olhos&lt;br /&gt;anatomia do acento circunflexo&lt;br /&gt;quase pensamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perceba o poeta quem quiser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Évora - 1969&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-3918178428058422630?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/3918178428058422630/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=3918178428058422630&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3918178428058422630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/3918178428058422630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2008/12/memria-12-desafio.html' title='Memória 12 - desafio'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/ST_YtnASC9I/AAAAAAAAAFs/PBv0EJ2YJas/s72-c/Surreal%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5659891884158085213</id><published>2008-12-04T23:28:00.002Z</published><updated>2008-12-04T23:31:09.021Z</updated><title type='text'>A caneta de oiro</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SThoNcZeEBI/AAAAAAAAAFk/F6JISSGrIFc/s1600-h/penadouro.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 189px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SThoNcZeEBI/AAAAAAAAAFk/F6JISSGrIFc/s400/penadouro.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276081543635144722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há frases e actos os quais, pelo seu peso simbólico, marcam nas nossas memórias um terreno de constante rememoração. Para mim, no referente à primeira situação, está a sentença proferida pelo Dr. Mário Soares do &lt;em&gt;“sou republicano, socialista e laico”. &lt;/em&gt;Não me revendo em muitas das públicas atitudes e ideias do Ex- Presidente da Republica, não posso deixar de reconhecer que utilizo bastantes vezes esta frase como forma de identificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao segundo tema, os actos, recordo-me que um amigo que nada tem a ver com ideologias de esquerda, como facilmente se perceberá, querendo mostrar-me algo concreto que explicasse o seu devotamento a essa desaparecida figura contava-me que, em certo momento do consulado do ditador, numa qualquer efeméride que não fixei, foi-lhe oferecida uma caneta de oiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia ser bela porque, contrastando com o distanciamento de Salazar perante o objecto, um outro membro do governo, ficou encantado. De tal maneira foi que, ultrapassando o natural recato que seria de bom-tom preservar, atreveu-se a pedi-la ao Chefe do Governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este tê-lo-á olhado com o seu ar de pássaro bisnau retorquindo-lhe:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-Esteja Vossa Excelência descansado que ela ficará guardada até terminar o seu mandato. Quando isso acontecer será sua.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Assim ficaram as coisas. Até que um dia, chegado ao seu gabinete viu, o nosso ministro, a sua secretária deserta de papéis, luzindo de limpa e, no centro, sobre a pasta mata-borrão, refulgia a demandada caneta de oiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que o ministro soube que chegara ao fim de linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, que causava a admiração do meu amigo, para mim, nada mais era que a mostra de desrespeito e cinismo com que o ditador tratava e julgava todos, mesmo aqueles que de mais perto o seguiam. Não via aqui qualquer mostra de elevação de espírito ou a excelsa subtileza reclamada pelo seu admirador. Não via mas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as coisas que se passam no Governo Socialista, mormente no caso da educação, com o escândalo dos falíveis bancos e com as falhas detectadas na sua fiscalização, começo a pensar se não seria bom que o Eng. Sócrates e o Dr. Cavaco Silva começassem a oferecer algumas canetas de oiro a uns quantos personagens notáveis da nossa praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o fizessem e acertassem nas escolhas, até eu me comprometia a esportular, das minhas frágeis economias, o bastante para comprar duas canetas de oiro que teria imenso prazer em lhes oferecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, reconheço, sou mesmo assim. Absolutamente agradecido e generoso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5659891884158085213?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5659891884158085213/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5659891884158085213&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5659891884158085213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5659891884158085213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2008/12/caneta-de-oiro.html' title='A caneta de oiro'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SThoNcZeEBI/AAAAAAAAAFk/F6JISSGrIFc/s72-c/penadouro.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-2347901176226168612</id><published>2008-12-02T14:25:00.003Z</published><updated>2008-12-02T14:29:05.303Z</updated><title type='text'>Os degraus de Clarisse</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/STVFiOMCVtI/AAAAAAAAAFc/u7MS9c8wnTY/s1600-h/escadas.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 306px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/STVFiOMCVtI/AAAAAAAAAFc/u7MS9c8wnTY/s400/escadas.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275198992760854226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O despertador zuniu. O braço lento silenciou-o. Seguiu-se o zumbido do telemóvel. São horas.! &lt;br /&gt;Clarisse procurou acordar o corpo, na aparência, há muito desperto, obsessivamente entretido em listagens de tarefas. Habituado a tal exercício, o cérebro teimava em não se desligar. Foi necessário mobilizar toda a energia anímica para arrastar a perna para fora do colchão, soerguer-se lentamente.  &lt;br /&gt;Tem de ser - pensou - e concluiu o gigantesco empreendimento. Levantar-se, após 3 a 4 horas de sono. Já lá iam uns meses nisto … pois, ocupada em longas noites de correcção de exercícios, elaboração de fichas, relatórios, critérios de avaliação, .. a panóplia habitual da docência nos tempos que correm. Nada que pudesse evitar, tudo obrigatório … (esta a firme resposta dada ao marido que lhe pedia pausa, pausa…)&lt;br /&gt;Luz acesa. Olhou-se. A imagem devolvida não merecia parança. O rosto empalidecido, sem fulgor no olhar contornado a negro, não lhe parecia o seu. E se o era, não queria vê-lo. Deter-se nele exigia uma reflexão sobre o estado real da sua saúde, da sua qualidade de vida. Não, não, filosofias a esta hora não! Lá se ia passando o tempo e os relógios não se compadecem com metafísicas. Vamos lá ao plano de emergência: banho quente, escaldando a rigidez dos membros, água gelada afastando a neblina mental, corrida ao roupeiro - bendita moda das calças de ganga. É só trocar a camisola. O casaco pode ser o mesmo. É certo que ando embrulhada nele há uma semana… e depois? Tenho frio… preciso de comprar umas camisolas, um casaco … amanhã. Hoje não tenho tempo. O dia está ocupado com reuniões. . -, iogurte engolido, hesitação sobre o que tragar de seguida – sim, claro, o multi-vitamínico antistresse; o café adiado para o intervalo das 10h, ou, com sorte, para daqui a pouco, se chegar à distância de uma bica na pastelaria. &lt;br /&gt; Decisão tomada, pasta numa mão, chaves do carro no bolso, as de casa na mão já resvalam para o bolso do casaco … (claro que não as posso perder pela segunda vez), bolsa a tiracolo, pasta do portátil ao ombro é tempo de se atirar para o dia fresco. Um espasmo atravessou célere o corpo.&lt;br /&gt; Ai as costas! A fisiatra mata-me. Ou mato-me eu neste ar composto de vendedor ambulante. Anima-te! É só não esquecer o projector, ir buscá-lo e pendurar ao ombro mais esse objecto. Não posso defraudar os miúdos, empenharam-se tanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A figura masculina emergiu do corredor, interrompendo a fuga para a rua. Susteve o passo, parada. Todo o seu corpo sugeria movimento, impaciência…&lt;br /&gt;  – Olá estás bom, até logo - Um beijo aflorado, só pensado, que a mente estava noutro espaço e tempo. &lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Não dormiste outra vez, retrucou a voz masculina. &lt;br /&gt;- Pois que queres, há trabalho para fazer. Se não me despacho… agora não tenho tempo. Adeus.&lt;/em&gt;E lançou-se para o patamar, ouvindo o ríspido «Adeus.» e o que se seguiu: Pensa que um dia não terás de todo tempo. Para ti, para nós, para os miúdos. Ah, esqueceste-te de levar o teu pai ao médico… levei-o eu, telefonou-me aflito&lt;br /&gt; Clarisse autómato, Clarisse de biorritmo alterado, Clarisse em ansiedade permanente nada ouve. Vai pensando na lista de tarefas do dia de trabalho, da semana de trabalho. Alheia a tudo, já está finalmente no carro… e em movimento! UF. Chego a horas de ir buscar o projector e talvez de respirar um pouco.&lt;br /&gt;Olhar distraído pára no retrovisor. Quem és tu que acumulas papéis, funções, despachas obrigações e já te tornaste mãe administrativa, burocrata que delega?&lt;br /&gt;O rodar (&lt;em&gt; «ó  rodas, ó engrenagens r-r-r-r-r-r-r eterno!&lt;/em&gt; », ó meu A. Campos!) despertou-a em sobressalto:&lt;br /&gt;os miúdos… não combinaram quem vai buscar o Diogo. O Miguelito fica com a minha  mãe depois da escola. Bolas e agora? No intervalo telefono. Como ontem dormiram em casa dos meus pais, nem me lembrei deles… Deus! Não me lembrei dos meus filhos!&lt;br /&gt;Por instantes aflorou furtiva a lágrima. Mágoa  acumulada, sobrepondo-se à tralha carregada, Clarisse ainda consegue ligar o telemóvel. Ninguém atende – os meus filhos…, o meu pai … O  Tó Miguel tem razão, em nome do quê, de quem pareço uma barata tonta?  &lt;br /&gt; 8.15 da manhã, passagem pelo portão da escola. Alguns adolescentes caminham sonolentamente. Olhares e sorrisos cruzados. A professora Clarisse gosta de lhes dar uma palavra matinal prazenteira. Já não tem dores, nem pesos na consciência, nem filhos esquecidos, nem pais a suplicar atenção, nem marido relegado.&lt;br /&gt;Stôra  requisitou o projector? Hoje mostramos os trabalhos não é? E tem colunas boas?  Fizemos um vídeo.&lt;br /&gt;Claro que sim. Vou buscá-lo. Até já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vozes luminosas e sorridentes, os passos ensonados em busca do acordar afastam-se, enquanto Clarisse sobe os degraus da escola. Acelerada, acrescenta ao seu “visual” mais um adorno – o projector. E lá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… sobe que sobe &lt;br /&gt;Sobe as escadas&lt;br /&gt;Clarisse é nova&lt;br /&gt;Rosto bonito&lt;br /&gt;Empalidecido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarisse pára!&lt;br /&gt;Ai, o livro de ponto! – mais um fardo&lt;br /&gt;E lá vai Clarisse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda que anda &lt;br /&gt;Até ao bloco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebe a chave  da sala. Hesita sobre o modo de ordenar  tantos objectos. Mas começa a escalar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobe que sobe&lt;br /&gt;Arrastando-se…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesse instante uma ou duas vozes solidárias, dizem:&lt;br /&gt;- Stôra, nós ajudamos. &lt;br /&gt;- Obrigada meninos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É deles o tempo até ao final do dia. O sorriso de Clarisse floresce de novo,  a atenção dada a cada turma, a cada grupo de alunos  não pode diminuir. Clarisse esquece o Miguelito, o pai, a mãe,  o marido. &lt;br /&gt;O júbilo da aula, as vozes acesas,  implicadas em debate de ideias sabem bem a Clarisse. Como fazer de modo diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13.15 . Passou tão depressa. Tenho de almoçar qualquer coisa rápida … E arruma o  portátil, o projector, os cabos, os seus cadernos, as folhas de registo sobre os trabalhos apresentados…&lt;br /&gt;Inicia a descida, após o fecho da sala ( há muito que a revoada de adolescentes se foi… agora menos solidários pois há o almoço e as aulas da tarde), transportando a parafernália indispensável  àquela aula.  Seria simples se o choque tecnológico fosse real e as salas todas tivessem equipamento pronto a usar.  Consola-se, todavia, Por cá até temos  bastante material, o pior é que não chega…&lt;br /&gt;O riso, as vozes juvenis fizeram-na pensar nos seus meninos – não os alunos, os seus filhos. &lt;br /&gt;Correu a entregar, projector, depositar livro de ponto, desembaraçar-se do seu portátil. Sentou-se. Ligou  o  Tmóvel.&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; sim sou eu. Não consegui. Trabalhei outra vez até às três…. Pois sai muito tarde …. Como tinhas os meninos…. O Miguelito?.... O quê ? tem febre? Foi para a creche? Sim? Com benhuron… pois… pediatra … sim… sim vou marcar. Beijinhos até logo.&lt;/em&gt;Consultou a agenda antes de telefonar para o infantário. Duas reuniões: uma de  conselho de turma e  outra de Departamento. Lá para as 19 horas estou despachada. Rápida pensou nos sogros. Não, a mãe do Tó Miguel está doente… O meu pai vai buscar o Diogo, eu vou buscar o Miguelito e levo-o ao pediatra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14.30 – tosta mista e iogurte. Uma peça de fruta. Café para arrebitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De novo, planeou o dia. Ligou para o  infantário Sim era melhor levar o menino ao médico. Cheio de febre e vómitos! Bolas, Bolas! O Tó Miguel hoje tem reuniões até tarde. Sim vou buscá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15.00&lt;br /&gt; –&lt;em&gt; Não te esqueças que temos reunião de  subnível  para planificar e afinar as actividades do  PAA . Não te esqueceste? Olha e trouxeste o PEE? Tem de bater certo com as metas. É  para fazer antes da reunião de Departamento.&lt;/em&gt;Agradeceu vivamente à colega ( …. há almas caridosas que recordam.. não fora esta cadeia…,  com tanta reunião    esquecíamo-nos de metade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Claro que não. Tenho o Miguelito doente mas resolvo isso &lt;/em&gt;( por dentro renascia a zelosa profissional e desmoronava-se a mãe… Gizava um plano. Sim ia buscar o Miguelito, mas seria a sua mãe a levá-lo ao médico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A colega afastou-se, comentando o chato que aquilo era.  Chato?   Já é assim que nós falamos do que nos é mais querido ( afastou o pensamento… ia conduzi-la ao incumprimento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mãe, sou eu,&lt;/em&gt; … &lt;em&gt;sim já marquei o pediatra . Tenho reuniões não posso faltar. Levas o Miguelito ao médico. Depois vou buscar-vos. A consulta é às 17.30. Como o médico demora sempre….&lt;br /&gt;Pois é…. Vou buscá-lo agora. Até já.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Corre Clarisse, corre que corre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leva o menino triste, escaldando. Mima-o, cumula-o de beijos. Miguel não reage. Clarisse explica-lhe o planeamento do dia, acrescentando, manipuladoramente, tu sabes que a mãe tem de trabalhar para termos dinheiro, e a avó gosta muito de ti. Avó é mãe duas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel deixa-se levar. Calado roda nas mãos um papel que abandona no banco, ao lado do saco da mãe quando Clarisse o deposita em casa da avó. &lt;br /&gt;A rapidez dos beijos,  as palavras de carinho fugitivas, as combinações céleres, tão despojadas de afecto, preenchem o coração de Clarisse enquanto se dirige ao carro.&lt;br /&gt;Que fazer??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16.15. Abriu a porta traseira do carro e atirou para lá o saco. Rumou para a escola. Estacionou. &lt;br /&gt;Abriu a porta traseira do carro, novamente. Colado ao saco o papel que Miguelito abandonara. Era um desenho: no centro, diante do computador, rodeada de livros a mãe. Ele, na  gigantesca  atitude acusatória, colocara-se muito pequenino à entrada do escritório.  Entre ele a  mãe, ocultada pelos papéis,  nada. Um vazio. De costas, a mãe. De frente o pequenito de três anos, representando-se insignificante. Pelo meio nada. O espaço de desolação bem visível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarisse tremeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernanda Afonso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Publicado in “Rostos on line” – http://rostos.pt&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-2347901176226168612?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/2347901176226168612/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=2347901176226168612&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2347901176226168612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/2347901176226168612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2008/12/os-degraus-de-clarisse.html' title='Os degraus de Clarisse'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/STVFiOMCVtI/AAAAAAAAAFc/u7MS9c8wnTY/s72-c/escadas.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17101947.post-5843449839282382382</id><published>2008-11-24T14:16:00.002Z</published><updated>2008-11-24T14:20:28.984Z</updated><title type='text'>canção adormentada</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SSq4IPrWxEI/AAAAAAAAAFU/EO1k-DrBXdk/s1600-h/solidao.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 359px; height: 312px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebjc6Icr_hw/SSq4IPrWxEI/AAAAAAAAAFU/EO1k-DrBXdk/s400/solidao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272228765577430082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;calados pela noite&lt;br /&gt;os amorosos corpos&lt;br /&gt;esperam a nascente&lt;br /&gt;o momento de água&lt;br /&gt;o ventre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo chegará na sua vez&lt;br /&gt;tal o real dos dias&lt;br /&gt;na galáxia dos lençóis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;centímetro a centímetro&lt;br /&gt;habito de imaginação&lt;br /&gt;a nave da tua pele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com estas mãos construo-te agora&lt;br /&gt;imagem marginal ao pensamento&lt;br /&gt;na duração do tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no percurso dos lumes dos sentidos&lt;br /&gt;ao dealbar incerto da insónia&lt;br /&gt;caminho por ti escalo-te pico de ternura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tento o futuro debito o sono&lt;br /&gt;nas laudas das histórias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se a noite morreu então que viva&lt;br /&gt;inteirinha nos arcanos da memória&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17101947-5843449839282382382?l=carloscorreia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carloscorreia.blogspot.com/feeds/5843449839282382382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17101947&amp;postID=5843449839282382382&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5843449839282382382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17101947/posts/default/5843449839282382382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carloscorreia.blogspot.com/2008/11/cano-adormentada.html' title='canção adormentada'/><author><name>Carlos Alberto Correia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429471855562812226</uri><email>norepl
